
Um dia, uma amiga brasileira, Zaida, que mora numa comunidade no Novo México, EUA, apareceu para almoçar no centro comunitário (um grande refeitório) com uma blusa linda. Eu comentei sobre a peça e ela, com uma naturalidade sem fim, respondeu: “Ah, eu peguei lá na casinha de roupas porque meus agasalhos não deram conta do frio. Mas antes de ir embora, eu vou devolvê-la, então, se você quiser ficar com ela, é só ir lá buscar depois”. Meio sem jeito, quis saber mais sobre aquela história. E, agora, aproveito a onda de frio em São Paulo para contá-la a você.
É mais ou menos assim: lá em Findhorn (www.findhorn.org), onde moram cerca de 900 pessoas, existe uma casinha (foto) que funciona como um guarda-roupa coletivo. Quem tem roupas que não usa mais, deixa lá à disposição de quem possa precisar. De camisetas a gorros, luvas, meias de lã e muuuuitas blusas de inverno, o closet comunitário (para ficar mais chique) não deixa ninguém passar frio. Sim, porque a ecovila recebe muitos visitantes, gente do mundo inteiro que passa por lá para fazer cursos, conhecer um estilo de vida diferente, visitar amigos ou fazer novos amigos.
Todos sabem que a casinha - que tem porta mas nunca está trancada - só funciona porque as pessoas colaboram. Sempre entram novas peças e ninguém toma emprestado mais do que o necessário. Como fez a Zaida. E como eu fiz também, já que não fui até lá buscar a tal blusa porque achei que outra pessoa, dia desses, poderia precisar mais do que eu...
Para mim, essa história me faz pensar no quanto pode ser fácil resolver problemas quando o foco está na simplicidade e na solidariedade. E mais do que isso: essencialmente, sinto que o segredo está na relação de confiança, um pressuposto que permeia todas as atividades de uma ecovila. Findhorn tem inúmeros exemplos desse tipo e, por aqui, no Brasil, também não faltam boas iniciativas. Você tem alguma para contar?