BLOGS |Na Garupa

Escolha entre 8 mil hospedagens sustentáveis em todo o mundo Ana Paula Severiano - 01/06/2015 às 15:27

11216255_10153360669018656_6402221359658320105_n

O gigante TripAdvisor realizou, em 2014, uma pesquisa com o público brasileiro que mostrou dados interessantes sobre o crescente interesse em opções de serviços mais sustentáveis. Na ocasião, 75% dos entrevistados disseram que consideram práticas sustentáveis antes de decidir o destino das próximas férias, mas 71% deles não sabe como encontrar essa informação.

De olho nessa demanda, o site desenvolveu um programa de certificação para hospedagem em parceria com a ONG Rainforest Alliance e com o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o meio ambiente). O programa EcoLíderes é gratuito e voluntário e já tem a participação de mais de 66 países e 8 mil estabelecimentos, em todos os continentes, inclusive a América do Sul.

No Brasil, o programa chegou em dezembro de 2014. Para participar, é necessário fazer a inscrição online e responder a um questionário sobre as práticas de sustentabilidade adotadas. Entre os pré-requisitos para receber o selo estão: ter pelo menos 75% das lâmpadas com baixo consumo de energia, adotar programas de reúso de roupa de cama e toalhas, reciclar dois tipos de resíduos, oferecer treinamento aos funcionários sobre práticas sustentáveis e promover a educação para a sustentabilidade entre os hóspedes.

Além disso, é necessário atingir a pontuação mínima de 30% no questionário que tem questões relativas ao uso de iluminação natural, à escolha da mobília, à instalação de painéis solares para o aquecimento de água e à compra de alimentos orgânicos e de produção local, por exemplo. O selo conquistado aparece na página do estabelecimento no TripAdvisor. Lá também estarão em evidências as práticas sustentáveis descritas pelo hotel. E, mais uma vez, o poder do “crowd” contribui para a transparência e a veracidade das informações: o leitor pode dar feedback sobre as declarações do estabelecimento e denunciar dados falsos.

11265547_10153310335953656_7489146303209246456_n

Saiba mais: http://www.tripadvisor.com.br/GreenLeaders

Imagens: Rainforest Alliance/Divulgação

ver este postcomente

No rastro de Riobaldo e Diadorim Ana Paula Severiano - 25/05/2015 às 17:00

11205523_1601924893358620_3932382407619288127_n

O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos (…). O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte. (Fragmento de Grande Sertão: Veredas. João Guimarães Rosa).

 

“O sertão está em toda a parte”, escreveu o gênio mineiro Guimarães Rosa em uma das obras mais representativas da literatura brasileira, publicada em 1956. Em julho de 2015, um grupo de cerca de 50 pessoas vai (re)descobrir parte das paisagens que são ao mesmo tempo protagonistas e pano de fundo para o enredo que envolve o ex-jagunço Riobaldo e a jovem Diadorim. Serão 160 quilômetros de caminhada pelo norte e nordeste do estado de Minas Gerais, com partida de Sagarana e chegada no Parque Nacional Grande Sertão, já nas proximidades da divisa com Goiás.

11174581_1601933603357749_6641025789539872631_o

Em sua segunda edição (na primeira, havia 70 participantes), a longa caminhada tem como meta promover uma jornada socioambiental e literária pelo cerrado mineiro. Ali, encontram-se comunidades tradicionais, latifúndios do agronegócio, assentamentos e um cenário natural diverso, com veredas, lagoas, rios e a fauna e flora ricas e tão bem descritas por Guimarães.

11141274_1601924096692033_1619103724810693516_n

A relação com o turismo sustentável é evidente. O território tem passado por um processo de desertificação, que aos poucos empurra o sertanejo para outras regiões. É possível evitar isso? Se sim, que papel e poder tem o olhar do viajante sobre essa paisagem? A programação ainda inclui um mergulho na cultura local, com oficinas de narração de histórias, pedagogia griô, plantio e compostagem, além de pouso e alimentação nas comunidades.

As inscrições para a jornada podem ser feitas pelo site até 28 de maio, às 23h59. A viagem acontece entre 4 e 12 de julho. Para mais informações, consulte o edital também disponível online. É uma oportunidade para experimentar, como Riobaldo, o sertão dentro da gente.

img_2131

Saiba mais: https://ocaminhodosertao.wordpress.com/

Imagens: Divulgação

ver este postcomente

Ibitipoca, em MG, é exemplo de turismo sustentável em unidades de conservação Ana Paula Severiano - 18/05/2015 às 16:05

1518103129_c22c0c25c9_z

 

O estudo Unidades de Conservação no Brasil: A contribuição do uso público para o desenvolvimento socioeconômico, publicado este mês pelo Instituto Semeia, prova que é possível aliar sustentabilidade ao desenvolvimento econômico em unidades de conservação por meio do investimento em turismo. Projeções feitas pela organização não-governamental com sede em São Paulo indicam que o investimento em infraestrutura básica e na implantação de planos de manejo em nossas Unidades de Conservação poderiam gerar uma renda de R$ 168 bilhões em 10 anos, além de impactar em até 3,5% o PIB das regiões em que há unidades com potencial para visitação.

Hoje, são 1800 unidades de conservação no Brasil (podemos chamar assim estações ecológicas, reservas biológicas, parques nacionais, monumentos naturais, refúgios da vida silvestre, áreas de proteção ambiental, áreas de relevante interesse ecológico, florestas nacionais, reservas extrativistas, reservas de fauna, reservas de desenvolvimento sustentável, reservas particulares do patrimônio natural. Ufa!), mais de 700 que podem ter uso turístico. Porém, o Estado ainda encara as UCs, para usar um jargão da economia, mais como passivos que ativos. Venha daí, talvez, o baixo investimento. Um exemplo disso é que 84% das unidades criadas há mais de cinco anos ainda não têm plano de manejo (documento que determinada como um parque será usado e quais atividades serão permitidas, por exemplo).

 

1518079713_024312a4bf_z

 

Apesar dos números pouco animadores, o estudo aponta que temos bons exemplos a seguir. Um deles é o Parque Nacional do Ibitipoca, em Minas Gerais. Em 2002, o parque, que ainda não tinha sua visitação plenamente organizada, recebeu mais de 50 mil pessoas, com consequências para a conservação local. Diante disso, em 2003, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais adotou medidas restritivas para controlar o acesso. Atrelado a esse controle, houve investimento em infraestrura básica para a construção de passarelas de acesso, área para camping, alojamento, centro de visitantes e auditório. Às obras somou-se a parceria com instituições como o Promata (Projeto de Proteção da Mata Atlântica), com foco educaçao ambiental e na manutenção da biodiversidade.

Do ponto de vista do desenvolvimento econômico, os números são expresssivos. De 2011 a 2014, a oferta de meios de hospedagem cresceu 28,6% no município de Conceição de Ibitipoca. Em Lima Duarte, outro munícipio que está na área do parque, renda média da população passou de 64,5% em relação à média estadual para 83,3% em relação à média estadual entre 2000 e 2010. Houve também impacto sobre os números de pessoas que ocupavam vagas de trabalho formal. Uma pesquisa de 2011 mostrou que 54,6% das pessoas ocupadas em meios de hospedagem atuavam antes em serviços domésticos (36,4%) e em serviços gerais (18,2%), com remuneração inferir à recebida na atividade turística.

O relatório ainda arremata: “Ibitipoca é um exemplo de como o Estado pode ajudar a criar as condições necessárias para o aumento da visitação e do investimento privado em parques, com benefícios para o entorno e para a conservação. Esse último não vem apenas de resultados práticos, mas também por meio dos visitantes que passam a ser defensores naturais da existência do parque, ampliando o comprometimento social com a conservação”.

 

1518095701_a457a7706b_z

 

Saiba mais: Baixe o estudo completo

Imagens: Glauco Umbelino, sob uma licença CC-BY

ver este postcomente

Na Garupa

Viajar pode fazer mais. Por você. Pelos lugares que você visita. Este blog é sobre turismo sustentável. Histórias de quem pratica, de quem cria experiências assim, de quem ama viajar de um jeito mais intenso e positivo. E tem os causos dos bastidores da Garupa, primeiro portal de crowdfunding do Brasil criado para financiar iniciativas de turismo sustentável. A anfitriã aqui é CLAUDIA CARMELLO, que dirige projetos e a comunicação na Garupa, e a equipe da ONG também aparece para contar de suas andanças por este mundão. Se você também vive para viajar, se envolve com os lugares que visita e quer deixar um impacto positivo por onde passa, sobe na garupa!

Clique e faça o download

Revista do clima Material de etiqueta

Posts anteriores

Receba as noticías mais recentes

assine RSS Na Garupa

Arquivos de posts