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Máquinas descartáveis?!? Giuliana Capello - 03/08/2010 às 16:21

Já fazia um bom tempo que a minha impressora não funcionava bem. Isso nem chegava a ser um grande problema, já que raramente imprimo alguma coisa no escritório de casa. Mas depois de pagar – algumas vezes – R$ 1 por página para imprimir documentos urgentes na papelaria do bairro, achei que, de repente, valeria a pena investir numa nova máquina – na verdade, meu marido, que tem um pouquinho mais de paciência do que eu para essas coisas, foi atrás de uma nova.

Essa história, apesar de banal, mostra como a indústria, em certos pontos, ainda está a zilhões de anos-luz de uma ética mais sustentável. Por isso, resolvi usá-la aqui no blog quase como uma denúncia contra processos industriais inadmissíveis que, no entanto, estão por aí, pelos quatro cantos do planeta.
 
Em primeiro lugar, acho um absurdo essa nova onda de não se consertar mais nada. Já reparou que muitas máquinas quando quebram simplesmente “não têm conserto”? Elas são feitas para serem trocadas depois de poucos meses de uso, seguindo um conceito estapafúrdio de design que os teóricos costumam chamar de obsolescência programada. E, mesmo quando há a possibilidade do conserto, o preço do serviço, com frequência, é superior ao de uma máquina novinha, pode? O resultado desse descaso é o consumo de mais e mais matérias-primas, água e energia para a produção de novos produtos.

Em segundo lugar, tem o problema de descartar a máquina antiga – e gerar lixo, é claro. Por enquanto, minha impressora “velha” ainda está em casa. Vou pesquisar uma ONG para receber equipamentos eletrônicos e ver se consigo dar um destino menos “sujo” a ela. Mas e quem não tem tempo ou paciência para isso? Faz o quê? Joga no lixo junto com os restos de comida e os sacos plásticos?? Provavelmente… Parênteses: vi recentemente uma pesquisa feita nos EUA que dizia que os moradores têm, em média, de quatro a sete equipamentos quebrados (tv, aparelhos de telefone, geladeira, computadores etc.) guardados em casa por não saberem o que fazer com eles.

E tem ainda o drama dos cartuchos de tinta! Conversando com um vendedor de uma grande loja de equipamentos  eletrônicos, ele disse que os fabricantes estão lançando uma nova impressora a cada três ou quatro meses. A diferença entre um modelo e outro? Só o encaixe ou o tamanho do cartucho de tinta. “Eles fazem isso para evitar que dê tempo de empresas paralelas fabricarem cartuchos genéricos”, explicou o cara da loja. Com isso, a impressora “antiga” sai de linha e o consumidor, quando descobre algum problema na máquina, é quase obrigado a comprar uma nova, ou porque o conserto ficaria muito caro ou porque foi convencido pela indústria a achar que seu modelo está obsoleto…

Às vezes, parece-me que a última coisa que passa pela cabeça dos fabricantes é o compromisso ou respeito pelo meio ambiente – e pelas pessoas. Porque só mesmo uma falta completa de consciência e conhecimento sobre os problemas gerados por essa cadeia produtiva insustentável poderia justificar uma conduta como essa. Tenho vontade de simplesmente abolir algumas máquinas da minha vida. Acho que seria mais feliz ou, pelo menos, não ficaria com essas questões pesando sobre o travesseiro. Vamos ver quanto tempo vai durar essa impressora nova. Depois dessa, não sei se vou querer outra!

 

 

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Comentários

03/08/2010 às 16:57 Anonymous - diz:

HERNANDO – diz:Giuliana,por que razão esses grandes capitalistas agem como se os recursos do planeta terra fossem eternos? Preocupamo-nos com essa questão por entendermos que, do jeito que está, as futuras gerações vão ter sérios problemas para sobreviverem. Será que a ambição para ganhar dinheiro fazem com que as pessoas ignorem o futuro da humanidade e até mesmo a sua prole? Outra coisa: destruindo o planeta, para que servirá o poder?

03/08/2010 às 17:34 Anonymous - diz:

Yara – diz:Olá Giuliana, td bem?Acompanho seu blog faz tempo, mas sempre digo pra mim mesma que vou escrever e acabo deixando pra depois. Vou tentar mudar isso…rsEnfim, segue abaixo alguns endereços que podem te ajudar na sua doação. Concordo com seu ponto de vista, tbm sofri o mesmo qdo mudei de impressora.Abrs!Associação Brasileira de Excedenteshttp://www.abre-excedente.org.brCasas André Luizhttp://www.andreluiz.org.brComitê pela Democratização da Informáticahttp://www.cdi.org.br Exército de Salvaçãowww.exercitodesalvacao.org.brMuseu do Computadorhttp://www.museudocomputador.com.br

03/08/2010 às 21:10 Anonymous - diz:

Marcello Santo Nicola – diz:Tenho 2 monitores CRT, um microondas e trocentas lâmpadas de mercúrio queimadas que não sei aonde jogar! Até hoje não achei um local no Rio que receba lixo eletrônico…

04/08/2010 às 08:45 Anonymous - diz:

Cezar Lemos – diz:Além de às vezes ter equipamentos que não funcionam mais e têm o conserto muito caro, agora começo a transformar equipamentos quebrados e sem conserto em objetos de arte por mim mesmo.Fica a dica!

04/08/2010 às 15:39 Anonymous - diz:

Bia Couto – diz:Olá, Giuliana!Sugiro que vc visite o site http://www.e-lixo.org/ o projeto E-lixo Maps, uma parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e o Instituto Sergio Motta, lá vc insire o seu CEP, o número do local e o tipo de e-lixo que você precisa descartar.

05/08/2010 às 12:56 Anonymous - diz:

Michel Cantagalo – diz:Olá Giuliana!Sou da clareando tbm (novo membro). Nos conhecemos no corpus cristi (galera kung fu fighting).Esses elementos pesam no meu travesseiro tbm. No caso de impressão o que sigo é não ter impressora e usar tercerizada por alguns pontos, o mais importante deles: Por mais que seja caro garanto se colocarmos na ponta do lapis os custos sociais e ecológicos da impressão veremos que é melhor pagar por impressão, do que ter uma impressora. Existem outros pontos, mas meu comentário já esta grande demais… um abraço!

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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