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Maternidade e natureza Giuliana Capello - 30/11/2010 às 17:25


Na última semana, três notícias me levaram ao mundo incrível dos bebês. A primeira, de uma amiga que anunciou a gravidez, feliz da vida. A outra, de um casal querido que ganhou o lindo presente de dar à luz no aconchego de casa, com apoio de uma médica maravilhosa (por sinal, a amiga grávida citada na primeira boa notícia). Foi um parto natural, sem estresse, com muito amor e emoção. Por último, a novidade de uma empresa social de Ubatuba, litoral paulista, que produz artigos para mamães e bebês que anseiam por um planeta mais limpo e saudável, com fraldas e absorventes de pano laváveis e reutilizáveis em vez de modelos descartáveis altamente poluidores.

Juntando isso tudo, o resultado é um caldo que, se pudesse, berraria ao mundo “Ei, que tal rever alguns conceitos?” Por exemplo: depois de décadas de partos com cirurgias sendo vistos como sinal de conquistas da medicina e da ciência, algumas mães se preparam durante a gestação e fazem a opção pelo parto natural, uma volta às origens – com a segurança, sim, da medicina ocidental por perto, em caso de alguma dificuldade. É um jeito de as mulheres se reconectarem com a natureza e sua força original que, de tão pouco usada (em função das “facilidades” do mundo moderno), está bastante esquecida por muitas de nós.

Já tive a oportunidade de conviver com várias amigas grávidas que fazem questão de estudar e ler tudo sobre como criar uma criança de forma mais harmoniosa e menos impactante para o planeta. Não dizem que um dos problemas da Terra é a superpopulação? Então, mas mesmo com a taxa de fecundidade em baixa no Brasil, é preciso considerar o estilo de vida de cada um para saber a pegada ecológica mais exata de cada novo habitante. Certamente, cultivar hábitos mais ecológicos reduz o problema – e é muito bom que isso aconteça já na gestação desses bebês. O rastro de cada um de nós depende do que comemos, do que fazemos no dia a dia, de como nos relacionamos com o lixo que produzimos, de tudo o que consumimos e deixamos de consumir, de como nos deslocamos de lá para cá. Nunca me esqueço de uma frase que um amigo me disse: “Quero fazer parte não da geração que destruiu o planeta, mas da geração que conseguiu reverter os estragos e restabelecer o potencial de longevidade da Terra”. Não é bacana?

Aos poucos, começam a pulsar iniciativas que falam essa mesma língua. Mamães que encaram investir mais tempo em tarefas “menos práticas” (mas que também são menos agressivas ao planeta), como optar pelas fraldinhas de tecido e preparar papinhas com legumes orgânicos ao invés de comprar similares pré-prontos industrializados, são cada vez mais comuns. Não é fácil porque o tempo todo convivemos com o marketing agressivo que implora por compras, praticidade, agilidade, agenda cheia, sucesso na carreira, babás para as crianças, comida fácil etc. e tal. Quem não segue “na linha” é visto como maluco, hippie, fora do espírito do tempo. Será que é isso mesmo?

Não dá mais para ficar achando que modernidade é sempre sinônimo de vida melhor. Ouço muita mãe dizer que jamais usaria fraldas de pano nos filhos, porque dá muito trabalho, não faz sentido e há modelos mais “modernos” que são mais práticos. E quem disse que praticidade tem a ver com respeito pelo planeta? Nem sempre é assim e os exemplos são dispensáveis de tão óbvios.

O legal dessa história é que duas ou três gerações precisam juntas e ao mesmo tempo rever comportamentos. Criar filhos mais leves para o planeta implica mudanças de rotina na vida de pais e mães e também avós, babás, professores, amigos e por aí vai. É um círculo virtuoso belíssimo do qual quero, sem dúvida, participar – e em breve.

Dica de site: Mamãe Natureza – empresa de que falei, que vende fraldinhas de pano e outros produtos para mães e bebês. As crianças fofas da foto são modelos mirins da marca… (Foto: Paula Poltronieri e Gabi Perissinotto)

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Comentários

01/12/2010 às 22:42 Anonymous - diz:

Lindemberg – diz:Sabe… eu tb achava ser possível usar essas fraldas de pano… isso antes de ter filhos… a hora q eles vem vc vê q são verdadeiras maquininhas de fazer cocô… não tem varal q caiba tanta fralda.

03/01/2011 às 20:04 Anonymous - diz:

Marcia – diz:E agora temos também as importadas aqui no Brasil: http://www.fraldasdipano.com.brSão mais fáceis de lavar e secar e o impermeável é de PUL ( um tecido respirável) e não de plástico! AH! Elas tb crescem com o bebê, por isso mesmo ficam muito mais econômicas!

28/03/2011 às 15:20 Anonymous - diz:

pq isso? – diz:em?

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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