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Livrai-nos dos pecados do greenwashing! Giuliana Capello - 23/11/2010 às 19:19

Antes de mais nada, vamos traduzir esse termo? Greenwashing significa “verniz verde” ou maquiagem, mas podemos falar em marketing oportunista e falso mesmo. Trocando em miúdos, essa classificação tem sido associada a empresas que rotulam seus produtos de ecológicos de maneira inapropriada, inadequada. E como a bola da vez está na desgastada palavrinha sustentabilidade, a quantidade de produtos com esse “diferencial” vem aumentando dia após dia. Todo mundo agora quer oferecer produtos ecológicos, mas nem todos entendem que isso requer mais do que estampar um selinho verde na embalagem.

Para não cair em armadilha, vale a pena conhecer os Sete Pecados do Greenwashing, que integra o relatório de 2010 publicado pela empresa americana de consultoria e marketing ambiental Terra Choice. Ela avaliou este ano quase 5300 produtos anunciados como verdes no Canadá e nos Estados Unidos. Na lista estão produtos de saúde e beleza, brinquedos, materiais de construção e decoração, eletrônicos, produtos de limpeza, artigos de escritório, entre outros. O resultado foi alarmante: apesar do crescimento de 73% (de 2009 para 2010) no número de produtos encontrados nas lojas com algum diferencial ecológico, mais de 95% dos fabricantes cometem, pelo menos, um dos sete deslizes mais comuns do verniz verde. Os relatórios completos de 2010, 2009 e 2007 estão disponíveis no site para leitura e download. Recomendo!

Aqui, separei algumas pérolas do greenwashing para você ficar atento – e até rir (se puder) dos absurdos cometidos por falsas empresas verdes. Elas deveriam ficar roxas de vergonha, isso sim…

1. Falta de provas: tem fabricante por aí que anuncia um monte de vantagens ecológicas de seus produtos, mas não dá acesso a informações que comprovam os argumentos de sua publicidade. Isso é bem comum. A empresa diz, por exemplo, que o produto ‘Eco-qualquer coisa’ tem 60% de material reciclado ou economiza até 20% de água, mas não oferece nenhum documento ou laudo técnico que prova essa informação. Assim é fácil, não?

2. Irrelevância: outro pecado comum é divulgar uma “vantagem verde” que não passa de obrigação do fabricante. Quer um exemplo? Colocar como diferencial ecológico o fato de o produto não ter CFC (gás que destrói a camada de ozônio) não quer dizer nada em países onde ele foi banido por lei. Chega a ser ridículo. Aqui no Brasil ainda tem fabricantes de bacias sanitárias colocando selinho verde em modelos com descarga de seis litros, quando na verdade esse volume já virou o limite permitido pelas normas técnicas.

3. Dos males, o menor: essa é para rir (ou chorar). Até produtos que agridem o meio ambiente ou são prejudiciais à saúde também querem embarcar na onda ecológica. Assim, mesmo que eles tenham muitas características intrínsecas condenáveis, o fabricante cria um diferencial dentro da categoria de produto que ele comercializa e não se inibe em se autoclassificar como ecológico. Um exemplo bem ilustrativo desse pecado são os cigarros orgânicos e os combustíveis eficientes para carros esportivos…

4. Imprecisão: para ganhar espaço nas gôndolas verdinhas, vale quase de tudo. Muitas empresas usam definições vagas que podem confundir o consumidor, como rotular de “100% natural” produtos que contêm substâncias tóxicas que são encontradas na natureza (mercúrio e arsênico, por exemplo). Nem sempre ser 100% natural é sinônimo de coisa boa.  Se não ficarmos atentos, é capaz de alguém sair por aí defendendo o petróleo como produto sustentável…

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Comentários

25/11/2010 às 16:50 Anonymous - diz:

Michel. – diz:Adoreio o post Giu!

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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