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Projetos da Amazônia precisam da sociedade Planeta Sustentável - 17/03/2012 às 01:51

Marina Franco

A Amazônia é o alvo de 60% dos investimentos em infraestrutura até 2020 no Brasil. Para planejar seu desenvolvimento, governos e empresas têm pela frente uma série de desafios, levantados por especialistas reunidos no painel sobre Infraestrutura do seminário Novas ideais para o futuro da Amazônia, organizado pelo Planeta Sustentável:

- incluir os custos de impactos sociais e ambientais no orçamento de uma grande obra;
- optar pelo fornecimento de matérias-primas regionais e
- induzir a geração de emprego e aumento de renda locais.

“Fizemos escolhas de planejamento que ignoram as questões socioambientais. Desmatamos na Amazônia o equivalente a duas vezes o estado de São Paulo ou uma França inteira. O resultado social é que 40% das pessoas da região norte vivem abaixo da linha da pobreza”, afirmou Paulo Moutinho, diretor executivo do Ipam – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

Uma das grandes dificuldades para planejar estratégias de logística para a Amazônia é a falta de conhecimento sobre as peculiaridades locais. Renato Pavan, sócio-diretor da Macrologística, apresentou o trabalho da consultoria para projeto de desenvolvimento da região norte do país, em que foram necessários 18 meses de pesquisa a campo para levantamento de dados que até então não tinham sido publicados. “Há uma grande dificuldade de se obter informações corretas”, contou.

Para que as regiões que recebem obras de infraestrutura não se degradem socialmente, empresas têm que elaborar planos de ação local. Wilson Ferreira, diretor da CPFL Energia contou sobre a criação de um fundo para promover o desenvolvimento sustentável e o empreendedorismo da região de uma das usinas da empresa. A empresa tem investimento forte em fontes alternativas para a produção de energia, como usinas eólicas e de biomassa. “A capacidade de produção de energia a partir de fontes alternativas vai crescer ao dobro em até dez anos. Hoje ela significa 9% e no final da década será de 16%”, expôs.

Carla Duprat, diretora de sustentabilidade da Camargo Correa, contou que a companhia definiu diretrizes para o desenvolvimento da Amazônia, que orientam a atuação da empresa:
- assegurar o diálogo e respeito aos valores das comunidades tradicionais;
- atuar com transparência e de forma pró ativa ao comunicar iniciativas e resultados junto aos diversos grupos;
- investir na formação de profissionais locais para nosso investimento por meio da capacitação em instituições;
- fomentar inciativas comunitárias de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda e atividades econômicas que garantam a floresta em pé;
- promover o desenvolvimento e fortalecimento de fornecedores locais que valorizando outras cadeias produtivas;
-promover a inovação e o desenvolvimento tecnológico para soluções que minimizem os impactos socioambientais dos nossos empreendimentos e
- apoiar ações de proteção da infância e adolescência junto aos nossos profissionais e fornecedores, próximo aos nossos empreendimentos.

Como frisou Paulo Moutinho, o crescimento econômico da região amazônica não significa desenvolvimento. “Não se pode confundir os dois e os indicadores do desenvolvimento estão bem ruins”, sentenciou. Além disso, é preciso levar em conta o que é local e regional e não só o nacional. “Na Amazônia se quebram as duas primeiras etapas”. Para ele, está na hora de levar serviços de educação, saúde, oportunidades de trabalho e condições de vida para as populações de baixa renda que recebem grandes obras.

Foto: Rogério Albuquerque

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De 15 a 19 de março, realizamos uma expedição de conhecimento pelas águas do Rio Negro, na Amazônia, na companhia de um grupo muito especial formado por líderes empresariais, cientistas, planejadores urbanos e jornalistas. Neste seminário “flutuante”, o desenvolvimento sustentável da região pautou os debates sobre clima, biodiversidade, infraestrutura, planos de negócios e modelos de gestão. Neste blog, você embarca com a gente nesta viagem de imersão na floresta e acompanha tudo o que foi dito, visto e experimentado por lá.

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