Gaiatos e Gaianos

Publique
o selo
no seu blog

Se não é divertido, não é sustentável Giuliana Capello - 23/08/2011 às 14:33

Essa frase é um dos lemas das redes de ecovilas e também uma maneira simples de avaliar – em segundos – se algo está ou não caminhando para a sustentabilidade. É mais ou menos como estar dentro do carro num congestionamento de fim de tarde e observar o ciclista passando por você numa boa, com cara de tranquilo… O que lhe parece mais sustentável? Ao contrário do que muita gente ainda pensa, adotar hábitos ecológicos e ter uma vida mais afinada com os limites e necessidades do planeta não deixa ninguém menos feliz ou satisfeito. Nem pensar! É exatamente o oposto que ocorre!

Entendo que muitos discursos ambientalistas ainda pecam pelo “não pode isso, não pode aquilo”: não use o carro, não desperdice água, não vá ao shopping, não coma carne, não use sacolas plásticas… O resultado é que, com isso, as pessoas acham que ter um estilo de vida mais ecológico significa sacrifício o tempo todo, restrições de toda sorte, enfim, quase um autoflagelo. E, na verdade, é tão diferente disso…

Desde que comecei meu caminho de reaproximação da natureza, sinto que a cada passo ganho inúmeros presentes: fico mais independente em relação às tentações – tão traiçoeiras – do mercado de consumo, entendo que comprar não “sustenta” ninguém, não sacia nunca, descubro novas habilidades ao tentar fazer com minhas próprias mãos, aprendo a valorizar as coisas simples, a ajuda solidária dos amigos e vizinhos.

Buscar a simplicidade e reduzir nossos impactos negativos no mundo implica atenção o tempo todo, visão crítica, discernimento. Mas não é algo que cause sofrimento. Cada vez que descubro um jeito mais sustentável de me alimentar – cultivando uma horta em casa, comprando de produtores orgânicos locais, trocando produtos com amigos, aprendendo a fazer pão e quitutes deliciosos etc. – reinvento-me mais autônoma, mais livre, mais alegre, portanto. É quase uma brincadeira sem hora para acabar, que acontece aos poucos, fase a fase…

Descobrir que não estamos sozinhos é muito relevante nessa hora. Existem milhões de pessoas dispostas a tornar a vida mais plena de sentido, mais significativa, menos empurrada com a barriga e mais movida por atitudes que passam antes pelo coração, que têm a densidade da poesia e a leveza de uma música inspirada.

Falei sobre essas coisas no TEDx Mata Atlântica, evento realizado no Ibirapuera no fim de maio, como parte do Viva a Mata 2011. Na época, recebi o convite da SOS Mata Atlântica para me apresentar e fiquei muito contente ao perceber que meus posts aqui no Planeta Sustentável é que tinham despertado esse interesse pelas minhas histórias. Então, para quem quiser assistir, deixo o link direto. Para mais detalhes sobre o evento, visite Conexão SOS Mata Atlântica ou TEDx Mata Atlântica.

ver este postcomente
Comentários

24/08/2011 às 10:57 Anonymous - diz:

Daniel – diz:ADOREI…faço de suas palavras as minhas.

24/08/2011 às 17:50 Anonymous - diz:

Cecília – diz:LEGAL!!! Só acho q alguns patrocinadores, como Camargo Correa, agem incoerentemente cm a causa supracitada.

24/08/2011 às 19:28 Anonymous - diz:

Daniel – diz:“O que é bom, Fedro,?E o que não é bom ?Será preciso pedir a alguém que nos ensine isso?”Robert Pirsig em O zen e a arte da manutenção de motocicletas (uma obra prima, leia mais http://xa.yimg.com/kq/groups/19942928/1350377564/name/robert pirsig – zen e a arte da manutenção de motocicletas.pdf)

25/08/2011 às 23:45 Anonymous - diz:

monica andrade – diz:Em todos os cantos do mundo existem casos de destruição da natureza e consequencias irreversíveisom. Com isso é preciso pensar na ação e agir com projetos que viabilizem melhores perspectivas em relação à sustentabilidade.

26/08/2011 às 00:01 Anonymous - diz:

Lívia Corazza Nogueira – diz:Parabéns, Giuliana! Vc é muito inspiradora.. Falou tão claramente no vídeo.. ficou perfeito! Obrigada por compartilhar sua experiência! Grande abraço!

26/08/2011 às 01:17 Anonymous - diz:

Gabriel Tapiti – diz:Palavras como resgate, descoberta, poética, prática, inspirar, saberes, juntos, transformar, esperança, mudança, jardim comestível, arborizado…além de fazerem muito sentido quando usadas juntas, deveríam fazer mais parte dos nossos dias, dos nossos pensamentos e das nossas atitudes. Achei demais a visão e da relação sustentável/diversão.. É uma maneira bem inteligente e verdadeira de que fazer o bem faz bem e vale a pena. Leio sempre seus contos e eles sempre me inspiram..imagino que não só a mim. Parabéns e boas caminhadas sob as árvores e pelos jardins.. essa eu curti também : “Ecovila -assentamento humano, um laboratório de boas práticas sustentáveis. Abraço de paz

29/08/2011 às 18:03 Anonymous - diz:

Michel Cantagalo – diz:No fundo tudo é troca… Quanto mais quer, mais tem que abrir mão… Quanto mais abre mão, mais recebe…

30/08/2011 às 23:50 Anonymous - diz:

Mary Angela Nardelli – diz:Bom, eu sou super suspeita, já me apropreiei da sua expressão. Fui tietar você na saída do caminhão e ainda fico aqui meio que de longe só esperando a oportunidade certa para colocar o pé na estrada e morar em Ecovila.Obrigada pela inspiração!!

01/09/2011 às 17:26 Anonymous - diz:

Giuliana – diz:Somos sementes, pessoal! Vamos semear boas ideias e práticas! Mary, obrigada pela troca e boa sorte no seu caminho! Abraço a todos vocês, que muito me inspiram a seguir em frente.

07/09/2011 às 20:22 Anonymous - diz:

Christian Monteiro – diz:O consumo desenfreado é um pensamento distorcido, onde acreditamos que comprando estaremos cada vez mais felizes. Isto não é verdade, nossa carência psicológica não será solucionada com a possibilidade de possuirmos sempre o que quisermos. Alguns, como a Giuliana, demostram suas inquietudes e conseguem nos mostrar um lugar diferente deste comum. Uma ótica mais sensata e realista aparece. Percebemos que dá pra ir reduzindo a velocidade nas cidades, seguindo um caminho mais simples, suave e um pouco mais humano.

12/09/2011 às 12:39 Anonymous - diz:

Jorge Ávila Kuhn – diz:Giuliana:Adorei seu blog e acabo de assistir o vídeo com sua palestra sobre as ecovilas e uma vida sustentável.Adoraria viver em uma ecovila. Minha contribuição seria inicialmente fazer pão. Morei em Embu das Artes e lá fazia pães e bolos para vender na feirinha de domingo.Bom, mas deixa eu parar de ter devaneios e voltar à realidade! Sou tradutor e posso trabalhar em qualquer lugar em que haja conexão à Internet.Espero poder contribuir com esse belo blog.PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE A TODOS!

12/09/2011 às 12:40 Anonymous - diz:

Jorge Ávila Kuhn – diz:Giuliana:Adorei seu blog e acabo de assistir o vídeo com sua palestra sobre as ecovilas e uma vida sustentável.Adoraria viver em uma ecovila. Minha contribuição seria inicialmente fazer pão. Morei em Embu das Artes e lá fazia pães e bolos para vender na feirinha de domingo.Bom, mas deixa eu parar de ter devaneios e voltar à realidade! Sou tradutor e posso trabalhar em qualquer lugar em que haja conexão à Internet.Espero poder contribuir com esse belo blog.PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE A TODOS!

12/09/2011 às 12:45 Anonymous - diz:

Jorge Ávila Kuhn – diz:Giuliana:Adorei seu blog e acabo de assistir o vídeo com sua palestra sobre as ecovilas e uma vida sustentável.Adoraria viver em uma ecovila. Minha contribuição seria inicialmente fazer pão. Morei em Embu das Artes e lá fazia pães e bolos para vender na feirinha de domingo.Bom, mas deixa eu parar de ter devaneios e voltar à realidade! Sou tradutor e posso trabalhar em qualquer lugar em que haja conexão à Internet.Espero poder contribuir com esse belo blog.PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE A TODOS!

12/09/2011 às 13:54 Anonymous - diz:

Jorge Ávila Kuhn – diz:Nossa, não pq minha mensagem foi postada várias vezes. Só enviei uma vez, eu juro.

12/09/2011 às 14:02 Anonymous - diz:

Jorge Ávila Kuhn – diz:Quero dizer que achei maravilhoso o Glossário. Para mim é uma ajuda inestimável, pois sou tradutor e traduzo muitos textos da área.Abraços

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

Posts anteriores

• Ser limpinho num planeta sujinho?

• Eu, você e o fim do mundo

• Esterco, palha e felicidade

• No compasso da natureza

• A simplicidade e a crise de imaginário

• Criança precisa de natureza

• Dias de mudança e gentilezas!

• Mudança para a ecovila!

• Meio ambiente: por que custo e não investimento?

• A lição básica do lixo

• Discurso sustentável tem limite

• A cidade, o campo e a estrela Sinhá

• A mágica das trocas de saberes

• Carnaval em comunidade

• Ideias para esverdear a construção

• Teste drive do banheiro seco

• O planeta numa bandeja (de isopor)?

• Reflexões sobre o slow life e a internet

• A face feia dos cosméticos

• Vasos para melhorar o trânsito

• Primeira virada em casa!

• 2012: ano para entender o planeta

• Pratique a observação!

• Greenbuilding para pássaros

• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais

• O caipira e a mobilidade urbana

• O que dar a alguém que já tem “tudo”?

• Pela volta do fogo doméstico

• O empurrãozinho que faltava…

• Um lugar em você chamado Ahimsa

• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração

• Dez anos de um sonho

• Você quer ser bom ou justo?

• É primavera em mim

• E viva o decrescimento

• Um guarda-chuva para dois verões

• E quando não há rede de esgoto?

• Quem casa quer casa (ecológica!)

• Se não é divertido, não é sustentável

• Lunática com muito orgulho

• Secador solar e generosidade

• Doze metros de muita história

• Velhice x terceira idade

• Infância desplastificada

• Um dia sem telas

• Um luxo chamado Tempo

• Horta de fundo de quintal

• Liberdade anda junto com sustentabilidade

• Produtos que não deveriam existir

• Lixo é uma questão topológica

• Celebração de blogueira

• Você e o fim da sacolinha em SP

• A lição do Ubuntu ancestral

• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?

• Cada um com seu entulho

• O descaso com o lixo orgânico

• Espiritualidade e vida comunitária

• Produzir ou consumir cultura?

• Fukushima e você

• Trocas solidárias que enriquecem

• Lavar roupas sem sabão!

• Acordos comunitários para a ecovila

• O valor de uma árvore

• A chegada de uma nova vida

• Por que o simples é tão complicado?

• Impressões do interior

• Só tecnologia não salva o planeta

• Bioconstrução na serra fluminense

• Um bairro em transição

• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!

• Permacultura para transformar

• Água de chuva, muita chuva…

• Partida e chegada

• A nova história dos três porquinhos

• 365 dias mais ecológicos

• Maternidade e natureza

• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!

• Pesadelo de consumo

• Dias de mudança (e desapego)

• Sustentável e mais barato, sim!

• Quem faz a sua comida?

• Ecovila: mutirão na represa!

• Cohousing: morar com amigos

• Esgoto bacana e ecológico

• Superadobe ou terra ensacada

• Primavera com onça e lobo-guará!

• Bioconstrução para multiplicar

• Feriado unplugged

• O que é viver bem?

• Jardim de histórias

• Por que adoro hortas permaculturais

• O joio e o trigo

• Máquinas descartáveis?!?

• Parques x hidrelétricas

• Atire bolas de semente!

• Sobre as boas tradições

• Precisamos de uma escola!

• Sobre a formação de uma ecovila

• Festa junina na ecovila

• Quando o tamanho é documento

• Terra fértil e sangue menstrual

• O tempo de uma casa

• O centro comunitário da ecovila

• Tempo para a arte

• Medicina ecológica?

• O céu de todos e de cada um

• Aqui e agora

• Sabedoria das ervas

• Qual é a sua sustentabilidade?

• Privacidade numa comunidade

• Ecodesign para cuidar do planeta

• Home centers e produtos ecológicos

• O valor do silêncio

• Ecovila com horta… e sem delivery

• A conta de gasolina na ecovila

• Patos, galinhas e outros bichos

• Despedida na ecovila

• Conectada, finalmente!

• Menos tv, mais horta

• O recado das crianças

• Os pedreiros somos nós!

• Esperança e cooperação na ecovila

• O tempo é o novo regente

• Sobre a proximidade do fim

• A COP15 e a síndrome do panetone

• Histórias de uma parteira na Amazônia

• Multiplicar é muito bom

• Governança na ecovila

• Morar em vila…em São Paulo

• Gestão do lixo na ecovila

• Ecovila e sustentabilidade econômica

• Um carro, um jipe ou um cavalo?!

• Parede de toquinhos

• Casa com água da chuva

• Para iluminar a casa e curtir a noite

• Festa da primavera

• Uma casa para abrigar nossos sonhos

• Uma moldura para o horizonte

• A composteira da minha avó

• Quando o ecológico não é bem ecológico

• Tijolos de adobe

• Não sei se é verdade, mas repasso?!?

• Por que adoro feiras de trocas

• Ecovila sem internet?

• Entre amigos

• Minha casa num programa de tv…

• Ah, esse excesso de e-mails…

• Trabalho de formiguinha

• Socorro, não aguento mais SP!

• Para tecer uma vida na ecovila

• Entre na onda das roupas usadas

• Mão na massa, sem discursos

• Mata atlântica: mais que uma efeméride

• Como construir uma ecovila?

• O que fazer com a madeira que sobrou?

• Histórias de reúso, economia e bons amigos

• Frio na barriga…

• Mutirão de solo-cimento

• Encontro de ecovilas!

• Sua casa pode ser uma ecovila

• Meu telhado verde, verdinho, verdinho

• Celebrar ajuda a enfrentar problemas

• Yoga e sustentabilidade

• O segredo da abóbora mágica…

• Dona-de-casa, eu?!?

• Quanto vale o nosso trabalho?

• Forno de pizza de barro

• Meus vizinhos, minha família

• Mosaico de vidros usados

• A insustentável mão-de-obra

• Sorvete de inhame!

• De que é feita a minha casa?

• Parede de garrafa?!

• Composteira de novo!

• O Natal pode ser ecológico?

• A alegria de viver em comunidade

• Infância ecológica

• Devagar é mais gostoso

• Mitos e vícios modernos

• Crise financeira ou chance para o planeta?

• O que eu vou fazer numa ecovila?

• Fãs de pau-a-pique

• Construir com as próprias mãos

• Parto natural e ecológico

• Confissão: eu não passo roupas

• As ecovilas e as mudanças climáticas

• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável

• Paredes vivas de Cob

• Dividir para ter mais

• Tomada de decisão por consenso

• Simplicidade voluntária

• Bicho de ecovila

• Brechó arquitetônico

• Histórias de João-de-barro

• Tapioca: regional, gostosa e sustentável

• Para ter uma composteira caseira

• Mutirão de telhado verde

• Malhação para o planeta

• Minha casa na ecovila

• Catadores de esperança

• Água no copinho plástico? Tô fora!

• Música para sentir a natureza

• Bioconstrução e desastres naturais

• Democracia, consenso ou autocracia??

• Entulho não é lixo!

• Viva o pequeno agricultor!

• Educação para o campo

• Meu bairro, minha cidade

• Por trás do velho clichê

• Para construir uma comunidade

• O prazer das compras solidárias

• O tempo do sol e da lua

• Poluição e Arte dentro do túnel

• Riqueza para além do dinheiro

• Catadora, com muito orgulho

• Nós e a natureza, conectados

• High tech ou low tech?

• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party

• Horta vertical para pequenos espaços

• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval

• Aprendendo a costurar com a avó

• Festa infantil não precisa ser descartável!

• Telhado ou jardim?

• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária

• Permacultura: do linear ao cíclico

• Um mergulho na Permacultura

• Cinco dias com o arquiteto descalço

• Banheiro seco? Como assim?!

• Sustentável é também saber ouvir

• Permacultura: transformando problemaem solução

• Uma delícia de mutirão

• O dia em que adotei a Sofia

• Falta de civilidade é fogo (na mata)!

• Design natural é tudo de bom!

• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?

• Abaixo as fraldas descartáveis!

• Sim, absorvente ecológico!

• Histórias de uma outra gastronomia

• Uma outra gastronomia – parte 2

• Sem carro e sem delivery

• Por uma dieta que respeite o planeta

• Minhocas via Sedex

• Mais adubo e menos lixo

• Lugar de madeira é…

• Construtoras precisam se adaptar

• Seu Zé e as arvrinhas

• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!

• Disk-pizza e permacultura na geladeira

• Domingão na feira de trocas

• Feira de trocas – parte 2

• Feira de trocas – parte 3

• Guarda-roupa coletivo espanta o frio

• Até quando seremos gaiatos?

PATROCÍNIO: