High tech ou low tech?
Quando o assunto é sustentabilidade, tecnologia é fundamental mas, vale frisar bem, sempre relativa. Ao pensarmos em respeitar as gerações futuras e nosso próprio desenvolvimento, o cerne da questão não está em buscar a tecnologia mais avançada, e sim em saber escolher a tecnologia mais apropriada para cada situação – e isso significa botar na balança o que é bom para você, para a sociedade e para o planeta.
Hoje em dia, conquistar esse discernimento é um grande desafio. É só pensarmos no quanto somos bombardeados, minuto após minuto, pela idéia de que é preciso estar sempre à frente do que há de mais moderno em termos de tecnologia.
Quer um exemplo? Responda sinceramente para você mesmo(a) sobre a última troca que fez do seu telefone celular: você realmente precisava de um aparelho com uma cara mais moderninha e um menu de funções mais diversificado (do qual você não usa nem 50%)? Ou já estava ficando constrangido em atender o celular dinossáurico (embora tivesse apenas dois anos) na rodinha de amigos? Ou, ainda, rendeu-se às tentações oferecidas pelas insistentes (e sempre inconvenientes) ligações do pessoal do telemarketing da empresa de telefonia?
Meu celular não tem câmera fotográfica nem MP3 player e, claro, nem imagina o que seja bluetooth. Mas faz e recebe ligações como qualquer outro aparelho. E isso, para mim, basta.
Como tudo nesse mundo, produzir apetrechos tecnológicos implica custos sociais e ambientais (é só lembrar do lixo eletrônico, da extração acelerada de matéria-prima, da mão-de-obra que trabalha sob condições precárias e da ansiedade mórbida que essa roda viva gera ao submeter nosso bem-estar à necessidade de acompanhar os últimos lançamentos
high tech do mercado).
Manter-se tecnologicamente atualizado significa descartar produtos em intervalos que tendem a ser cada vez menores. Em outras palavras, quando o obsoleto vira descartável geramos um círculo vicioso e insustentável, em que o consumo consciente parece virar sermão de ecochatos.
O celular, nessa história, serve de exemplo para o que acontece com o nosso computador, nossa tv, i-pod, DVD, som, microondas, fogão, geladeira, cafeteira, máquina fotográfica, carro, bicicleta, relógio e por aí vai. (Sem falar que, muitas vezes, o hábito de descartar coisas rapidamente invade nossas relações pessoais e sociais, como se também o marido, os filhos, os amigos, os subordinados do escritório e até as gordurinhas extras pudessem ser, da mesma forma, descartados a qualquer momento.)
Para se livrar dessa angústia, o remédio é simples, mas requer vigilância aos arraigados hábitos de consumo. Procure analisar a real necessidade de fazer um
up grade, seja lá qual for o seu alvo. Pergunte-se se você realmente precisa daquilo ou apenas deseja ter aquilo?
Na tentativa de inspirá-lo(a), separei o vídeo “Do I need it?”. Mesmo que seu inglês não seja lá grande coisa, vale a pena assistir. Espero que goste!