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Por que o simples é tão complicado? Giuliana Capello - 22/02/2011 às 16:19
Ouvi um amigo dizer que as pessoas preferem o complicado, como se as soluções simples fossem menos merecedoras de nossa atenção e respeito. O pior é que, pensando bem, faz sentido mesmo. Quando o assunto é construção, por exemplo, poucos confiam na qualidade e durabilidade das casas de terra, como pau-a-pique, adobe e taipa de pilão. É um preconceito que resiste ao passar do tempo, ainda que as cidades históricas de Minas estejam lá, em pé, para quem quiser ver. Lá na ecovila, quem visita minha casa costuma perguntar se eu confio na construção de terra. Já virou resposta pronta: eu conheço construções assim com mais de 200 anos, ao contrário do cimento e do concreto, que existem no Brasil há menos de um século.As coisas simples, em geral, são avaliadas como menos eficientes ou soluções destinadas às populações mais pobres, que não têm acesso a tecnologias mais modernas. Pensar assim é negar que nossos antepassados aprenderam com o tempo, os erros e a experiência. Não é preciso descartar totalmente o antigo, porque nem sempre a novidade é melhor do que o chá medicinal que nossa avó preparava quando ficava doente, entende? Para sairmos do beco em que nos encontramos, com tantos desafios ambientais e perguntas sem respostas, é muito importante saber resgatar e valorizar o simples.
Mas há um obstáculo grande nesse caminho: soluções complexas tendem a estar mais arraigadas na cultura capitalista, em que tudo se compra e nada se constrói por conta própria. O simples, muitas vezes, não tem preço, não custa nada, pode ser feito em casa mesmo, com as próprias mãos. Em outras palavras, é como se a instituição mercado (que parece ter braços, pernas, cérebro e até coração) invalidasse as saídas que tangenciam essa lógica mercantilista: como assim o cara vai resolver o problema do esgoto na casa dele sem passar pela loja de materiais de construção? Como assim ele vai produzir alimentos no quintal de casa, sem acrescentar insumos agrícolas e sem gastar seu dinheiro no supermercado? Não pode, isso não vai funcionar.
Talvez sejam poucos os que têm consciência disso quando refutam o simples, mas nos embrenhamos por um matagal de complicações todos os dias. Os espetáculos da natureza, que se repetem (sem nunca serem iguais) dia após dia são, digamos, simples demais para prender nossa atenção. Quem hoje ainda se emociona com o pôr do sol? E quantos de nós apenas olham para o céu nas noites de réveillon, em que o céu (tão sem graça, coitadinho) é coberto por fogos de artifício coloridos, mágicos?
Na alimentação ocorre a mesma coisa. Comida boa é comida difícil de ser preparada, cheia de temperos exóticos e ingredientes que custam meio salário mínimo. E o sabor de uma fruta colhida no pé e provada em toda a sua pureza? Não existe mais? Às vezes, sinto-me triste quando percebo que as coisas boas que não têm preço passam despercebidas. Acredito que as pessoas seriam mais felizes se pudessem sentir gratidão pela brisa que refresca nosso corpo em dias quentes, ou pela chuva que irriga o solo e possibilita o crescimento das plantas, ou, ainda, pelo abraço espontâneo de um amigo que chegou de longe com um sorriso no rosto.
A todos aqueles que acreditam nisso, deixo aqui um convite para que assistam ao documentário Sustentabilidade, a arte de resgatar o simples, produzido pela jornalista Thaís Luquesi, que visitou a Ecovila Clareando e núcleos de produção orgânica associados à empresa Korin, para colher depoimentos e imagens que mostram gente muito satisfeita com a opção de buscar a simplicidade. Assista, agora, abaixo.
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22/02/2011 às 17:33 Anonymous - diz:
Frank – diz:Fico pensando em quanto o mundo seria melhor se todos cultivassem esse tipo de pensamentos em relação a vida.
22/02/2011 às 20:07 Anonymous - diz:
Thaís – diz:Adorei o post. É esse tipo de positividade que as pessoas deveriam ter na vida, no dia a dia. Parabéns.
22/02/2011 às 23:00 Anonymous - diz:
@biochristopher – diz:@biochristopher – diz:Gostaria que todos tivessem esse pensamento. Ao menos parassem pra pensar sobre isso.
23/02/2011 às 10:35 Anonymous - diz:
Paulyene – diz:Aos poucos, com ajuda mútua …aqueles que querem e desejam, conseguem resgatar isso em si próprio e assim, contagiam os mais próximos!!
23/02/2011 às 12:04 Anonymous - diz:
Luiza Helena – diz:Concordo com a Paulyene porque as nossas atitudes contagiam e estimulam a prática positiva. Achei uma excelente reportagem e desprendimento do complicado para o simples!
23/02/2011 às 12:07 Anonymous - diz:
Antonio Alberto dos Santos – diz:Ótimo documentário. Parabéns a todos os que desenvolvem este projeto.
23/02/2011 às 12:39 Anonymous - diz:
Marcus – diz:Eu só discordo nesse documentário em uma parte, na qual comentam sobre a granja. Acredito que uma vida sem carne aliada aos alimentos organicos, ainda pode ser muito melhor.
23/02/2011 às 16:32 Anonymous - diz:
denise vida – diz:Eu concordo com o Marcus…não seria capaz de me envolver em nenhum projeto com animais como fonte de alimento..Quanto a busca pela simplicidade isso é uma questão que implica até em desenvolvimento pessoal: você é simples ou não! Não acredito que exista um mais ou menos, parte de dentro, do próprio pensamentoda gente, das nossas atitudes, o nosso comportamento passa a ser simples em todas as direções!
23/02/2011 às 18:30 Anonymous - diz:
Thaís Luquesi – diz:Obrigada, Giuliana!!Belo texto e belas palavras. Obrigada pela divulgação e pelo retorno de todos.
23/02/2011 às 19:04 Anonymous - diz:
Elizabeth Sae Kobayashi – diz:Meu falecido pai, foi lavrador.Fui criada em sítio, no interior de São Paulo (Pedreira)O vídeo, é uma parte de minha vida!Fiquei muito emocionada!!! de chorar…
23/02/2011 às 21:13 Anonymous - diz:
João Luiz – diz:Legal pessoal. É bom saber que tem gente trabalhando e vivendo assim, que não estamos sós.As tecnologias de baixo impacto são eficientes,usam recursos locais e adaptados. As pessoas as vezes se deixam iludir pelo “brilho” de certos modernismos e abusam e acabam por se prejudicar e ao planeta.
27/02/2011 às 20:59 Anonymous - diz:
Ludmila do Prado Fraccari Avilez – diz:Giuliana,Faz tempo que acompanho planeta sustentável e o seu blog quase diariamente, mas sou meio avessa a este contato virtual, agora, aos poucos, tenho procurado perder esta cisma de que a pessoa do outro lado não vai ler ou não estará lá, de fato, para me responder. Bem, agora tomei coragem e vou dizer qual foi o “empurrão”. Sabe, minha família é do interior de SP, eu nasci aqui, mas tenho sofrido bastante na cidade ultimamente, quando vc falou sobre os banhos de chuva, sobre sua irmã, sobre as pessoas falarem que vir para cidade lhe traria um futuro melhor, me identifiquei muito, muito mesmo, como se fôssemos amigas. Aí contou que tocava piano, falou de quando fizeram a festa junina, eu organizo uma festa junina em família que já virou tradição onde vamos todos à cárater….uma coisa tão engraçada, alguém que nunca vi, é jornalista, como eu, não se sentia adaptada na cidade grande, como eu, que tocava piano, mas quando falou sobre o caderninho que sua avó anotava as medidas das roupas e de como as pessoas se relacionam contigo aí no interior, que em uns minutos parecem que te conhece há anos, aí foi demais e tive que me manifestar porque sei exatamente o que é isso.Sempre que posso vou pro interior de SP ou Minas só pra falar com este povo que te convida pra tomar e pergunta: vc não é da cidade, né?” vc é parente de fulano? e mesmo vc respondendo que não é logo está na casa da pessoa comendo um pedaço de queijo, de bolo ou tomando aquele café cheiroso.Contrariando a maioria das pessoas q moram aqui e q tem 30 anos, moro em casa, tenho árvores e um pouco de terra, mas hoje depois da c
27/02/2011 às 21:03 Anonymous - diz:
Ludmila do Prado Fraccari Avilez – diz:chuva não consegui ver o arco-íris e nem sentir muito o cheiro do mato. Depois que vi o documentário da Taís Luquesi, me senti muito emocionada e estou aqui desabafando, peço até desculpas, mas gostaria muito de “conversar” com quem penso que pode me entender, na verdade, tudo isso é apenas para receber um estímulo e saber que é possível migrar para a vida que busco, mais simples e que não vou terminar como minha avó que nunca se adaptou em SP, mas que não conseguiu retornar pra vida do sítio, eu não quero seguir os caminhos dela.Bom, chega, espero que possamos conversar bastante um dia… já conheço a Ecovila Cunha, visitei também o pessoal do Yamaguishi em Jaguariúna, estou procurando fazer matérias para entrar na área, meu marido faz Gestão Ambiental na USP, as coisas estão caminhando, não na velocidade que eu gostaria, mas estão, só que muitas vezes este sonho parece distante, ainda bem que sou uma escorpiana teimosa rsrÉ isso, fala para o Hiroshi que adorei as músicas e fiquem com Deus.Ludmila
28/02/2011 às 10:31 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá a todos, agradeço os comentários de vocês, com falas tão íntimas, palavras vindas do coração. Ludmila, me deu uma vontade de conhecê-la, menina! Podíamos marcar um dia para você visitar a ecovila, que tal? Acho que seu marido também iria gostar bastante. Sinto que temos muitas coisas para trocar. Para mim, seria um presente. Pense nisso! Toda caminhada fica mais gostosa quando temos amigos ao nosso lado. Um beijo grande, com alegria e gratidão. Giuliana
01/03/2011 às 10:28 Anonymous - diz:
Michelle – diz:Eu amei esse video, essa matéria.. sinto falta disso, de ter esse contato com pessoas simples.. o mundo, a TV, a mídia enchem nossa mente e de nossas filhos com o consumismo desenfreado como se a felicidade estivesse nisso… a verdadeira paz e alegria estão na simplicidade, pois DEUS é simples.. que você continue sendo abençoada por DEUS para nos transmistir matérias como essa.. descobri este site pois estava fazendo um curso sobre sustentabilideade na net e procurando no google alguns site (para saber mais a respeito, gosto muito e ler) DEUS me conduziu aqui. obrigada
01/03/2011 às 23:41 Anonymous - diz:
Ludmila – diz:Li sua resposta hj de manhã e não imagina como meu dia foi feliz por causa disso. Você me deu um presente especial.Claro que vou até aí, apenas temos que dar um jeito porque meu meio de transporte atual é uma Ceci reformada pelo Marcio, meu marido rsrsVocê fica com meu e-mail quando escrevo aqui?? Como fazemos para combinar sem ter que ser por posts no seu Blog??Caminhar com amigos ao lado, sempre…bjão Obs: fui a 1ª a postar comentário do texto de hoje, heinh?!!! rsrs
01/04/2011 às 22:35 Anonymous - diz:
Roberta – diz:Fantástico.Vou divulgar para meus alunos em Bananal. Obrigada.
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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