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Primeira virada em casa! Giuliana Capello - 03/01/2012 às 11:15

Fazer parte de uma comunidade é estar ligado a pessoas o tempo todo. Por mais que cada um tenha sua própria vida e sua privacidade, quando vivemos numa ecovila a prática das partilhas torna-se bastante frequente – e é preciso ter espírito aberto para acolher as novidades que fogem de nossas expectativas. Acho que foi por isso que a festa de ano novo na minha casa – que, inicialmente, contaria apenas com os amigos realmente mais próximos – transformou-se numa festança com mais de 40 pessoas.

De um jeito bem natural, reunimos ali amigos da ecovila e da cidade (de Piracaia, SP). E quando nos demos conta de que seria um grande encontro, os amigos-irmãos (categoria especial de amigos que dispensa explicações e não cabe em palavras) chegaram para ajudar.

Para transformar a casa em lugar de festa, foi necessário fazer uma bela faxina, arrumar materiais de construção, limpar vidros, enfeitar, iluminar, enfim, deixar o espaço mais apropriado para receber pessoas de um jeito minimamente confortável.

Em pouco tempo, nos surpreendemos com a mudança. Improvisamos vasos de flores com latinhas de alumínio e garrafas de vidro; velas brancas ganharam castiçais de garrafas reaproveitadas; as flores, é claro, foi colhidas na própria ecovila. Uma amiga trouxe toalhas, louça, talheres, taças e até balões brancos! Não foi preciso pedir que trouxessem CDs com músicas dançantes. Nossa sintonia – e experiência na organização de “festas-relâmpago” – deu conta de cada detalhe para que nada faltasse nem chegasse com exagero.

Deu trabalho, sim, e como. Mas a divisão de tarefas, feita de maneira orgânica, sem muitas regras e imposições, foi o bastante.

Quem chegou para celebrar a entrada do ano, encontrou uma casa alegre, colorida, divertida. Cada família trouxe um prato e algumas bebidas. A mesa ficou linda e saborosa. Gente que não se via há tempos sorriu no reencontro. Outros – acredito – se surpreenderam com as emoções renovadas após pequenos conflitos.

Isso se chama tempo, curador de feridas, restaurador da harmonia dos grupos. Ecovila tem disso tudo. Gente que discute e não quer mais se ver continua morando ao lado, e cedo ou tarde acaba percebendo que é mais fácil (ou menos doloroso, digamos) tentar resolver do que insistir na distância. E aí vem o crescimento, o amadurecimento.

É por isso que é sempre tão bom celebrar o fim do ano e a entrada de um novo tempo na ecovila. Essa parada nos traz gratidão, sentimento profundo que nos conecta com algo maior, inevitavelmente. Foi delicioso estar em casa e receber gente querida, reunir crianças, famílias, nacionalidades, histórias. Nem a chuva atrapalhou. Ela só deixou a paisagem ainda mais instigante, perturbadora, grandiosa. Renovou cheiros, paisagens, vontades, sonhos.

Que 2012 seja assim também para você, um ano em que descobriremos a simplicidade, mais ou menos como diz Caetano Veloso na belíssima canção Um Índio: “E aquilo que nesse momento se revelará aos povos surpreenderá a todos, não por ser exótico; mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio.”

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Comentários

04/01/2012 às 21:29 Janete Canteri - diz:

Tua casa ficou muito bacana.Parabéns!

09/01/2012 às 01:49 Luisa Quarezemin Zafalan - diz:

Que delicia de festa,deu muita vontade de estar ai !
Trabalho em São josé do Rio preto com jardinagem orgânica,gostaria muito de poder participar de vivências como estas!

muito Obrigada por tais vibrações!

17/01/2012 às 23:28 Donizete Firmino - diz:

Olá Giuliana,
Qta coisa boa aí na clareando hein……visitei uma vez a ecovila,passei em frente a sua casa e adorei!
Parabéns a todos!
Beijo fraterno
doni
*um vídeo bacana http://www.youtube.com/watch?v=omIwo2RCl8I

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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