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Capital Natural apresenta documentário “Novas Ideias para o Futuro da Amazônia” Débora Spitzcovsky - 07/06/2013 às 15:09

Para encerrar em grande estilo a Semana Mundial do Meio Ambiente, o documentário Novas Ideias para o Futuro da Amazônia, produzido pelo Planeta Sustentável e pela Aiuê, será apresentado na íntegra no programa Capital Natural, na Band News. A atração vai ao ar neste sábado, 08/06, às 21h30, com reprise no domingo, 09/06, no mesmo horário.

O filme acompanha a expedição de conhecimento e experiência promovida pela nossa iniciativa, em março de 2012, a bordo de um barco no Rio Negro, no Amazonas. Em meio ao impacto visual dos rios e florestas, renomados pesquisadores, ambientalistas e empresários, além de residentes locais, discutiram questões essenciais a respeito dos desafios e oportunidades da região da Amazônia na transição para um modelo de desenvolvimento sustentável

Entre os personagens que participam do documentário estão:
– a geofísica Erika Podest, que é cientista da Nasa;
Fábio Barbosa, presidente-executivo da Abril S.A e
Tasso Azevedo, consultor para florestas e clima do Ministério do Meio Ambiente e conselheiro do Planeta.

Já em sua segunda temporada, a atração comandada pelo escritor, jornalista e político Fernando Gabeira e produzida pela Aiuê vai ao ar semanalmente para discutir com líderes, tomadores de decisão e grandes players do mercado os desafios da implantação da sustentabilidade empresarial no Brasil.

Foto: Rogério Albuquerque

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A Amazônia é uma floresta cultural, diz arqueólogo Planeta Sustentável - 26/03/2012 às 14:13


Thiago Medaglia

As vozes do passado podem ensinar lições preciosas para o futuro da floresta amazônica. É o que acredita o arqueólogo Eduardo Góes Neves, pesquisador da USP. “A Amazônia não é apenas uma floresta natural, mas também cultural”, diz.

Doutor pela Universidade de Indiana (EUA) e professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, Edu Neves, como é conhecido, foi o autor da premiada reportagem Brasil Ano 1000, publicada na revista National Geographic Brasil (edição de maio de 2010) . O pesquisador foi um dos palestrantes no encontro Novas ideias para a Amazônia, realizado entre os dias 15 e 19 de março pelo Planeta Sustentável, da Editora Abril, nos arredores de Manaus, e que contou com a presença de alguns dos principais pesquisadores e representantes do setor privado com atuação na região.

A primeira participação de Neves em uma pesquisa de campo na Amazônia foi em 1986, quando tinha 20 anos idade. “Foi nas proximidades de Altamira, no rio Xingu”, recorda. De lá para cá, Neves trabalhou em inúmeros outros lugares da região, como, por exemplo, na bacia do rio Negro, no Amazonas, em diferentes partes de Rondônia, na bacia do rio Solimões e também na região do Oiapoque, no Amapá. Leia a seguir a entrevista que ele concedeu à NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL no barco que sediou o evento.

NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL -Em que consiste o trabalho arqueológico na Bacia Amazônica?
EDUARDO NEVES
– Meu trabalho é entender a maneira pela qual os povos indígenas ocuparam a Amazônia no passado: como viviam, quantos eram, quais eram suas formas de organização social. E como as paisagens regionais foram moldadas e transformadas por essas ocupações.

Quais os principais resultados das pesquisas de campo?
Nossos estudos demonstram que a Amazônia é ocupada há muito tempo e que isso sempre se deu de forma diversificada. Em outras palavras, além da biodiversidade amazônica houve também muita sociodiversidade no passado da região.

Em termos de populações humanas, qual era o cenário na Amazônia antes da chegada dos europeus?
Não há ainda dados seguros, mas a maioria dos arqueólogos trabalha com a hipótese de que havia cerca de 5,5 milhões de pessoas na região antes do descobrimento. Essas populações tinham modos de vida bastante distintos que incluíam desde sociedades sedentárias que viviam em cidades até grupos nômades de caçadores-coletores.

Quais as interferências destas populações na biodiversidade da floresta?
Foram muitas e incluem desde a formação de solos antrópicos e produtivos como as terras pretas, a construção de canais e diques de irrigação, a plantação de matas de castanha do Pará por quase toda a bacia.

Pode falar um pouco mais da terra preta?
São solos muito férteis, de coloração escura, em meio ao qual se encontram fragmentos cerâmicos. Podem chegar a mais de dois metros de profundidade e, mesmo nos dias de hoje, são procurados por agricultores, que reconhecem ali uma melhor possibilidade de cultivo, já que o solo amazônico em geral é pobre. Além dessas características, acho que a terra preta rende uma metáfora bastante atual para a Amazônia; ela não é natural, nem cultural, mas sim uma mistura das duas coisas. A Amazônia para mim é isso: não se pode falar da floresta sem pensar em seus habitantes tradicionais: índios, ribeirinhos, caboclos, quilombolas. Do mesmo modo que não se pode falar dessas populações sem entender como vivem há tempos na floresta.

Você acha que essa é uma das contribuições da arqueologia para trazer novas ideias para o futuro da Amazônia?
A arqueologia mostra que, no passado, a Amazônia foi ocupada através de estratégias de diversificação, compatíveis com as condições naturais do bioma. Qualquer perspectiva para o futuro da região deve partir da mesma premissa: de que o caminho é o da diversidade e não o da especialização. É preciso olhar para a floresta como uma biblioteca, uma fonte de conhecimento e não como um recurso a ser destruído e consumido no curto prazo.

As obras de usinas hidrelétricas na bacia do rio Amazonas podem impactar os sítios arqueológicos? É possível mensurar estas perdas?
O Brasil tem uma legislação que prevê a realização de trabalhos de arqueologia preventiva em locais que poderão ser impactados por obras de qualquer natureza. Há um órgão federal, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico de Artístico Nacional), que disciplina estas atividades e também muitas empresas de arqueologia envolvidas nestes trabalhos – algumas delas de alto nível. Há, no entanto, uma carência muito grande de profissionais no país, apesar do aumento de cursos de graduação que tem ocorrido nos últimos anos. O problema é que esses profissionais recém-egressos dos cursos de graduação nem sempre têm a experiência necessária para coordenar grandes projetos, ao mesmo tempo em que as empresas de arqueologia, devido à concorrência acirrada, não têm condições de remunerar os arqueólogos mais experientes, que têm titulação acadêmica, como consultores ou participantes nas atividades. Para complicar mais, é impossível em dois ou três anos – que tem sido o prazo dos licenciamentos – produzir conhecimento consistente sobre áreas nunca antes estudadas. Não se trata de uma questão de competência, mas de uma situação limite, característica da época na qual vivemos.

Qual é a condição dos estudos arqueológicos na Amazônia brasileira: há pesquisadores suficientes em campo hoje?
A arqueologia na região cresceu muito. Há poucos anos o Museu Goeldi, em Belém, era o único centro de formação e de pesquisas. Hoje existem, em diferentes níveis, profissionais trabalhando com arqueologia em todos os estados da Amazônia.

Foto: Carolina Mitsuka

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Ideias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Planeta Sustentável - 26/03/2012 às 13:45

Mônica Nunes

Durante o seminário “flutuante” Novas Ideias para o Futuro da Amazônia, realizado pelo Planeta Sustentável, foram realizados debates sobre clima, biodiversidade, infraestrutura, planos de negócios e modelos de gestão. Neste post, estão disponíveis para consulta algumas das apresentações utilizadas pelos palestrantes deste encontro:

I N F R A E S T R U T U R A

PLANEJAMENTO SUSTENTÁVEL E MINIMIZAÇÃO DE IMPACTOS
Paulo Moutinho, diretor executivo do Ipam

ENERGIA PARA O FUTURO, OS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE
Wilson Ferreira, presidente da CPFL


DIRETRIZES AMAZÔNIA
Camargo Corrêa

N E G Ó C I O S  D A  F L O R E S T A

LEVORIN/NEOTEC PNEUS: A ESCOLHA POR MANAUS
Leonardo Levorin, diretor

PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA
Marcos Amend, da Conservação Estratégica

 D E S E N V O L V I M E N T O  S U S T E N T Á V E L

VAMOS CONTINUAR SUBDESENVOLVENDO A AMAZÔNIA?
Paulo Barreto, pesquisador do Imazon

CIDADES SUSTENTÁVEIS NA AMAZÔNIA
Jean Rodrigues Benevides, Gerente Nacional de Meio Ambiente

C L I M A

O QUE OS SATÉLITES DA NASA DIZEM SOBRE A AMAZÔNIA
Erika Podest, pesquisadora do Grupo Água e Carbono, da Nasa, que estuda as mudanças climáticas com base em imagens de satélites

A FLORESTA EM TRANSIÇÃO
Alessandro Araújo, pesquisador da Embrapa – Amazônia Oriental

B I O D I V E R S I D A D E

O VALOR BIODIVERSIDADE E A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DAS ÁREAS DE CONSERVAÇÃO
Carlos Eduardo Young, economista e professor da UFRJ

BIODIVERSIDADE PRODUTIVA: A RIQUEZA DA FLORESTA TEM PROVEITO?
Liana John, jornalista ambiental

SOCIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA
Eduardo Neves, arqueólogo

Foto: Rogério Albuquerque

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Novas ideias para a Amazônia

De 15 a 19 de março, realizamos uma expedição de conhecimento pelas águas do Rio Negro, na Amazônia, na companhia de um grupo muito especial formado por líderes empresariais, cientistas, planejadores urbanos e jornalistas. Neste seminário “flutuante”, o desenvolvimento sustentável da região pautou os debates sobre clima, biodiversidade, infraestrutura, planos de negócios e modelos de gestão. Neste blog, você embarca com a gente nesta viagem de imersão na floresta e acompanha tudo o que foi dito, visto e experimentado por lá.

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