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RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração Giuliana Capello - 19/10/2011 às 00:18
Fios conectores invisíveis, sincronicidade, um bocado de sorte. É disso tudo e mais um pouco que são feitos os encontros que nos inspiram a seguir em frente com mais confiança e vontade. A ideia das redes solidárias, que trocam informações e abrem espaços para intercâmbios e coisas afins muito me encanta. Estamos numa fase da história em que somente a cooperação – nunca, jamais a competição – poderá frear o ritmo da caminhada que aponta cenários cada vez mais catastróficos em diversos níveis e sentidos.
Nesses mais de dez anos dedicados a estudos na área socioambiental, inúmeras vezes – infelizmente – me deparei com pessoas que muito pouco tinham dentro de si aquilo que elas alardeavam aos quatro cantos: sentido real de cooperação, vontade efetiva de transformar, crença no potencial do ser humano agir como “curador” do planeta.
Não foram poucas as vezes em que me vi em reuniões de ongueiros que brigavam por poder, status ou exclusividade em projetos com verbas milionárias. Nem raras foram as ocasiões em que senti a incoerência brotar de maneira felina entre grupos que se propõem a serem disseminadores da cultura de paz e de novos valores relacionados à sustentabilidade.
Claro, estou falando de seres humanos, imperfeitos por natureza. Mesmo sabendo dos deslizes e esperando cada vez menos do outro – desiludida que tenho tentado ser, no melhor sentido da palavra – ainda me surpreendo quando encontro pessoas generosas de verdade. Um sorriso interno resume, então, meu estado de espírito.
Foi assim que vivi os últimos dias, entre terça e domingo passado, quando visitei os amigos Eraldo e Mariana (foto), na RPPN El Nagual, em Magé, RJ, que fica bem pertinho do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Eles vivem lá há mais de 20 anos, cuidando da terra, cultivando alimentos orgânicos, administrando uma pousada para turistas e pesquisadores, entre outras inúmeras atividades. Eraldo, alemão, é cozinheiro talentosíssimo. Mariana, argentina, é artista plástica das boas, expert em dar vida nova a materiais que pareciam destinados ao lixo.
Nossos dias entre amigos – fui para lá com mais nove pessoas da ecovila – foram de intensa inspiração. Eraldo e Mariana, se tivessem nascido palavra, seriam generosidade. Tudo aquilo que eles têm de melhor é abertamente compartilhado com todos. Das oficinas de mosaico com cacos de cerâmica e vidro à receita de torta de framboesas silvestres colhidas no quintal, tudo é ofertado de maneira afetuosa, despida de expectativas.
Ambientes assim são transformadores. Passamos os dias em clima de cooperação, ajudando na cozinha, na colheita da horta que antecedia as refeições, no trabalho comunitário para retirar matéria orgânica em excesso da beira do rio. Praticamos yoga juntos, tomamos banho de cachoeira, tocamos e ouvimos violão e viola, cantamos, brincamos. Ouvimos histórias do casal de estrangeiros que se conheceram no sul da França e resolveram se mudar para o Brasil, em busca de uma vida mais ecológica e alternativa.
Cooperação é algo natural para eles, que integram um movimento que trabalha para fortalecer as unidades de conservação da região, numa espécie de mosaico de parques nacionais e estaduais, APAs, RPPNs. Se todos têm o mesmo objetivo, afinal, por que não unir forças? Simples, mas sempre muito complicado…
Eraldo e Mariana adoram reunir pessoas. Tanto que convidaram alguns amigos para uma noite de bate-papo sobre ecovilas, unidades de conservação, educação ambiental etc. Assim, conhecemos outras tantas pessoas interessantes, que têm dedicado a vida a inspirar, transformar, impulsionar mudanças de hábitos e valores. Uma vivência riquíssima para nós da ecovila Clareando, sem dúvida.
Voltei de lá abastecida de afeto e estímulo, e especialmente grata pela chance de sentir que abrir o coração e doar – simplesmente doar – pode ser a chave para boa parte dos problemas atuais da humanidade. Aprendi que é preciso doar o que temos de melhor e deixar que o tempo cuide do resto.
Crédito das fotos: Edilson Cazeloto e Domingos Peixotover este postcomente
19/10/2011 às 02:17 Suzana Sattamini - diz:
Pessoas,
É exatamente como nos sentimos quando vamos para lá, El Nagual é o símbolo do concreto vivido em sustentabilidade! Amor, colaboração, atenção, cuidado, carinho, dedicação, meio ambiente, céu, rio, floresta, comida orgânica e cultivada com amor, arte, papos maravilhosos, iniciativas, enfim! Quer conhecer um bom exemplo de sustentabilidade! Vá até lá! Imperdível! Gratidão, Mariana e Eraldo!!!!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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