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Não sei se é verdade, mas repasso?!? Giuliana Capello - 11/08/2009 às 16:33
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Quantas vezes você já recebeu um e-mail que começava com essas palavras? Ou com algo do tipo pelo sim, pelo não, não custa repassar? Como não custa nada? Custa sim. Além da energia (elétrica) que consumimos enviando mensagens eletrônicas, do tempo que perdemos lendo algo que pode não ter valor algum, ainda tem o custo da incerteza, da dúvida que nos toma sobre o que fazer com aquela informação (ou desinformação) que chegou até nós. E quando a incerteza se espalha, não há mais como saber de onde partiu aquilo em outras palavras, de quem é a responsabilidade.
Pode até ser um preciosismo meu, mas detesto receber esse tipo de mensagem. Fico sempre me perguntando: será que é mesmo verdade? Talvez seja um vício da profissão – não sei – de querer checar a informação antes de repassar a quem quer que seja. Por conta disso, muitas vezes acabo não encaminhando mensagens aparentemente interessantes, por não ter certeza de que se trata de algo sério mesmo. Quem nunca recebeu e-mail com fotos de cãezinhos que seriam abandonados nas ruas em uma semana se não encontrassem pessoas dispostas a adotá-los? Ou, pior, mensagens com dicas de prevenção contra a gripe suína e outras doenças? Quem garante que as informações são confiáveis?!?
Duas semanas atrás, me vi numa situação desse tipo. Recebi talvez como você também – uma enxurrada de e-mails sobre aquele papo da cartilha de alimentos orgânicos criada pelo Ministério da Agricultura (foto), com ilustrações do Ziraldo, e que teria supostamente sido alvo de uma ação judicial da Monsanto, contrária à campanha. A história dizia que a empresa teria conseguido a suspensão da distribuição e o recolhimento do material. Uau. Num primeiro momento, eu, que sou defensora dos orgânicos, tive o impulso de querer repassar para meio mundo, com o link que dava acesso à cartilha proibida e tal. Mas não o fiz. Achei melhor esperar um pouco até saber melhor o que estava acontecendo.
Só que os e-mails continuaram chegando das mais diversas listas de discussão das quais participo: de permacultura, de ecovilas, de economia solidária, de bioconstrução e por aí vai. Todo mundo estava falando sobre o assunto, mas ninguém tinha certeza de nada. Ok, estamos vivendo num período de muitas incertezas, mas isso (além de ser um grande clichê) não pode ser tão banalizado, sob pena de o boato virar verdade e da verdade perder a importância.
Bom, o jeito foi investigar um pouquinho, não como jornalista, mas sim, digamos, como cidadã curiosa. Primeiro, quis entender o porquê da tal cartilha O Olho do Consumidor. Segundo o Ministério da Agricultura, ela foi elaborada para divulgar o SISORG Sistema Brasileiro da Conformidade Orgânica, novidade que identificará com um selo, a partir do ano que vem, todos os produtos orgânicos vendidos no Brasil (exceto aqueles comercializados diretamente pelas famílias dos agricultores). Assim, ficará mais fácil para o consumidor distinguir os produtos orgânicos dos demais nas prateleiras dos supermercados e nas feiras livres.
Até aí, tudo bem. Depois, entrei no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e tive dificuldade para encontrar a cartilha. Mas estava lá. Ela faz parte do catálogo de publicações do ministério, que tem um ícone na homepage. Minutos depois, consegui acessar o documento que, ao contrário do que diziam os e-mails que recebi, estava disponível na íntegra, sem qualquer problema.
Também para checar, entrei no site da Monsanto. Em nota oficial, a empresa dizia: Nos últimos dias, têm circulado pela Internet boatos de que a Monsanto teria entrado como uma ação judicial contra uma campanha educativa coordenada pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos. A empresa esclarece que essa informação não procede, que desconhece sua origem e, ainda, reafirma o respeito pela liberdade de opinião, expressão e escolha do mercado, instituições e empresas pela utilização de culturas convencionais, geneticamente modificadas ou orgânicas. A Monsanto se orgulha de ser líder em biotecnologia agrícola e acredita profundamente nos benefícios das culturas geneticamente modificadas, que têm potencial para ajudar a aumentar a produção de alimentos, com menos recursos naturais e, ainda, melhorar a vida de agricultores em todo o mundo.
Pois é, a empresa desmentiu a história e, de quebra, ainda aproveitou para fazer campanha pelos transgênicos… Ai, ai… Enfim, terminei por ligar para o ministério, na tentativa de saber sobre a distribuição da cartilha. Segundo a assessoria de imprensa do Mapa, mais da metade dos 620 mil exemplares já foi distribuída, especialmente durante a V Semana dos Alimentos Orgânicos, evento realizado em 24 estados e no Distrito Federal, em maio deste ano. O restante será entregue às entidades interessadas, que devem entrar em contato com o órgão público e solicitar o envio do material (o telefone do Mapa é 61-3218-2828 e o site, www.agricultura.gov.br).Com tudo isso, ainda fica a dúvida, já que, infelizmente, nos dias de hoje, nem sempre a palavra é o bastante para que se estabeleça uma relação de confiança. Mas o fato é que a cartilha está disponível na internet para quem quiser ler e distribuir. Se você ainda não deu uma olhadinha, aí vai o link direto para o documento: http://www.agricultura.gov.br/images/MAPA/arquivos_portal/ACS/cartilha_ziraldo.pdf.
Ah, sim, uma última coisinha: nesse caso, o boato (ou história mal contada) até ajudou a divulgar a cartilha – talvez por conta do ditado popular que diz que o proibido é sempre mais gostoso. Não fosse isso, o documento poderia não ter tido a repercussão enorme que teve. Mesmo assim, quando o assunto é informação para o público, prefiro crer que a responsabilidade é sempre a melhor aliada, por mais careta e conservador que isso possa parecer, em alguns momentos.
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13/09/2011 às 09:23 Anonymous - diz:
Superbly iullmintanig data here, thanks!
13/09/2011 às 09:24 Anonymous - diz:
Superbly iullmintanig data here, thanks!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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