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Um lugar em você chamado Ahimsa Giuliana Capello - 25/10/2011 às 15:36
Nos últimos dias, refletido bastante sobre a noção de paz, mais especificamente sobre as armas que temos dentro de nós: aquelas que nos tiram a delicadeza, a gentileza nas ações e trocas de sorrisos, a capacidade de sermos empáticos com o outro e de conseguir escutar ativamente uma posição que nos soa estranha, diferente da nossa.
Sinto, sinceramente, que quando o assunto é vida em comunidade – no meu caso, em ecovila – esse tipo de violência, digamos, mais “soft” pode se apresentar como um desafio maior do que outras categorias mais “expressionistas” de violência (crimes com armas de fogo, usinas nucleares, violação dos direitos humanos, tráfico de animais, incêndios florestais e tantas outras que prefiro nem citar).
É mais do que óbvio, na minha visão de mundo e de vida em ecovila, que armas – quaisquer que sejam elas – não devem ter lugar, não cabem na proposta, no sonho, no dia a dia. Mas sinto que é preciso também pensar nas trocas interpessoais, na maneira como lidamos com conflitos, na forma como – às vezes até sem perceber – impomos sobre o outro algum tipo de força (por hierarquia, posição social, poder pessoal etc.), a fim de fazer valer nossa opinião, vontade ou desejo de indivíduo.
Talvez o fato de trabalhar na área da Comunicação me faça dar muito valor à palavra e aos gestos. Pequenas atitudes, para mim, dizem muito mais do que uma assinatura numa petição pelo desarmamento ou pelo fim das usinas nucleares, por exemplo – não que não sejam atitudes relevantes, mas, de forma geral, não levam a mudanças efetivas de comportamento.
Estou falando de forma genérica, para compartilhar um sentimento que carrego há tempos: é preciso treinar arduamente, exercitar a não-violência, que é mais um estado (e ação) de espírito ou ahimsa, como se diz no yoga. É bom esclarecer: é diferente de não saber ou não querer se defender e, assim, permitir que a violência se instale em você ou no outro. No estado de ahimsa, a defesa vem como última saída, em casos extremos de agressão física, principalmente – já que agressões morais, verbais ou de outra natureza não chegam a constituir violência no coração daqueles que estão em paz consigo mesmos. Receber um xingamento no trânsito, por exemplo, não os abala nem leva a reações semelhantes…
Quando nos aprofundamos na busca pela não-violência, não apenas nos tornamos mais atentos à maneira como nos relacionamos com a família, os amigos, vizinhos e desconhecidos, como também começamos a sentir os efeitos dessa cultura de paz na forma como vemos e sentimos o mundo ao nosso redor. Sabe aquela frase famosa atribuída a Marcel Proust que diz que “a verdadeira viagem de descoberta consiste não em procurar novas paragens, mas em ter novos olhos”? É por aí…
Ahimsa combina com amor à Terra…
Combina com gratidão pelo beija-flor que nos visita à varanda, e pelo ipê-roxo que nos presenteia com flores na velha estrada de terra ou no curto espaço que resta a ele nas ruas asfaltadas. Sentir essa conexão ligada ao princípio do Ahimsa nos torna mais serenos, tolerantes, pacíficos – e também mais preparados para viver em comunidade, seja ela qual for.
Crédito da imagem: Dario Sanches / Creative Commons
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25/10/2011 às 18:21 Instituto Brookfield - diz:
Boa tarde Giuliana,
Muito interessante a sua reflexão. Se agíssemos mais de acordo com o preceito do ahimsa o mundo estaria muito melhor e a natureza agradeceria.
Parabéns pela postagens e boa sorte em contagiar mais pessoas com esse sentimento bacana!
Instituto Brookfield
http://blog.institutobrookfield.com.br/
27/10/2011 às 14:00 Mara - diz:
É interessante e acredito que não deva ser difícil colocar essa filosofia de vida em prática,…a grande questão é fazer com que as outras pessoas a respeitem!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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