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Quem casa quer casa (ecológica!) Giuliana Capello - 30/08/2011 às 17:23
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Desde que me mudei para Piracaia, minha família cresceu. Ganhei novos irmãos e irmãs, gente muito querida, amigos para a vida inteira, que têm a chave de casa, que cuidam da minha cachorra na minha ausência, que inventam de fazer pizza no meio da semana (na minha cozinha) ou passam para buscar alface na horta do quintal sem nenhuma cerimônia.
Dessa convivência rica e gostosa nasceu uma amizade singular, com sabor de amor fraterno. Débora e Angelo são amigos dessa natureza, sem preço, sem explicação. E, para aprofundar ainda mais nossos laços, eles moram hoje a 100 metros da minha casa e estão construindo sua futura morada na Ecovila Clareando – mais que meu endereço, o lugar é cenário de muitos sonhos gestados em rodas de conversas, sob as estrelas, a névoa fria e intensa da montanha ou o calor escaldante dos nossos verões.
Quando comecei nessa caminhada, encontrar amigos para seguir comigo nessa jornada era um desejo e tanto. Queria poder dividir e desabafar, multiplicar minhas experiências, tornar a viagem mais leve, interessante, sensível. Por sorte, destino, desprendimento, acaso e todas as conexões ocultas de que Fritjof Capra nos fala há décadas, eles surgiram, bem ao meu lado. E agora que, recém-casados, começaram a construir a nova casa na ecovila, parte de mim se desdobra para sentir com eles este momento especial. Por isso, gostaria de compartilhar com você um pouquinho das escolhas deles, tão cheias de verdades.
O projeto do casal partiu da ideia de que é possível viver bem numa casa compacta que tenha um generoso quintal com horta, espaço para armazenar água da chuva, criar uma oficina para projetos malucos ou simplesmente tomar sol nas manhãs de outono. Sem supérfluos, sem espaços ociosos, mas abundante em vida, em qualidade ambiental, em bem-estar e hospitalidade. Um segundo quarto foi planejado para receber hóspedes ou um bebê, quem sabe…
Basicamente, a construção (foto) utiliza dois tipos de materiais: terra e sacos de ráfia. É a chamada técnica do superadobe ou terra ensacada, que vai muito bem (e rápido) quando se tem uma equipe de mão de obra com força e disposição para encher e pilar os pesados sacos. Depois que as paredes sobem, basta queimar os sacos com um maçarico e fazer um reboco natural com terra.
Em termos socioambientais, é uma obra de baixo impacto. Parte da terra usada veio do próprio terreno, outra parte vem sendo comprada de um fornecedor local e também de uma usina da cidade que recicla entulho. Além disso, as portas, janelas e vidros vieram de lojas de materiais usados, sem falar nas madeiras que irão compor a estrutura do telhado, adquiridas diretamente do proprietário de uma casa centenária, demolida algumas semanas atrás, aqui mesmo.
Sempre que visito a obra deles, tenho a certeza de que estão fazendo o melhor que podem: a construção é limpa, não gera entulho, tem baixíssima emissão de CO2, quase não usa cimento (apenas nas primeiras fieiras, parte da fundação), não modificou muito a topografia original do terreno e imagine só! – além do barracão de ferramentas e materiais, tem uma horta orgânica já em produção, que deixa os almoços da equipe mais saudáveis, e um banheiro seco para os trabalhadores (para evitar a contaminação do solo e da água, e transformar os resíduos em adubo para árvores; na foto, repare na casinha verde, no cantinho à direita). Por tudo isso, é um verdadeiro exemplo de canteiro de obra!
Quando vejo isso, não tenho como evitar as perguntas: por que a maioria dos arquitetos e engenheiros não consegue fazer o mesmo? Por que, em geral, os canteiros de obras são tão sujos, desorganizados, insalubres para os operários? Nem dá para dizer que o problema são os custos extras…
Muita gente pode até olhar torto para essa técnica que, por ser mais orgânica do que o tradicional tijolo queimado coberto por camadas e camadas de cimento, para alguns tem cara de casa de hippie, gente excêntrica, sei lá. Mas o ponto é outro, tem a ver com consciência, com ética, autonomia, sustentabilidade. É sobre essas bases que eles estão começando uma vida nova, uma geração nova, um horizonte. Enfim, sou muito grata por estar perto, acompanhando cada passo, e torcendo muito para que esses cuidados com o planeta e as pessoas possam gerar, no futuro (que começa agora) também um ambiente familiar cada vez mais harmonioso, pleno e inspirador.
P.S.: já escrevi sobre superadobe aqui… se quiser dar uma olhadinha…
ver este postcomente
30/08/2011 às 22:48 Anonymous - diz:
Angelo Negri – diz:Poxa, que gostosa homenagem…Eu e a Dé somos muito sortudos por tê-los como amigos, valeu por tudo!Trabalharemos em uma atmosfera ainda mais harmoniosa depois dessas considerações! Vou contar pra turma que estamos famosos! Beijos
30/08/2011 às 23:07 Anonymous - diz:
Lori Schmeling – diz:Buuuááááá estou com saudades.
31/08/2011 às 09:00 Anonymous - diz:
Rosana Ades – diz:Delícia de matéria, e fico muito feliz que estejam conseguindo tornar seus sonhos uma realidade.Parabéns para todos vocês
31/08/2011 às 11:30 Anonymous - diz:
André Belletti Romero – diz:Achei muito interessante mesmo esta idéia, só fiquei com uma dúvida: Esta casa é resistente o suficiente para morar com tranquilidade? Acho que seria interessante pensar em possíveis problemas que esta casa pode trazer a quem mora.
31/08/2011 às 11:32 Anonymous - diz:
Monica – diz:Também quero uma dessas!!! sem supérfluos (só o namorado), com horta e tudo maisssssss
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31/08/2011 às 12:03 Anonymous - diz:
Léia – diz:O mais bacana é que a gente olha a foto da casa ainda em construção e acha linda, cheia de sentido e verdade, assim como o seu texto, Giuliana. De: Léia, com alegria no coração.
31/08/2011 às 13:21 Anonymous - diz:
Roseperiodista – diz:Fantástico! Es todo q siempre soñe en mi vida,calidad vida, casa ecológica, sostenibilidad ayudar con ética y responsabilidad social periodismo ciudadano tbm con ejemplos.Quiero compartir y construir una casita tbm!Tengo matéria con periódicos “jornais” es térmico.No calienta verano y además aquece invierno.Felicitaciones deseo compartir urgente!¡Felicitaciones!EStoy en Rio RJ¿ donde estan ustedes? ¿Piracaia donde está, interior de q Estado?
31/08/2011 às 14:49 Anonymous - diz:
roseperiodista – diz:En Venezuela Sucre un alemán inició construcción casas com hojas de palmas,mescla térmica sostenible,ecológico,económico. perfecto para el planeta.Mi apasioné por el proyecto pero NO queria estar por toda Mi vida en Venezuela por el tema de sismos,temblores, terremotos etcetera.Retorné hace un año.Mi família habla que soy loca porque camino mucho por toda ciudad. Es ecológico, saludable alegre, divertido, por todos lados en Rio RJ.Ir agenda cultural social: de Humaitá zona sul hacia Leblon,Ipanema, Copa,Centro.Por donde voy llevo mis sandálias salto colgadas en la cartera, y sigo caminando de tennis, sapatilla,sapato cómodo havaianas,enfin; me Nego sacar carro embotellamiento Rio tránsito hipernervioso diario.Lateral de mi nevera tengo centenas de botellas vino. NO tomo álcool pero mi familiar si,Mi otro trabajo voluntário presto servicio Al-Anon. No boto basura mesclada. En Venezuela enseñe algunos interesados poner orgánico jardin y sembrar: pimentones, tomates,hierbas buenas,cebolin,comer ensaladas saludables.Inclusive enseñe los pasos mi secretária do lar (empregada domestica)yo sembraba en mis ventanas tenia jardines suspensos y en materos (vasos grandes) Q felicidad encontrar personas q comparten conmigo los ideales por un planeta sostenible ecologia es vital planeta!No tiro (Jogo fora)basura NADA cajas papelones dental,medicaciones y lo rollos de papel higiénico,tolla papel todo si transforma lindas cajitas de regalo.Enseñe algunos carentes intenté implantar proyecto iglesias resisténcia tremenda.Mucha resistencia,gradiosa.Jamás desisto de mis objetivos. Hay en Caxias zona Norte Rio un ciu
31/08/2011 às 14:53 Anonymous - diz:
roseperiodista – diz:Hay en Caxias un ciudadano transforma periódicos en bloques(tijolos)Todo ecológico es mi pasión.Supervivo por insistir con mis proyectos sociales, reclicar es vital.Tengo todas las cajitas de medicación guardadas cobrir papel de regalo enseñar centros comunitários lixo es un lujo.Entregue proyecto una vereadora “cristiana” año 2010 No me contestó, tampoco implantó iglesia con muchos (pobres) carentes beneficiarion con los proyectos.Enfim sigo mi caminata sola en Rio.Ahora encontré una parcera hermana. Vamos compartir además d ayudar a nuestro futuro planeta urgente!Felicitaciones,Hasta Pronto!RoseperiodistaTWITTER
31/08/2011 às 15:16 Anonymous - diz:
IRLANDE NOVAIS DE OLIVEIRA – diz:Boa tarde, sou super a favor de tudo que é feito para cuidar do Planeta Terra. Essa ideia é maravilhosa, Parabéns; Por favor, coloque as fotos da sequência da construção.Vou ficar de olho aqui. Boa sorte.Irlandeda Bahia
31/08/2011 às 15:35 Anonymous - diz:
TaÃse Figueira Motta – diz:aeee, vizinhos/as. Construir uma casa, ainda mais, ecológica, é uma viagem… Parabéns pela matéria, meninas
01/09/2011 às 14:00 Anonymous - diz:
Jussara Almeida – diz:Alguém poderia responder a pergunta do amigo André Belletti Romero, por favor??? Talvez o proprietário da bela casa??? Também fiquei curiosa. Obrigada. Jussara
01/09/2011 às 17:04 Anonymous - diz:
Debora – diz:É resistente o suficiente para morar com tranquilidade? Sim….éSe eu não tivesse tanta certeza eu não estaria construindo para morar.Essa casa foi projetada por pessoas capazes, arquitetos e engenheiros, que conhecem sobre o assunto, que já construiram casas com essa técnica.Bom…caso tenham dúvidas ou interesse de conhecer a técnica usada estão todos convidados, Ecovila Clareando – Cidade de Piracaia – SP. Obrigada pelo carinho, Débora
01/09/2011 às 17:08 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Jussara, ia mesmo comentar a pergunta do André. Vamos lá: a técnica do superadobe proporciona uma estrutura bastante resistente à construção. É claro que alguns cuidados devem ser tomados, tal como ocorre em construções mais “convencionais”, que usam tijolo e cimento. Além disso, o superadobe tem vantagens extras: oferece ótimo conforto térmico e acústico por conta das paredes espessas de barro, que permitem a troca de ar entre os ambientes interno e externo. Nas áreas úmidas, como banheiro e pia da cozinha, é necessário aplicar um impermeabilizante sobre as paredes de terra ou prever a instalação de revestimento cerâmico, por exemplo. Também é necessário adequar o telhado, conforme a planta da casa, para dosar adequadamente a carga sobre as paredes. Um bom arquiteto – disposto a estudar e pesquisar sobre o tema – verá que a técnica é perfeitamente viável e segura. Ah, outra coisa: ela é muito econômica também e uma excelente opção para tornar os projetos de casas populares mais interessantes e com maior qualidade ambiental. Enfim, espero ter ajudado. Abraço, Giuliana
01/09/2011 às 17:21 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Rose, grata por compartilhar um pouco de suas experiências em Caxias. Respondendo sua pergunta: Piracaia fica no estado de São Paulo, a 100 km da capital, entre as cidades de Atibaia e Joanópolis. Siga em frente com suas escolhas! Abraço, Giuliana
02/09/2011 às 15:14 Anonymous - diz:
Camila – diz:Giu, parabéns por tudo! Orgulhosíssima de você, viu? E com saudades também! Que você faça bons amigos, sempre! Só num esquece dos amigos velhinhos, viu? (Hehe)Torço muito por vocês e que um dia vocês possam nos presentear com uma visita! Beijo e abraço muito forte da sua comadre e amiga-irmã!
19/10/2011 às 22:41 Anamaria - diz:
Dá pra ver a sequencia ate o final da contrução. A ideia me parece ótima. Boas idéias tem que ser mostradas. Obrigada
10/12/2011 às 00:54 Denise - diz:
Oi Giuliana, fiquei super interessada. Gostaria de saber como foi feita a fundação e o piso da casa.
Admiro o estilo de vida, e tive conhecimento da Permacultura a pouco tempo, estou me informando = )
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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