Gaiatos e Gaianos
22/01/2008 ÀS 09:41
Festa infantil não precisa ser descartável!


Pratos, talheres, copos, toalhas, guardanapos, enfeites, embalagens de doces, saquinhos de lembranças e até as bexigas. Não escapa nada. Tudo é descartável! Será que não existe um jeito mais sustentável de se comemorar o aniversário dos pequenos?!

Tanto se fala em educação ambiental para as crianças, mas aí vêm os pais e passam a idéia de que festa é desperdício mesmo - entregando o fato de serem de uma geração ainda indiferente aos sinais de insatisfação do planeta. Que coisa mais fora de moda...

Sem falar nos brinquedos de plástico que compõem as famosas sacolinhas distribuídas aos convidados mirins no final dos comes e bebes. Puro plástico transformado em brinquedo e trazido da China, depois de ser montado, muitas vezes, por mãozinhas tão mirins quanto as da criança que acabou de apagar a velinha do nono aniversário - e isso sem falar na emissão de carbono para atravessar mares e continentes com bibelôs infantis feitos para durar menos de um dia.

Será que esse tipo de celebração sem link com a realidade do planeta ainda terá espaço por aqui por muito tempo? Imagine o lixo gerado em cada festa infantil! Não importa se a comemoração acontece em buffet, no salão de festas do prédio ou em casa mesmo. Com todo esse arsenal descartável, só o que consigo imaginar é uma montanha de lixo que, na maioria das vezes, sequer é separada para a reciclagem.

Festa de criança pode ser divertida sem apologia ao consumo de descartáveis. Que o diga Hina Patel, uma mãe cansada de patrocinar o que ela chama de “síndrome de festa de plástico” para os seus filhos. Depois de anos freqüentando baladinhas infantis com os pimpolhos, ela viu no problema uma oportunidade de criar um novo negócio e resolveu abrir uma empresa de brindes e acessórios “ecofriendly” para festas de criança.

Assim, Hina foi atrás de fornecedores de brinquedos de madeira certificada, sacolinhas de algodão, pulseirinhas e colares artesanais, cartões de papel reciclado, chaveiros de feltro bordado, lápis de madeira de reflorestamento e muito mais. O nome da empresa diz a que veio: Happy Green Earth. Por aqui, não conheço quem organize festas com esse tipo de cuidado. Você sabe de alguma?

O legal dessa história, para mim, é perceber que dá para festejar de um jeito mais soft para todos. Com criatividade, retalhos de tecido fazem a decoração para o salão e as sacolinhas com balas, língua-de-sogra, apito e miniatura do Batman podem ser substituídas, por exemplo, por uma oficina de arte em que as crianças levam pra casa o que produzem durante a badalação. Em poucas palavras e para resumir o papo: isopor para sustentar o Mickey na parede atrás da mesa do bolo, nem pensar!!!!!



P.S.: Em tempo, depois de pensar em descartar os descartáveis, pode ser interessante também rever os alimentos que compõem o cardápio da meninada...




Gaiatos e
Gaianos


Por Giuliana
Capello

Giuliana Capello tem 30 anos, é jornalista e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. Escreve sobre construção sustentável para as revistas Arquitetura & Construção e CASA CLAUDIA. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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