BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Menos tv, mais horta Giuliana Capello - 02/02/2010 às 19:56
Uma das coisas de que mais gosto na ecovila é a sensação de ter tempo. E o mais estranho é que , quando estou lá, olhar para o relógio é algo que nem de longe passa pela minha cabeça. Incrivelmente, mesmo com a agenda cheia (plantar, construir, roçar, limpar, cozinhar, planejar etc.), não é preciso marcar hora para fazer as coisas.Pode parecer bucólico demais, mas é a pura verdade: acordamos quando os passarinhos avisam que já é de manhã, vamos para o trabalho logo após o café, almoçamos quando bate a fome e o sol encurta nossa sombra. Depois, fazemos uma breve pausa para a digestão, com direito a uma soneca ou uma conversa preguiçosa na varanda. Sem pressa. Em seguida, voltamos ao trabalho para, então, só encerrar no entardecer quando é hora de voltar para a Casa Clara (nossa casa comunitária), praticar yoga, tomar um banho, meditar, preparar o jantar e sentar em grupo, espalhados na sala, para ouvir histórias, contar as novidades e até reclamar da vida, se preciso for. Ufa! Tudo isso em um único dia!
Sinto que os dias rendem mais, que realizo coisas prazerosas, que meu trabalho faz diferença naquele pedacinho de mundo. É diferente de quando volto para São Paulo e, por dever do ofício, passo horas na cadeira do escritório diante da tela do computador. É como se o tempo fugisse de mim. Quando me dou conta, a manhã já virou tarde, perdi a hora do almoço e vou ter que correr se quiser terminar tudo antes do fim do dia. Sem falar nas outras inúmeras tarefas que parecem pular na minha frente, pedindo urgência. Muitas vezes, vejo o sol cair e penso que não realizei quase nada. O que será que acontece?
(Minha professora de yoga costuma dizer que nós estamos onde nossa atenção está. Então, escolha estar presente, no aqui e agora, ela pede. É assim mesmo que sinto: quando estamos remoendo fatos do passado, gastamos energia em algo que não mudará mais. Ao passo que, se estamos adiantados no tempo, sofremos ou sorrimos por antecipação, herdeiros que somos de um mundo mais que ansioso.)
Para mim, essa sensação de perda ou falta de tempo está relacionada ao período (ainda longo) que invisto vivendo sob a mediação de uma tela, que pode ser a do computador ou da tv, tanto faz. É como se o tempo tivesse um ritmo próprio, que foge do meu controle, que corre sem sintonia com nenhum ciclo da natureza. É artificial, quase plastificado. O download demorou a ser completado e o dia acabou. A caixa de e-mails estava cheia (de porcarias e apenas duas mensagens realmente importantes) e perdi horas tentando tirar da frente aquilo que brandia como um atraso ou falta de eficiência para dar conta de tudo. Baahh!
Numa apologia clara e explícita ao tempo do agora, ouso dizer que a sustentabilidade também deve ser companheira do momento presente. Não dá para pensar em melhorar o mundo se não temos tempo nem para um almoço minimamente tranquilo, certo? Ou para brincar com os filhos, visitar a família, fazer uma surpresa a um amigo ou ficar em casa sem fazer nada (o vazio, às vezes, é o que falta para que algo novo possa caber em nossas vidas). Se não temos uma rotina sustentável, como poderemos acreditar que o mundo pode ser mais sustentável? Menos tv e mais horta será meu lema na ecovila. Nada de perder tempo com programas inúteis. Trabalhar na horta (e em tudo o mais que houver de importante) faz o dia e a vida valerem muito mais.
Foto: Como já cantava Cartola: "Alvorada lá no morro, que beleza!" Assim é o amanhecer na ecovila…
ver este postcomente
04/02/2010 às 22:31 Anonymous - diz:
Camila – diz:Giu,Concordo plenamente! Sinto um pouco disso que cê descreveu no meu dia junto com as crianças…outro dia plantamos rabanete na horta, e eles são rápidos em germinar, a Manu disse que as primeiras folhas pareciam borboletas…e por aí vai…estamos começando a vender mudas de maracujá (quer uma, hehe!), que nasceram através de nossa composteira…fora nosso pé de mará que tá dando um montão, estamos tomando bastante suco natural! Delícia pura…também temos sementeiras…bom, na verdade daqui a pouco vou montar um blog com fotos, coisas que acontecem na horta, com as crianças, etc.Beijos!Cá. Amo vocês, tô morrendo de saudades, tá?
05/02/2010 às 23:55 Anonymous - diz:
Ric – diz:“Para mim, essa sensação de perda ou falta de tempo está relacionada ao período (ainda longo) que invisto vivendo sob a mediação de uma tela, que pode ser a do computador ou da tv, tanto faz. É como se o tempo tivesse um ritmo próprio, que foge do meu controle, que corre sem sintonia com nenhum ciclo da natureza. É artificial, quase plastificado.”De fato, essa sensação – a de que o tempo passado diante da tv ou computador parece estar em uma zona autonoma separada do tempo real – é algo que já senti muitas vezes. Fico feliz em saber que outra pessoa sente isso também.Seu blog me inspira a não querer *morrer de tédio*.
Abraços!
05/02/2010 às 23:55 Anonymous - diz:
Ric – diz:“Para mim, essa sensação de perda ou falta de tempo está relacionada ao período (ainda longo) que invisto vivendo sob a mediação de uma tela, que pode ser a do computador ou da tv, tanto faz. É como se o tempo tivesse um ritmo próprio, que foge do meu controle, que corre sem sintonia com nenhum ciclo da natureza. É artificial, quase plastificado.”De fato, essa sensação – a de que o tempo passado diante da tv ou computador parece estar em uma zona autonoma separada do tempo real – é algo que já senti muitas vezes. Fico feliz em saber que outra pessoa sente isso também.Seu blog me inspira a não querer *morrer de tédio*.
Abraços!
12/02/2010 às 09:46 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Oi, Ric, oi, Camila! Valeu pelos comentários. Legal saber que sentimos a mesma coisa. Dá uma sensação boa de não estar sozinha nisso… Cá, para nós, a tela do computador é nossa maneira de nos comunicarmos, né? Amigo que mora longe tem dessas coisas… Os encontros virtuais acabam sendo os mais frequentes. Ah, fico muito feliz pela horta caseira! Criança que brinca com a terra cresce mais saudável, né! Beijão, Giu
12/02/2010 às 19:35 Anonymous - diz:
amaury – diz:sou engenheiro e estou com uma idéa na cabeça: fazer um telhado verde na minha casa, minha mulher não deve gostar , mas olhando na internet vi o seu blog, achei interessante, vc poderia me dar mais dicas?um abraço, amaury
02/03/2010 às 15:46 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá, Amaury, algumas empresas já se especializaram em telhado verde aqui no Brasil. Dê uma olhadinha nos sites: http://www.ecotelhado.com.br; http://www.skygarden.com.br e http://www.institutocidadejardim.com.br. Lá você poderá conhecer mais sobre essa tecnologia que, além de deixar a casa mais bonita, melhora o conforto térmico, combate as enchentes, atrai pássaros, combate o aquecimento global… Boa sorte, um abraço, Giuliana
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
• Ser limpinho num planeta sujinho?
• A simplicidade e a crise de imaginário
• Dias de mudança e gentilezas!
• Meio ambiente: por que custo e não investimento?
• Discurso sustentável tem limite
• A cidade, o campo e a estrela Sinhá
• A mágica das trocas de saberes
• Ideias para esverdear a construção
• Teste drive do banheiro seco
• O planeta numa bandeja (de isopor)?
• Reflexões sobre o slow life e a internet
• Vasos para melhorar o trânsito
• 2012: ano para entender o planeta
• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais
• O caipira e a mobilidade urbana
• O que dar a alguém que já tem “tudo”?
• Pela volta do fogo doméstico
• O empurrãozinho que faltava…
• Um lugar em você chamado Ahimsa
• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração
• Um guarda-chuva para dois verões
• E quando não há rede de esgoto?
• Quem casa quer casa (ecológica!)
• Se não é divertido, não é sustentável
• Secador solar e generosidade
• Doze metros de muita história
• Liberdade anda junto com sustentabilidade
• Produtos que não deveriam existir
• Lixo é uma questão topológica
• Você e o fim da sacolinha em SP
• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?
• O descaso com o lixo orgânico
• Espiritualidade e vida comunitária
• Produzir ou consumir cultura?
• Trocas solidárias que enriquecem
• Acordos comunitários para a ecovila
• Por que o simples é tão complicado?
• Só tecnologia não salva o planeta
• Bioconstrução na serra fluminense
• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!
• Permacultura para transformar
• A nova história dos três porquinhos
• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!
• Dias de mudança (e desapego)
• Sustentável e mais barato, sim!
• Ecovila: mutirão na represa!
• Superadobe ou terra ensacada
• Primavera com onça e lobo-guará!
• Bioconstrução para multiplicar
• Por que adoro hortas permaculturais
• Sobre a formação de uma ecovila
• Quando o tamanho é documento
• Terra fértil e sangue menstrual
• O centro comunitário da ecovila
• Qual é a sua sustentabilidade?
• Ecodesign para cuidar do planeta
• Home centers e produtos ecológicos
• Ecovila com horta… e sem delivery
• A conta de gasolina na ecovila
• Patos, galinhas e outros bichos
• Esperança e cooperação na ecovila
• A COP15 e a síndrome do panetone
• Histórias de uma parteira na Amazônia
• Ecovila e sustentabilidade econômica
• Um carro, um jipe ou um cavalo?!
• Para iluminar a casa e curtir a noite
• Uma casa para abrigar nossos sonhos
• Uma moldura para o horizonte
• Quando o ecológico não é bem ecológico
• Não sei se é verdade, mas repasso?!?
• Por que adoro feiras de trocas
• Minha casa num programa de tv…
• Ah, esse excesso de e-mails…
• Socorro, não aguento mais SP!
• Para tecer uma vida na ecovila
• Entre na onda das roupas usadas
• Mata atlântica: mais que uma efeméride
• O que fazer com a madeira que sobrou?
• Histórias de reúso, economia e bons amigos
• Sua casa pode ser uma ecovila
• Meu telhado verde, verdinho, verdinho
• Celebrar ajuda a enfrentar problemas
• O segredo da abóbora mágica…
• Quanto vale o nosso trabalho?
• Meus vizinhos, minha família
• De que é feita a minha casa?
• A alegria de viver em comunidade
• Crise financeira ou chance para o planeta?
• O que eu vou fazer numa ecovila?
• Construir com as próprias mãos
• Confissão: eu não passo roupas
• As ecovilas e as mudanças climáticas
• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável
• Tomada de decisão por consenso
• Tapioca: regional, gostosa e sustentável
• Para ter uma composteira caseira
• Água no copinho plástico? Tô fora!
• Música para sentir a natureza
• Bioconstrução e desastres naturais
• Democracia, consenso ou autocracia??
• Para construir uma comunidade
• O prazer das compras solidárias
• Poluição e Arte dentro do túnel
• Riqueza para além do dinheiro
• Nós e a natureza, conectados
• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party
• Horta vertical para pequenos espaços
• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval
• Aprendendo a costurar com a avó
• Festa infantil não precisa ser descartável!
• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária
• Permacultura: do linear ao cíclico
• Cinco dias com o arquiteto descalço
• Sustentável é também saber ouvir
• Permacultura: transformando problemaem solução
• Falta de civilidade é fogo (na mata)!
• Design natural é tudo de bom!
• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?
• Abaixo as fraldas descartáveis!
• Histórias de uma outra gastronomia
• Uma outra gastronomia – parte 2
• Por uma dieta que respeite o planeta
• Construtoras precisam se adaptar
• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!
• Disk-pizza e permacultura na geladeira