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Precisamos de uma escola! Giuliana Capello - 06/07/2010 às 18:30

É cada vez maior o número de casais com filhos pequenos que vão visitar a ecovila e lançam a pergunta: tem escola aqui perto? Ai, ai, como eu adoraria poder responder que sim, temos, e com uma pedagogia interessante, que privilegia atividades na terra, muita arte e um jeito mais humano de ver o mundo. Mas ainda não é assim.

Ainda. Sinto a cada dia que passa que essa é uma questão prá lá de fundamental. Já visitei ecovilas e li e ouvi relatos sobre outras que têm ou uma escola dentro da comunidade ou nas redondezas. As experiências são bem bacanas. É preciso mesmo oferecer às crianças um lugar em que elas possam olhar o mundo sob uma ótica mais ecológica – do contrário, as chances de o jovem sair e não voltar mais são enormes, e isso acontece de fato.

Existem algumas possibilidades. Formar um grupo de interessados em pesquisar, estudar e viabilizar a criação de uma escola dentro da ecovila é uma delas. Temos até alguns profissionais com experiência na área de educação, mas, acima de tudo, pais à espera de uma alternativa para os filhos que seja compatível com a proposta de vida da ecovila. É claro que não é fácil, este é mais um dos muitos desafios que temos pela frente. Mas e daí? Precisamos tentar, certo?

Outra opção seria fazermos uma parceria com a prefeitura de Piracaia para reformar física e pedagogicamente a escola rural que fica a uns 6 km da ecovila. A escola tem problema crônico de falta de professores porque poucos são os que encaram dar aula na zona rural – para fazer jus às incontáveis dificuldades encontradas no ambiente rural…

Toda vez que passo na frente dessa escola, a caminho da ecovila, imagino-me trabalhando lá como voluntária na reforma do prédio. Em primeiro lugar, trocaria as telhas de cimento por um belo telhado verde, sobre paredes pintadas com tinta de terra e estampada com desenhos feitos pelas crianças. No meu imaginário, a escola precisa ser um lugar interessante para a criança, que desperta a curiosidade e a vontade de estar lá. Uma horta também faria parte, com um minhocário-composteira funcionando como atividade prática de conscientização.

Sinceramente, quanto mais leio e estudo o assunto, menos tenho paciência para discursos e teorias. O melhor é fazer junto, experimentar, transformar, usar-se do exemplo para ensinar. É assim que quero criar os filhos que ainda não tenho…

Muitos pais e mães que conhecem a ecovila adiam os planos de morar na comunidade para depois que os filhos terminarem o ensino fundamental ou médio. Por quê? Porque muitos ainda depositam na escola mais de 90% da responsabilidade sobre a educação dos pequenos. “Não posso tirar meu filho da melhor escola de São Paulo”, dizem. Melhor em que sentido? Que tipo de ser humano essa escola “ajuda a formar”? Com que visão de mundo?

Já vi muita escola alternativa em São Paulo cobrar uma fortuna por oferecer às crianças um espaço ‘natural’ para atividades na terra. Tem escola com pato, galinha, cabra, tartaruga, coelho, horta etc. etc. dentro da metrópole. Ótimo, mas se os pais levam uma vida extremamente urbana e desconectada da natureza, como fica isso tudo na cabeça da criança?

Na minha modesta opinião, a família e a escola precisariam oferecer um ambiente mais uníssono de aprendizagem, com valores minimamente próximos e que se complementassem. Conheci tempos atrás uma menina que era um encanto aos sete anos. Estudava na Escola Waldorf (que é o máximo), mas quando o pai a buscava para almoçar, adivinhe para onde ele a levava? Ao McDonald’s! A menina passava a manhã aprendendo a fazer pão, do cultivo do trigo à confecção do forno, e depois ia se alimentar na maior rede de fast food do planeta…

Outra coisa: se a escola é um oásis dentro da cidade grande, com uma espécie de fazendinha, por que seria tão ruim botar os filhos para estudar numa escola rural? Acho que isso tem a ver com a ideia do campo atrasado, de que a cidade é o símbolo do progresso e do desenvolvimento. Rural é aquilo que ainda não virou urbano, sem projeto, sem outro destino que não o êxodo e o eterno abandono.

Tudo isso pra dizer que a ecovila precisa ser e ter uma escola, dentro ou perto dela. Dentro, para atrair crianças da região; fora, para expandir as fronteiras da ecovila. As duas opções são válidas e têm vantagens e desvantagens. Esse é só o começo do processo.

Se você conhece uma escola bacana no campo, convido-o(a) a compartilhar essa história comigo. Será um grande prazer ouvir relatos dessas crianças de sorte. Obrigada!

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Comentários

07/07/2010 às 11:09 Anonymous - diz:

Carol – diz:Você já deve conhecer, mas tem uma escola em Portugal que ficou super famosa por propor uma ideia legal de educação participativa e inclusiva: http://www.escoladaponte.com.pt/

07/07/2010 às 11:38 Anonymous - diz:

Daniel – diz:Oi, acho essa questão fundamental. Só pra mostrar como realmente isso é um problema no meio rural, segue um artigo….assim que eu achar algo mais positivo, eu tb coloco aqui.http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,aluno-de-escola-rural-e-pior-em-ma tematica,554693,0.htm

07/07/2010 às 19:10 Anonymous - diz:

Bia Couto – diz:Olá,Giuliana!Sugiro que vc visite o site da escola Politeia conhecida pela educação democrática onde os alunos são estimulados a buscar o conhecimento ”. Os princípios da Escola Politeia: Democracia, Diversidade, Liberdade com Responsabilidade e Sustentabilidade”. Onde o estímulo a aprendizagem ganha outras formas e uma grande força para nortear o desenvolvimento cultural e intelectual dos aprendizes. Uma alternativa ao convencional onde o conhecimento é construído, num movimento de ruptura dos modelos pré-estabelecidos. O método não privilegia a lógica da competição do mundo capitalista, mas a descoberta de um caminho singular a cada história.

12/07/2010 às 14:32 Anonymous - diz:

Diana Gilli – diz:Acho que MEGA a ideia. E aí, quando é que começamos, auhauhuauhauha! :) Bjus

13/07/2010 às 10:35 Anonymous - diz:

Giuliana – diz:Olá a todos, obrigada pelos comentários e dicas. Carol, conheço um pouco sobre a Escola da Ponte. E um dos fundadores mora hoje em Joanópolis, bem pertinho da ecovila… Quem sabe… Daniel, grata pelo artigo. A coisa é triste mesmo! Bia, vou pesquisar sobre a escola Politeia também! Diana, obrigada pela energia e força de sempre. Grande abraço para vocês!

18/07/2010 às 23:46 Anonymous - diz:

Donizete Firmino – diz:Oi Giuliana,td em paz minha querida?Parabenizo pelo blog e também pela experiencia na clareando,estou há muito tempo querendo conhecer,mas ainda não consegui.Não conheço ,mas já ouvi falar muito bem do Instituto Pandavas em Monteiro Lobato/SP.Vale a pena conhecer o site e até mesmo a escola.http://www.institutopandavas.org.br/Beijos a todosDonizete

21/07/2010 às 01:30 Anonymous - diz:

cristiano souza – diz:Olá Guiliana, Morei 16 anos em Juiz de Fora (MG)antes morava em uma cidade do interior. Mudei para uma cidade pequena 19 mil habitantes e sinto a falta de uma escola para o meu filho. Penso em voltar para Juiz de Fora. As cidades pequenas estão com o mesmo individualismo das cidades grandes. E isto me decepcionou. Penso em morar em uma Eco Vila mas tem que ter escola para educar em todos os sentidos as crianças de “dentro e de fora” da eco vila. Um grande abraço.

18/08/2010 às 12:34 Anonymous - diz:

Michel – http://michelcantagalo.blogspot.com/ – diz:Alguns comentários:1 – Uma amiga minha saiu do pais para educar a filha porque aqui não é permitida a educação domiciliar.2 – Sou professor universitário, mas será um prazer ser professor da escola infantil. Tenho formação pedagógica e tudo mais…3 – Tenho uma amiga que esta vinculando a bioenergética ao processo de desenvolvimento das crianças… bem legal…

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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