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Multiplicar é muito bom Giuliana Capello - 24/11/2009 às 08:00


Fazia tempo que vínhamos ensaiando um curso de bioconstrução na Ecovila Clareando. Até porque nosso amigo Hiroshi Seó, primeiro morador da comunidade, é um excelente bioconstrutor e especialista no uso de bambu e de ferro-cimento. No último feriado, entre sexta e domingo, nasceu finalmente o primogênito de muitos outros encontros do gênero. Vinte e sete pessoas participaram, vindas de várias cidades do país. A maioria, na casa dos vinte e bem poucos anos. Sangue novo, cabeça aberta para ideias novas e muita vontade de melhorar o mundo. Misturando isso tudo com barro – muito barro – nos surpreendemos com o interesse deles em aprender a construir de maneira mais ecológica e saudável para todos.

Além do Hiroshi, que orientou o grupo no telhado verde do quiosque comunitário (foto) e também na construção do sistema de esgoto da nova casa do caseiro (Silvan), tivemos também a participação dos instrutores Ian, Guilherme e Eliézio, feras no pau-a-pique e tijolo de adobe, que trabalharam o tempo todo com um enorme sorriso de satisfação no rosto.

A maioria acampou e alguns poucos se hospedaram com a equipe de coordenação do curso na Casa Clara, morada da amiga Sandra, que cedeu o espaço para a hospedagem, alimentação e parte teórica do curso. Eu fiquei basicamente na cozinha, ajudando a preparar as quatro refeições dos três dias (imagine cozinhar para mais de 30 pessoas!), junto com as amigas Luciene, Binha, Sandra, Rosana e Elioenai.

Foi muito gostoso perceber os avanços que já conquistamos na ecovila e o quanto já temos histórias para compartilhar. Muitos dos alunos queriam saber mais do que as técnicas construtivas. Estavam atrás de informações sobre como começar uma comunidade ecológica. E essa partilha de experiências – eles também nos enriqueceram muito, com certeza – foi sem dúvida a grande riqueza do encontro.

Na sexta-feira, os participantes chegaram para o café da manhã e passaram a manhã conhecendo a ecovila, a proposta e algumas casas da comunidade. À tarde, tivemos o primeiro bloco de atividades práticas, mas a chuva forte que caiu (depois de um sol escaldante) interrompeu tudo mais cedo. No lugar, os alunos tiveram uma parte do conteúdo teórico já previsto. Quando a noite chegou, meditamos juntos, fizemos uma roda de partilha (que foi lindíssima) para sentir um pouco o grupo, depois jantamos uma sopa deliciosa de mandioca, com torta de abobrinha da Rosana (que tem mãos de fada) e pão integral feito pela amiga Sônia. Depois, eu e meu companheiro, Edilson, conduzimos uma roda de conversa sobre gestão da ecovila para os que quisessem saber mais sobre o funcionamento da Clareando. Mas, no geral, deixamos o restante da noite livre para que todos tivessem tempo de se conhecer um pouquinho mais – e descansar também, é claro.

O sábado começou cedo, com o despertar às sete horas e o café às 7h30. Às nove, o grupo se dividiu em três, um para cada instrutor e atividade (pau-a-pique, telhado verde e adobe). Escapei um pouco da cozinha para ajudar um pouquinho no telhado verde (não resisti quando vi as mudas de boldo rasteiro que estavam sendo plantadas na cobertura do quiosque…). Depois, ainda fui colher manjericão na Praça da Paz para usar no molho de tomate que servimos com polenta caseiríssima.

À tarde, mais trabalho e aprendizado. O grupo se revezou para conhecer outra técnica de bioconstrução e o pessoal que foi amassar barro para fazer pau-a-pique estava particularmente inspirado. As paredes foram subindo com desenhos lindos, de baobá, balão, símbolos de paz e espiritualidade, flores, borboletas e muito mais. Ficou maravilhoso! A casinha nova funcionará como sede administrativa da ecovila, talvez um ponto comunitário de internet (quando conseguirmos sinal!!!!), além de lojinha de produtos artesanais produzidos localmente e nas cidades vizinhas (Piracaia, Joanópolis e Atibaia). Por conta de todos esses planos, ver as paredes crescendo com tanta beleza foi muito animador para todos – integrantes da ecovila e participantes do curso.

Na noite de sábado, tivemos danças circulares, meditação, roda de partilha, sopa de lentilha e de legumes orgânicos e mais: um exercício prático de tomada de decisão por consenso e a exibição do filme O Mundo Segundo a Monsanto – de deixar qualquer um de cabelo em pé…
O domingo mal tinha começado e já estávamos todos com cara de quero mais. Mais uma vez, os grupos se revezaram, para completar, assim, a passagem de todos por todas as técnicas oferecidas. Antes do almoço, um ritual de entrega dos certificados: uma muda de íris para levar para casa como símbolo da responsabilidade e do compromisso de passar adiante o aprendizado, mais o certificado que trazia o nome do participante que tinha “sujado as mãos de barro para deixar o planeta mais limpo”, além de um CD com apostilas e fotos tiradas durante o curso.

Ufa! Última refeição do curso, o almoço do domingo marcou o início da despedida dos novos amigos, que prometem voltar mais vezes e sempre que quiserem. Para nós da ecovila, foram dias marcantes, de pura inspiração para seguir em frente, enfrentando os desafios. Espero que sirva de inspiração também para quem está começando a construir na ecovila. Será fácil perceber o quanto podemos ter beleza e eficiência com técnicas simples, ancestrais, ecológicas e de espírito solidário. Que sirva de lição para todos nós. Agradeço de coração a todos que ajudaram a plantar esta nova semente na Ecovila Clareando. Sinceramente, muitíssimo obrigada!

Foto: telhado verde do quiosque comunitário, coberto com a lona de circo colorida que o Hiroshi ganhou e quis reaproveitar. Por cima, sacos de cebola com terra para evitar deslizamentos durante as chuvas. O boldo rasteiro é bem rústico, precisa de pouca água e ainda dá uma flor roxa linda o ano inteiro. Quer mais?

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Comentários

25/11/2009 às 16:59 Anonymous - diz:

Rosana – diz:Aí, Giu. Valeu pelas mãos de fada !Foi muito estarmos juntos… já estou com saudades…beijo no coração e parabéns pela bela descrição do que nós vivenciamos em Comun Unidade !

30/11/2009 às 23:28 Anonymous - diz:

Anderson Cipó – diz:Olá Giu, sou o primo do Jerco, tudo bem? Sabia que estou apaixonado pela Eco Vila? Depois daquele domingo maravilhoso que tive a sorte e o presente de conhecer vcs, voltei pra Eco Vila mais duas vezes, a cada retorno uma nova lição em uma cançaõ. O Amigo Hiroshi, presente em todas as minhas visitas, relata com tao naturalidade, a vida de forma cantada, parabéns para todos voces, espero bem logo fazer parte da Eco Vila como colaborador e amigo.

07/12/2009 às 12:28 Anonymous - diz:

Ian – diz:Olá Giuliana,Valeu di mais sô!!!!Foi tudo de bom poder ter participado da vivência com aquela moçada incrível e bem disposta.Deu certo!!!Vamo que vamo ……agradeço pelo rango que estava fantástico e pela dedicação sua do Edilson e de todos os envolvidos na organização do evento.

07/12/2009 às 12:28 Anonymous - diz:

Ian – diz:Olá Giuliana,Valeu di mais sô!!!!Foi tudo de bom poder ter participado da vivência com aquela moçada incrível e bem disposta.Deu certo!!!Vamo que vamo ……agradeço pelo rango que estava fantástico e pela dedicação sua do Edilson e de todos os envolvidos na organização do evento.

10/03/2011 às 15:49 Anonymous - diz:

Cosmo – diz:Realmente um lugar muito belo, cheio de energias, com certeza voltaremos. Passamos por lá esse ultimo carnaval e pudemos conferir de perto!Luz e Paz a todos.

10/03/2011 às 15:49 Anonymous - diz:

Cosmo – diz:Realmente um lugar muito belo, cheio de energias, com certeza voltaremos. Passamos por lá esse ultimo carnaval e pudemos conferir de perto!Luz e Paz a todos.

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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