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Produtos que não deveriam existir Giuliana Capello - 14/06/2011 às 19:21
Você já parou para pensar na quantidade de produtos inúteis que são fabricados todos os dias, neste que é o século decisivo para o planeta? É impressionante para não dizer desanimador. São contêineres e mais contêineres de quinquilharias, bobagens e mimos absolutamente dispensáveis que viajam oceanos até chegar a nós (muitos deles, por sinal, clandestinamente). E para quê? Sinceramente, alguns deveriam ser proibidos, banidos do mundo, extirpados da atmosfera (junto com as sacolinhas plásticas)…Quer uns exemplos? É só ir a qualquer supermercado e dar um passeio pelo corredor do encantado mundo dos potes e presentes plásticos: tem porta-pizza (para um pedaço apenas); potes minúsculos para guardar, sei lá, duas azeitonas; espadas de super-heróis com balas açucaradas e barulho de…espada, é claro; suvenires fluorescentes para todas as ocasiões (não sei quando se precisa disso, mas…); enfim, um mundo de inutilidades que consomem recursos, emitem CO2 na atmosfera, aumentam nossa dependência do petróleo e não oferecem nenhuma contrapartida que compense sua existência.
Nas revistas em que escrevo, tenho muito contato com designers que estão preocupados com o futuro daquilo que eles colocam na Terra. Pensa comigo: o trabalho deles é criar, inventar produtos para povoar o planeta, lançar ideias que viram coisas compráveis. Uma responsabilidade e tanto, não? Fico imaginando o cara que resolveu, num insight de mestre, criar uma caneta em formato de bailarina e com um frufru na ponta. Não dá mesmo para viver sem isso?!
Felizmente, nem tudo está perdido e já tem muita gente refletindo sobre o excesso de produtos no mundo. Dias atrás fui visitar a exposição do Christian Ullmann, designer e consultor em sustentabilidade, lá no Museu da Casa Brasileira (aliás, recomendo). Com o nome Produtos Imperfeitos, a mostra convida o público a repensar uma série de hábitos de consumo automatizados, que repetimos sem pensar, dia após dia; ela resgata os produtos feitos artesanalmente por artífices como costureiras, sapateiros e serralheiros de bairro, além de peças que improvisamos (ou estudamos a valer) em casa, com o material que temos disponível.
Aliás, o faça-você-mesmo está acredite virando tendência nesse mundinho fashion do design. A onda agora é criar com as próprias mãos, a partir da necessidade e/ou da criatividade de cada um. Vale mais um produto imperfeito feito por você, que tem uma história para contar, do que uma peça espetacular, mas impessoal, produzida sabe-se lá por quem e sob que condições.
Com a ideia de não gerar restos ao final da mostra, Christian tirou proveito do ecodesign em tudo: uma poltrona com estrutura de metal reaproveitado, por exemplo, está exposta sem as almofadas e, no entanto, a legenda que apresenta a peça fala desses estofados. Onde eles estão? Sob a poltrona, ainda na versão tecido, cumprindo a função de revestimento da plataforma que sustenta o móvel. Quando a exposição terminar, ele será retirado e ganhará vida nova. Tudo para fazer o público pensar, desconstruir ideias velhas, ultrapassadas, fora do espírito do nosso tempo. Porque não dá mais para engolir futilidades que desdenham da saúde do meio ambiente…
Gosto de pensar que um dia – não muito distante, de preferência -seremos capazes de construir mecanismos que impeçam a fabricação de produtos banais que sugam a natureza do início ao fim de seu ciclo de vida. Quem sabe um dia, em breve, possamos ser mais ativos em relação às ações da indústria, seja ela do tamanho que for. Como consumidores que somos, temos a faca, o queijo e o planeta nas mãos. Parar de comprar papai Noel dançante e aplicativos inúteis para o seu tablet é um primeiro passo, sem dúvida alguma. É tempo de usar energia de forma consciente. Chega de desperdício.
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16/06/2011 às 14:56 Anonymous - diz:
Bruno – diz:O texto esta RIDÍCULO, tao mal escrito que não consegui terminar de ler.
17/06/2011 às 22:25 Anonymous - diz:
denise vida – diz:denise vida – diz:Eu acho ótimo o texto e a idéia..não vi problemas em entender o que está escrito….tem mais, aqui em casa tenho o mínimo necessário, e pessoas me acham estranha por isso…não me importo! bj
19/06/2011 às 21:45 Anonymous - diz:
SOCORRO CASTRO TORRES – diz:Gostei do texto,e verdade que compramos alem do necessario,e com issoo mundo esta se tornando um lixão,gostei do textoespero que todos tomem conscienciado mau que fazemos a nossa MÃE TERRA.
20/06/2011 às 18:23 Anonymous - diz:
Janete Canteri – diz:Giuliana, como eu já escrevi em outros posts você escreve maravilhosamente bem e concordo com tudo o que vc diz. Não se deixe abalar por comentários grosseiros. Deus te ilumine sempre neste caminho lindo que vc e teu esposo resolveram seguir.Abraços virtuais!!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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