Gaiatos e Gaianos
01/04/2008 ÀS 11:03
O prazer das compras solidárias


Consumir produtos de qualidade, 100% orgânicos e que garantam trabalho digno, satisfação familiar e comércio justo aos produtores rurais. Será que dá para conseguir isso morando nos grandes centros urbanos? Alguns projetos de compras solidárias apostam que sim.
 
Se consumir é concordar, isso quer dizer que quando compramos um pé de alface por R$ 0,59 no hipermercado, embalado em saco plástico, que vai para casa dentro de outro saco plástico, estamos concordando com a seguinte situação: exploração da mão-de-obra rural, que trabalha sob condições precárias e que, a fim de conseguir algum lucro mínimo, precisa pulverizar litros e mais litros de agrotóxicos para garantir a colheita que vai manter a família dele viva, ainda que subnutrida, pobre e sem perspectiva de futuro. Ah, sim, e tem ainda os malditos sacos plásticos, que vão durar no ambiente muito mais tempo do que a salada que você comeu em poucos minutos.

Quebrar esse círculo - que de virtuoso não tem nada - requer criatividade, vontade e consciência socioambiental. E são esses os valores que aparecem nas redes de compras solidárias. Para contar um pouco sobre essas iniciativas, aproveito o recente lançamento da paulistana Rede de Compras Solidárias Sementes de Paz, formada por entidades que trabalham conceitos e práticas de economia solidária, cooperativismo, alimentação saudável e sustentabilidade socioambiental.

A Rede mapeou os produtores orgânicos do cinturão verde de São Paulo e está reunindo pessoas para formar núcleos de consumo para a compra coletiva de cestas semanais de produtos (verduras, legumes, frutas, grãos, farinhas, flocos, temperos e condimentos). O ideal é que cada núcleo tenha, ao menos, dez participantes e que eles morem no mesmo bairro ou região da cidade, afinal, faz parte dessa logística privilegiar o menor consumo possível de petróleo gasto no transporte desses alimentos. A Sementes de Paz se encarrega da distribuição logística dos produtos para cada núcleo de compra coletiva. Os núcleos, por sua vez, ficam responsáveis pela organização das cestas verdes, que cada participante irá buscar semanalmente.

Esse tipo de ação de economia solidária, afirmam os organizadores, estabelece relações justas entre produtores e consumidores, garantindo aos primeiros uma demanda estável e planejada e, aos segundos, o acesso a produtos agroecológicos e orgânicos, de qualidade e com preços justos. Nesse processo ocorre uma troca que fortalece todas as cadeias econômicas sustentáveis e ainda gera mais saúde e qualidade de vida para todos os envolvidos.

Comprando coletivamente, a Rede oferece alternativas ecológicas aos sistemas de produção, distribuição e consumo de alimentos. Sem falar na ação educativa e de impacto ambiental e social. Nas palavras da coordenação, “a associação consciente para as compras tem o poder de transformar estruturas e garantir a qualidade dos produtos que consumimos, livrando-nos de muitas doenças e aumentando nossa consciência em relação aos alimentos e ao impacto que o consumo consciente, ecológico e solidário pode ter sobre a sociedade e o meio ambiente. Da mesma maneira, garante dignidade, satisfação e justiça aos produtores, que podem optar por manter uma produção orgânica, agroecológica, em sistema de trabalho justo, familiar e/ou cooperativo”.

Ficou interessado(a)? Então, vá até o site da Rede Sementes de Paz, pegue mais informações, conheça os tipos e preços de cestas, reúna os vizinhos e forme um núcleo de consumo no seu bairro. Você vai ver como receber as cestas orgânicas em casa é muito mais gostoso, saudável e divertido do que comprar alface “barata” no supermercado...

http://redesementesdepaz.blogspot.com/
http://www.moradadafloresta.org/index.php  




Gaiatos e
Gaianos


Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 31 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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