BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Medicina ecológica? Giuliana Capello - 11/05/2010 às 10:45
Não sou de tomar remédio. Passo até por enxaqueca sem botar um comprimido na boca. Quando tive cálculo renal, dois anos atrás, tomei analgésico umas duas ou três vezes e nada mais. Cinco dias de dor e uma limpeza emocional enorme. Aprendi a viver apesar da dor. Talvez eu seja meio maluca mesmo. Mas o fato é que faço de tudo para me desviar da indústria farmacêutica, que não cura ninguém, apenas corta os sintomas. Não por acaso sigo a homeopatia e acredito muito no poder preventivo da boa alimentação.
Talvez também não por acaso, as doenças que tive até hoje faziam parte de uma lista nebulosa para a qual a medicina ocidental não tem respostas o bastante: síndrome do pânico na adolescência (foi um inferno!), enxaqueca e alergia a gato. Todas elas, quando levadas ao consultório médico, são tratadas com remédios para apagar a dor e seus efeitos, mas nunca eliminar suas raízes. E mais: para a alergia, por exemplo, a vacina que existe ainda nem tem resultado ou eficácia comprovados. Assim não dá. Conclusão: nunca tomei remédio para nenhuma delas. A consequência? Bom, estou aqui, firme, forte e saudável mas ainda sem poder chegar perto de um gato, é verdade.
Agora, porém, estou na mira do Ministério da Saúde, na faixa etária entre 30 e 39 anos que está sendo convidada a tomar a vacina contra a gripe H1N1. O que fazer? Vou consultar minha médica homeopata, mas já sei que, no fim, terá de ser uma escolha minha. E baseada em quê? Você também deve ter recebido dezenas de emails falando mal da vacina, que é perigosa, que contém metais pesados, que pode provocar reações adversas graves, blábláblá. Os órgãos de saúde, por sua vez, tentam tranquilizar a população, desmentindo todos os boatos. Mas mesmo assim, difícil é ir lá tranquilo e entregar o braço ao enfermeiro para uma picadinha rápida e cheia de incertezas.
Aí está: a incerteza. Existe algo que você faça hoje que não carregue um tanto de incerteza? Quem é que consegue hoje em dia dar uma resposta absoluta, livre de qualquer contradição, exceção ou arbitrariedade? Por outro lado, o que é a vida senão um mar de incertezas? Esse não é exatamente o bonito da vida? Sei lá.
O problema é questionar demais. E isso, para quem tenta criar um caminho menos mainstream, como esse pessoal mais eco-alguma-coisa é parte inquestionável. É preciso questionar o tempo todo: devo comprar esse ou aquele produto? Ou devo não comprá-lo? O que é mais eco: usar sabão líquido ou sabão em pedaço? Gás natural é menos poluente mesmo? E o álcool? Transgênicos fazem mal à saúde? Como faço para reformar minha casa sem impactar tanto o meio ambiente? Como catar o cocô do cachorro na rua, com saco plástico ou papel? Tomar ou não tomar a vacina? Aiai…
No fim, sempre fico com a sensação de que a resposta está dentro de nós e que, por mais que pesquisemos sobre o assunto em questão, acabamos por dar crédito a alguém que deu a resposta que queríamos ouvir. Por exemplo: no caso da vacina contra a gripe suína, certamente se eu perguntar a um médico no posto de saúde ele vai dizer: é claro que você tem que tomar. Mas se eu for perguntar para médicos mais alternativos, já posso imaginar que alguns deles, pelo menos, dirão que não é necessário, que a gripe H1N1 não é nada além de uma gripe comum etc. e tal. A pergunta, então, é: quem eu quero ouvir?
Tenho vários e vários amigos prá lá de alternativos que, de uma forma ou de outra, transgrediram a norma padrão – desde oferecer aos filhos uma dieta 100% vegetariana até a não vaciná-los na infância, ou botar na escola só depois dos sete anos, não ter tv em casa e essas coisas consideradas absurdas por muitos de nós. O problema, ou melhor, o mais curioso, é que essas crianças hoje são absolutamente saudáveis, felizes, funcionais, criativas, de bem com a vida. Nenhuma delas tem cara de doente, de apático, de desequilibrado ou o que quer que seja. Agora, tem um detalhe: todas elas tiveram uma opção, um caminho diferente. Não foi simplesmente negar e deixar como está, sem oferecer nada no lugar. Não. Os pais foram atrás de alternativas, de um outro jeito de encarar cada situação, com suporte de especialistas e tudo a que se deram o direito.
Acredito na força dos contraventores… Eles fazem a sociedade se mover, tiram a gente da inércia. Imagina o que seria do mundo se não fossem aqueles que, um dia, pensaram diferente das disposições estabelecidas? Um marasmo, monotonia infinita, um lugar sempre em preto e branco (mas sem a poesia dos tons cinzentos). Ainda assim, tudo que escrevi são dúvidas, questionamentos, e não posições fechadas ou seriam radicalismos. E, ufa!, tenho ainda alguns dias para pensar sobre a vacina. Alguém me ajuda?
ver este postcomente
11/05/2010 às 12:27 Anonymous - diz:
Sâmella – diz:Sobre os boatos: http://bit.ly/9c1kNtUltilize a fitoterapia no dia-dia querida;Mas creio que a vacina não irá fazer mal algum.Eu já estou vacinada e nada me ocorreu.Também gosto muito desse mundo “ecologico” porem ainda não botei em prática, preciso estudar mais sobre as plantas. Mas suportar uma dor de cabeça não é comigo, apelo direto pro remédio, fora isso gripe e etc é a comidinha caseira, forte da mamãe
Boa sorte!
11/05/2010 às 13:40 Anonymous - diz:
Fernando – diz:Curti muito seu texto e tenho muitas destas dúvidas também!Acho q todo mundo tem (principalmente as mulheres) uma intuição interna q indica o caminho a ser seguido… Eu procuro sempre ver o caminho que menos agride a mim e a natureza… limitado às condições socio-econômicas que me encontro né..rs.. Acho que, através de nossas escolhas, mesmo que pequenas, vamos moldando o mercado e influenciando nas escolhas dos outros…Um grande beijo,Fernando.
11/05/2010 às 13:51 Anonymous - diz:
Mauricio Zylbergeld – diz:Prezada amiga.Sou médico de formação alopática, que após anos de clÃnica e cirurgias, conheceu o mundo da medicina vibracional, holÃstica, homotoxicológica e etc. CONCORDO LITERALMENTE, com o que vc. descreveu no seu texto. Muitos são os pacientes que me fizeram a pergunta sobre o uso de vacinas. A todos respondi que, pessoalmente, não faço uso das mesmas. Mas isso só não bastava como médico. Havia a necessidade das justificativas e basicamente são simples, ou seja, manter seu terreno biológico, seu mental, seu fÃsico, sua alimentação, todos equilibrados. Evitar aglomerações. Estes são preceitos básicos para uma excelente qualidade de vida.Se formos penetrar no mundo bioquÃmico e microbiológico dos medicamentos, veremos que muitas mais razões teremos para evitá-los. Finalmente e depois de todos êsses comentários, deve-se deixar o paciente à vontade para fazer uso ou não do produto.Atenciosamente,Dr.Mauricio Zylbergeldwww.aldeiasaude.com.br
11/05/2010 às 15:16 Anonymous - diz:
Diana – diz:Rsrsrs.
12/05/2010 às 18:29 Anonymous - diz:
Marcelo – diz:Oi Giu, nos arquivos do grupo “vacinaveritas” do yahoo tem bastante informação científica.A minha opinião pessoal é: continue no “aqui e agora” e desencana de tomar a vacina. Bjs!
14/05/2010 às 13:33 Anonymous - diz:
Juliana Ferrari – diz:Giu, concordo com você… minha “faixa de vacinação” já passou, tive algumas pressões psicológicas, mas eu segui o caminho do meu coração, o que a minha intuição me disse e ouvindo alguns recomendações médicas (aqueles que eu quis ouvir), como o do Dr. Mauricio e não tomei a vacina. Acredito que essa forma de compensação que você comentou é totalmente possível, sim! Pra mim mudanças nos hábitos diários em busca de qualidade de vida, ao contrário da vacina, é garantia de bem estar e saúde!Beijos querida!Ju
17/05/2010 às 10:18 Anonymous - diz:
Léia – diz:Bom, Giu, apesar de já estar fora da faixa etária pra vacina (ai, ai!), eu não tomaria. Minha médica, homeopata, diz que já estou medicada. Ou seja, estou sendo tratada, mas de outra forma. (Quando falo isso aqui no trabalho, os alopatas acham um absurdo!) Por enquando está dando certo. bjs.
20/05/2010 às 10:24 Anonymous - diz:
Ana Paula – diz:Eu estava no maior dilema com essa vacina e aqui em casa ninguém vacinou. Vou continuar fazendo como a Juliana disse, seguir meu coração.Abraço,
31/08/2010 às 23:49 Anonymous - diz:
Alessandra – diz:Por isso acredito tanto e sou militante da educação… É por meio dela que podemos sensibilizar pelo menos parte das pessoas que habitam essas áreas… se assistissem menos TV seriam menos inundados com tanta baboseira consumista.
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
• Ser limpinho num planeta sujinho?
• A simplicidade e a crise de imaginário
• Dias de mudança e gentilezas!
• Meio ambiente: por que custo e não investimento?
• Discurso sustentável tem limite
• A cidade, o campo e a estrela Sinhá
• A mágica das trocas de saberes
• Ideias para esverdear a construção
• Teste drive do banheiro seco
• O planeta numa bandeja (de isopor)?
• Reflexões sobre o slow life e a internet
• Vasos para melhorar o trânsito
• 2012: ano para entender o planeta
• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais
• O caipira e a mobilidade urbana
• O que dar a alguém que já tem “tudo”?
• Pela volta do fogo doméstico
• O empurrãozinho que faltava…
• Um lugar em você chamado Ahimsa
• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração
• Um guarda-chuva para dois verões
• E quando não há rede de esgoto?
• Quem casa quer casa (ecológica!)
• Se não é divertido, não é sustentável
• Secador solar e generosidade
• Doze metros de muita história
• Liberdade anda junto com sustentabilidade
• Produtos que não deveriam existir
• Lixo é uma questão topológica
• Você e o fim da sacolinha em SP
• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?
• O descaso com o lixo orgânico
• Espiritualidade e vida comunitária
• Produzir ou consumir cultura?
• Trocas solidárias que enriquecem
• Acordos comunitários para a ecovila
• Por que o simples é tão complicado?
• Só tecnologia não salva o planeta
• Bioconstrução na serra fluminense
• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!
• Permacultura para transformar
• A nova história dos três porquinhos
• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!
• Dias de mudança (e desapego)
• Sustentável e mais barato, sim!
• Ecovila: mutirão na represa!
• Superadobe ou terra ensacada
• Primavera com onça e lobo-guará!
• Bioconstrução para multiplicar
• Por que adoro hortas permaculturais
• Sobre a formação de uma ecovila
• Quando o tamanho é documento
• Terra fértil e sangue menstrual
• O centro comunitário da ecovila
• Qual é a sua sustentabilidade?
• Ecodesign para cuidar do planeta
• Home centers e produtos ecológicos
• Ecovila com horta… e sem delivery
• A conta de gasolina na ecovila
• Patos, galinhas e outros bichos
• Esperança e cooperação na ecovila
• A COP15 e a síndrome do panetone
• Histórias de uma parteira na Amazônia
• Ecovila e sustentabilidade econômica
• Um carro, um jipe ou um cavalo?!
• Para iluminar a casa e curtir a noite
• Uma casa para abrigar nossos sonhos
• Uma moldura para o horizonte
• Quando o ecológico não é bem ecológico
• Não sei se é verdade, mas repasso?!?
• Por que adoro feiras de trocas
• Minha casa num programa de tv…
• Ah, esse excesso de e-mails…
• Socorro, não aguento mais SP!
• Para tecer uma vida na ecovila
• Entre na onda das roupas usadas
• Mata atlântica: mais que uma efeméride
• O que fazer com a madeira que sobrou?
• Histórias de reúso, economia e bons amigos
• Sua casa pode ser uma ecovila
• Meu telhado verde, verdinho, verdinho
• Celebrar ajuda a enfrentar problemas
• O segredo da abóbora mágica…
• Quanto vale o nosso trabalho?
• Meus vizinhos, minha família
• De que é feita a minha casa?
• A alegria de viver em comunidade
• Crise financeira ou chance para o planeta?
• O que eu vou fazer numa ecovila?
• Construir com as próprias mãos
• Confissão: eu não passo roupas
• As ecovilas e as mudanças climáticas
• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável
• Tomada de decisão por consenso
• Tapioca: regional, gostosa e sustentável
• Para ter uma composteira caseira
• Água no copinho plástico? Tô fora!
• Música para sentir a natureza
• Bioconstrução e desastres naturais
• Democracia, consenso ou autocracia??
• Para construir uma comunidade
• O prazer das compras solidárias
• Poluição e Arte dentro do túnel
• Riqueza para além do dinheiro
• Nós e a natureza, conectados
• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party
• Horta vertical para pequenos espaços
• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval
• Aprendendo a costurar com a avó
• Festa infantil não precisa ser descartável!
• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária
• Permacultura: do linear ao cíclico
• Cinco dias com o arquiteto descalço
• Sustentável é também saber ouvir
• Permacultura: transformando problemaem solução
• Falta de civilidade é fogo (na mata)!
• Design natural é tudo de bom!
• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?
• Abaixo as fraldas descartáveis!
• Histórias de uma outra gastronomia
• Uma outra gastronomia – parte 2
• Por uma dieta que respeite o planeta
• Construtoras precisam se adaptar
• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!
• Disk-pizza e permacultura na geladeira