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Desenvolvimento pra quem? Planeta Sustentável - 18/03/2012 às 11:00

Tasso Azevedo

Cheguei ao barco da expedição na madrugada deste sábado (17/03) a tempo de encontrar os últimos remanescentes da longa sexta feira – Rita Mesquita, Mario Cohn e Carlos Young – empunhando os últimos argumentos enquanto se recolhiam para dormir. Ainda assim, as sete horas da manhã o café já estava animado novamente pelas conversas amazônicas.

Às 8h30 iniciamos o debate sobre “Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia”, que dedicamos ao Prof. Aziz Ab’Saber que faleceu na manhã de sexta feira e deixou um legado de reflexões sobre a paisagem da Amazônia de grande influência sobre nossa compreensão sobre a região e seus mecanismos de sustentação.

Fabio Barbosa, presidente do Grupo Abril, falou sobre a necessidade de produzir o diálogo entre iniciativa privada, a sociedade civil e o poder publico que nos permitam formular e implementar as ações para desenvolvimento sustentável. Reforçou a importância de reunir gente de tantos veículos diferentes da Editora Abril, fundamentais para comunicar e promover o debate sobre a Amazônia e a sustentabilidade.

Paulo Barreto, do Imazon, mostrou várias “amazônias” sob o aspecto da intervenção humana e mostrou como a atividade econômica na região, em geral, provoca algum avanço de curto prazo (boom) e retrocesso no médio prazo (colapso). Indicadores como IDH e PIB per capta têm leve crescimento durante o processo de desmatamento e caem aos níveis da área conservada quando a área já esta desmatada. Ou seja, desmatamento não resulta em melhoria de PIB e IDH e ainda perde biodiversidade. Pior, os índices de violência  nas área desmatadas e em processo de desmatamento são significativamente maiores que nas áreas conservadas. Sugeriu que qualquer empreendedor que atue na Amazônia faça as perguntas certas sobre como evitar e reverter estes potenciais impactos nas região.

Marcus Frank, da consultoria Mckinsey, mostrou o desafio de garantir materiais, alimentos e água para sustentação da humanidade. Apontou como a Amazônia contém parte expressiva dos recursos disponíveis para atender esta demanda (água, biodiversidade, minerais, solo agricultável…) e a forma como faremos as gestão dos mesmos será chave para a sustentabilidade do planeta. Frank mostrou os vários estudos sobre os potenciais de produção de várias cadeias da Amazônia.

Um animado debate estendeu o encontro – previsto para durar duas horas – até meio dia, sem a turma arredar pé e ainda tendo pelo menos dez inscritos para falar.

No final, identificamos alguns temas chaves para o desenvolvimento da Amazônia:
(1) saber quem é responsável pela posse e gestão de cada área da Amazônia;
(2) a mudança dos papéis – o setor privado agindo como indutor da sustentabilidade em vez de responder a indução do estado;
(3) a ilusão do curto prazo X impactos de longo prazo (como evitar o boom-colapso?);
(4) investir na Amazônia para servir ao Brasil X investir na Amazônia para o desenvolvimento sustentável da região (cultura, ambiente, sociedade, economia) que transborde benefícios para o Brasil;
(5) olhar para os rios – de frente pro rio ou de costas pro rio?;
(6) escolher a régua certa para medir o desenvolvimento, o legado (o PIB pode reduzir o FIB? Isso importa?);
(7) Diálogo como a base da construção dos caminhos, reconhecendo na diversidade de opiniões a fortaleza para enfrentar os riscos de tropeço com a certeza de mais acertos.

Foto: Rogério Albuquerque

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De 15 a 19 de março, realizamos uma expedição de conhecimento pelas águas do Rio Negro, na Amazônia, na companhia de um grupo muito especial formado por líderes empresariais, cientistas, planejadores urbanos e jornalistas. Neste seminário “flutuante”, o desenvolvimento sustentável da região pautou os debates sobre clima, biodiversidade, infraestrutura, planos de negócios e modelos de gestão. Neste blog, você embarca com a gente nesta viagem de imersão na floresta e acompanha tudo o que foi dito, visto e experimentado por lá.

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