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Lunática com muito orgulho Giuliana Capello - 16/08/2011 às 20:02


Ontem meu marido me contou um diálogo rápido que teve com duas colegas de trabalho. Elas estavam comentando sobre um filme que entrou em cartaz esta semana em São Paulo, depois falaram sobre uma notícia que haviam lido num grande jornal. Ele, em ambos os casos, não sabia das novidades, mas não se deixou abalar pelo leve olhar de reprovação das amigas e, então, perguntou a elas: “Vocês sabem me dizer em que fase da Lua estamos?” Era noite de segunda-feira, Lua cheia, linda. E elas não tinham reparado…

Esse tipo de situação me faz refletir sobre nossa noção de conhecimento, de pessoa bem informada. Não estou pregando a alienação do mundo, muito longe disso (ou teria escolhido outra profissão), mas acho que mais importante do que saber o nome da última celebridade desconhecida que caiu fora do reality-show-sem-graça é estar ligado nos ciclos naturais, que nos guiam em nossa ecologia interna (sim, isso existe). Há uma troca, uma interdependência que pode ser muito saudável. Ter vontade de se recolher nos dias de chuva ou se sentir mais ativo num dia ensolarado é sinal de saúde, não uma desculpa para tomar uma pílula pasteurizadora de humores…

Diz o dicionário Aurélio que lunático é aquele que está sob a influência da Lua. Não sei não, mas acho que, colocado dessa forma, o termo tem uma conotação pejorativa, quase um jeito torto de dizer que certa pessoa anda meio desligada do mundo ou ligada demais em seus instintos, aluada, amalucada… Prefiro pensar que todos nós estamos sujeitos às mudanças da Lua, especialmente as mulheres – por conta do ciclo menstrual, talvez, que coincide (ou deveria coincidir, no equilíbrio) com o tempo que nosso satélite leva para completar uma volta em torno do eixo da Terra. Não por acaso, dias de mudança de lua costumam ser os mais concorridos nas maternidades…

Aceitar que somos parte da natureza é o primeiro passo para nos tornarmos mais afinados com as necessidades do planeta. Viver em ambientes herméticos, em que a luz artificial e o ar-condicionado nos fazem esquecer a passagem do tempo, ao contrário, mantém-nos distantes de acontecimentos importantes: um vento que anuncia uma queda brusca de temperatura; nuvens escuras, arauto das tempestades.

Em tempos de mudanças climáticas, parece-se importante estar atento ao que ocorre ao nosso redor. Por que dias tão quentes no inverno paulista ou secos ao extremo no Planalto Central? O que isso tem a ver comigo e de que maneira isso interfere no meu estado de espírito? E se nada disso me influencia, o que isso significa? Perguntar, questionar, filosofar sobre temas relacionados ao clima, aos astros, às estações do ano, enfim, eram atos comuns na maioria das civilizações antigas. Mas eis que a humanidade atingiu o ápice da vaidade e da soberba, e disse a si mesma que reina sobre a natureza, amiga que é da Ciência…

Seria tão melhor se pudéssemos caminhar ao encontro da natureza e não na direção oposta… Haveria tempo para um verbo que adoro: contemplar. Na permacultura, um dos princípios passa exatamente por aí, de uma forma mais pragmática, é verdade: observar e interagir. Por isso, resolvi compartilhar com você algo que recebi como um presente. Sábado passado eu estava na minha casa na ecovila com uns amigos, quando, de repente, fomos arrebatados pelo nascer da Lua cheia, que nos banhou com uma beleza que Caetano chamaria de estonteante… Graças aos vidros usados que instalamos na parede principal da sala (foto), pudemos ver, de dentro da casa, a Lua em seu estado pleno de luz, em ascendência tão rápida que parecia ter pressa de ser vista por todos. Tão simples, tão inominável.   

 

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Comentários

16/08/2011 às 22:11 Anonymous - diz:

Marcia Carini – diz:Giu, que lindeza de post! Procuro a lua todos os dias quando saio do trabalho. O céu de São Paulo não ajuda muito, mas até que nos vemos com frequência. Quando passa um tempo sem nos encontrarmos, tenho saudade e sopro para ver se as nuvens dão passagem. Sei mais da lua do que de qualquer novela… Ainda bem… beijos, Marcinha

17/08/2011 às 11:39 Anonymous - diz:

SAMUEL VIEIRA DESIDERIO – diz:Parabéns… Muito bom seu ponto de vista… e seu marido também foi espetacular na pergunta. Bom seria se cada arranha céu tivesse um observatório para as familias “observar e interagir” as maravilhas da natureza.postei o seu texto e sua imagem no meu blog.. http://barrinhanatural.blogspot.com/

17/08/2011 às 12:33 Anonymous - diz:

Rita Papaiz – diz:Como é necessário, mais do que nunca nos dias de hoje, contemplar, refletir, inspirar fundo, meditar,admirar,viajar, imaginar….são ferramentas da nossa alma para encontrarmos nossa verdadeira consciência dentro de nós. Que bom, mulher, que você pode contemplar a lua da sua casa, que bom você se assemelhar a uma criança que sabe brincar com o simples da vida!

17/08/2011 às 17:27 Anonymous - diz:

Cecília Lima – diz:Adorei a matéria. É preciso entender que viver em sintonia com a natureza e com o que nos cerca é viver de maneira saudável e equilibrada. Com certeza se exergassemos de fato, tudo que existe em nossa volta viveriamos numa sociedade mais humana, desfrutariamos de mais afeto. A tela do computador não reflete o brilho do sol, o verde, o mar,.. tudo que esta tão perto, mas que tornamos distante de nós.

17/08/2011 às 17:28 Anonymous - diz:

Cecília Lima – diz:Cecília Lima – diz:Adorei a matéria. É preciso entender que viver em sintonia com a natureza e com o que nos cerca é viver de maneira saudável e equilibrada. Com certeza se exergassemos de fato, tudo que existe em nossa volta viveriamos numa sociedade mais humana, desfrutariamos de mais afeto. A tela do computador não reflete o brilho do sol, o verde, o mar,.. tudo que esta tão perto, mas que tornamos distante de nós.

17/08/2011 às 22:00 Anonymous - diz:

Gabriel Issler – diz:Concordo plenamente com o post. Sempre penso a respeito de como estamos cada vez mais nos afastando da natureza, a ponto de não nos considerarmos parte dela.. É triste demais. O estilo de vida atual, da modernidade, das grandes cidades, da tecnologia, faz com que vivamos numa realidade artificial.Gostaria eu de escapar dessa babilonia e voltar a contemplar (como vc disse) a vida, a natureza, os astros, rios e florestas… Quem sabe um dia……

18/08/2011 às 16:42 Anonymous - diz:

BEATRIZ – diz:As pessoas estão tão ocupadas em perder tempo em coisas fúteis e sem importância,que são manipuladas pela rede de televisão(como por exemplo qualquer reality show);que elas esquecem de contemplar Deus,a vida,prestar atenção nas coisas mais lindas.Um momento pode valer pra uma vida inteira,um momento não volta e pode ficar pra sempre na lembrança,como por exemplo um simples luar apaixonante,que Deus nos deixou, pra nos lembrarmos de sua superioridade,grandeza e poder…

31/08/2011 às 13:40 Anonymous - diz:

roseperiodista – diz:Mi primer blog si llamaba lunaticasinfovirtuales era do BOL asistente criación en francés “Pierre” el hablaba con quien estaba postando muy divertido…Un bello dia 2002 desapareció por completo y quase mori literalmente.No tenia back up. Mi blog es como un hijo.Hoy tengo http://www.totalmentezenblogspot.comtwitter roseperiodistavibeflogtotalmentenzenvibeflogmeninazenSonico Hi FiFacebookotros no me acuerdo.8 correos e-mails me dejan sin tiempo contestar todos humanamente misión imposible.Twitter mi suga todo el tiempo, tengo me policiar no pasar eldia,noche, madrugada contestando y pesquisando lo que recibo.Amo mi profisón: periodismo ciudadano, ecológico es como respirar.Soy bloguera periodista ativista. El plan de Dios es que nosotras responsables por es social presente el poder superior hacia los cépticos en la naturaleza.Hasta pronto!¡Felicitaciones!

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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