BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Home centers e produtos ecológicos Giuliana Capello - 23/03/2010 às 12:21
Você já experimentou entrar numa loja de materiais de construção e pedir algum produto ecológico? Se já, provavelmente deve ter se sentido um E.T. diante do olhar desconfiado do atendente. As poucas exceções que me perdoem, mas esses home centers estão a zilhões de quilômetros de entender a necessidade de comunicar aos clientes os diferenciais ecológicos dos produtos. Fica tudo misturado nas prateleiras e gôndolas e, por isso, quem quer fazer compras mais conscientes encontra um desafio enorme a cada escolha: analisar rótulo por rótulo, procurar algum selo de certificação ou qualificação de produto sustentável e tentar distinguir entre a maquiagem verde (que, infelizmente, é bem comum) e as iniciativas legítimas e verdadeiras. Isso sem falar nas constantes pesquisas via internet para tentar desvendar esse mundo das substâncias químicas prejudiciais à saúde, níveis de compostos orgânicos voláteis (COVs) nas tintas e vernizes, análise de ciclo de vida, forma de descarte, componentes reciclados, recicláveis, naturais, certificados, ecológicos, sustentáveis… ufa!No último fim de semana, lá fomos eu e meu marido visitar algumas dessas lojas, para fazer pesquisa de preços de produtos de acabamento: piso, cuba e bancada para a cozinha, entre outros itens. E que canseira! Nós, que estamos tentando construir de forma consciente, ficamos exaustos com tanta opção e tão pouca informação imagine se alguém que não está muito preocupado com isso vai ter qualquer incentivo para comprar um produto menos agressivo ao meio ambiente. Produto ecológico em home center custa mais, quase sempre. E por isso ganha pecha de luxo para poucos.
E tem mais: por mais que você tenha pesquisado e conheça alguns critérios importantes para escolher uma opção mais sustentável, nas lojas não dá muito para analisar o que poderia ser melhor sob esse ponto de vista. Pouquíssimos produtos trazem informações sobre o processo produtivo, as matérias-primas utilizadas etc. Quando muito estampam um selo de produto verde, mas nem se dão ao trabalho de explicar o porquê daquele rótulo. Dá para confiar?
A questão, então, é a seguinte: como não desanimar diante dessas compras, se pensarmos que uma obra requer centenas de produtos diferentes? Eu, pessoalmente, me esforço nesse sentido porque acredito que a tendência é termos cada vez mais produtos de qualidade com características de sustentabilidade e que, se houver pressão por parte dos consumidores, os fabricantes e as lojas poderão, aos poucos, mudar de comportamento. Se olharmos para trás, já houve um avanço. Os aquecedores solares de água são um bom exemplo. Antes, só apareciam em lojas grandes, especializadas. Hoje estão por toda parte, com mais fornecedores, mais destaque e menor preço. O mesmo ocorre com equipamentos de economia de água, como as torneiras com arejador, sensor de presença ou fechamento automático, e também com as válvulas de descarga com duas opções de acionamento. As tintas também evoluíram: hoje temos mais opções de produtos à base de água e não de solvente, o que torna o produto mais saudável para os consumidores e para o planeta.
Não tem jeito. Nessa fase de transição para uma indústria e uma cadeia produtiva mais verde e consciente, as atitudes do consumidor fazem toda a diferença. É preciso cobrar, buscar informações, rejeitar produtos, ter paciência. Uma boa dica é unir esforços. Na ecovila, por exemplo, realizamos encontros esporádicos para a troca de informações entre as famílias que estão construindo. Não é nada muito formal, mas as pessoas gostam de compartilhar descobertas interessantes de fornecedores, lojas com bons preços, mão-de-obra que entende do assunto (outra raridade) e por aí vai.
Se você está construindo ou reformando, respire fundo e mergulhe nesse desafio. Além de ajudar sua casa a ficar mais ecológica e saudável para você e sua família, suas compras conscientes também poderão colaborar com as mudanças que precisam ocorrer na indústria e nas lojas do setor. Confie: vale a pena.
Ah, e nesse espírito de compartilhar as descobertas, divido com vocês algumas das poucas lojas especializadas em produtos ecológicos (sim, elas existem!):
- http://www.primamateria.com.br/
- http://www.idhea.com.br/
- http://www.ecocasa.com.br/
- http://www.ecoleo.com.br/
- http://www.supergreen.com.br/Foto: Janela de demolição em casa na ecovila Clareando, prova de que bons achados podem ser encontrados também em lojas de materiais usados.
ver este postcomente
25/03/2010 às 14:00 Anonymous - diz:
Cá – diz:Oiê! Parabéns! Deixei um recadinho no seu orkut, olha lá! Conversamos com o Edilson pelo skipe, foi ótimo! Gostaríamos de conversar mais vezes e colocar as crianças prá falar com vocês!!!! O Edilson disse que é preguiça sua, que cê tem skipe no seu computer, hehehehe! êrrrrrr, Giu, faz favor, hein, depois que cê meditar, vem falar com a gente no skipe! Ahahaha! Amamos vocês demais, lindos!Nóis!
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
• Ser limpinho num planeta sujinho?
• A simplicidade e a crise de imaginário
• Dias de mudança e gentilezas!
• Meio ambiente: por que custo e não investimento?
• Discurso sustentável tem limite
• A cidade, o campo e a estrela Sinhá
• A mágica das trocas de saberes
• Ideias para esverdear a construção
• Teste drive do banheiro seco
• O planeta numa bandeja (de isopor)?
• Reflexões sobre o slow life e a internet
• Vasos para melhorar o trânsito
• 2012: ano para entender o planeta
• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais
• O caipira e a mobilidade urbana
• O que dar a alguém que já tem “tudo”?
• Pela volta do fogo doméstico
• O empurrãozinho que faltava…
• Um lugar em você chamado Ahimsa
• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração
• Um guarda-chuva para dois verões
• E quando não há rede de esgoto?
• Quem casa quer casa (ecológica!)
• Se não é divertido, não é sustentável
• Secador solar e generosidade
• Doze metros de muita história
• Liberdade anda junto com sustentabilidade
• Produtos que não deveriam existir
• Lixo é uma questão topológica
• Você e o fim da sacolinha em SP
• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?
• O descaso com o lixo orgânico
• Espiritualidade e vida comunitária
• Produzir ou consumir cultura?
• Trocas solidárias que enriquecem
• Acordos comunitários para a ecovila
• Por que o simples é tão complicado?
• Só tecnologia não salva o planeta
• Bioconstrução na serra fluminense
• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!
• Permacultura para transformar
• A nova história dos três porquinhos
• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!
• Dias de mudança (e desapego)
• Sustentável e mais barato, sim!
• Ecovila: mutirão na represa!
• Superadobe ou terra ensacada
• Primavera com onça e lobo-guará!
• Bioconstrução para multiplicar
• Por que adoro hortas permaculturais
• Sobre a formação de uma ecovila
• Quando o tamanho é documento
• Terra fértil e sangue menstrual
• O centro comunitário da ecovila
• Qual é a sua sustentabilidade?
• Ecodesign para cuidar do planeta
• Home centers e produtos ecológicos
• Ecovila com horta… e sem delivery
• A conta de gasolina na ecovila
• Patos, galinhas e outros bichos
• Esperança e cooperação na ecovila
• A COP15 e a síndrome do panetone
• Histórias de uma parteira na Amazônia
• Ecovila e sustentabilidade econômica
• Um carro, um jipe ou um cavalo?!
• Para iluminar a casa e curtir a noite
• Uma casa para abrigar nossos sonhos
• Uma moldura para o horizonte
• Quando o ecológico não é bem ecológico
• Não sei se é verdade, mas repasso?!?
• Por que adoro feiras de trocas
• Minha casa num programa de tv…
• Ah, esse excesso de e-mails…
• Socorro, não aguento mais SP!
• Para tecer uma vida na ecovila
• Entre na onda das roupas usadas
• Mata atlântica: mais que uma efeméride
• O que fazer com a madeira que sobrou?
• Histórias de reúso, economia e bons amigos
• Sua casa pode ser uma ecovila
• Meu telhado verde, verdinho, verdinho
• Celebrar ajuda a enfrentar problemas
• O segredo da abóbora mágica…
• Quanto vale o nosso trabalho?
• Meus vizinhos, minha família
• De que é feita a minha casa?
• A alegria de viver em comunidade
• Crise financeira ou chance para o planeta?
• O que eu vou fazer numa ecovila?
• Construir com as próprias mãos
• Confissão: eu não passo roupas
• As ecovilas e as mudanças climáticas
• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável
• Tomada de decisão por consenso
• Tapioca: regional, gostosa e sustentável
• Para ter uma composteira caseira
• Água no copinho plástico? Tô fora!
• Música para sentir a natureza
• Bioconstrução e desastres naturais
• Democracia, consenso ou autocracia??
• Para construir uma comunidade
• O prazer das compras solidárias
• Poluição e Arte dentro do túnel
• Riqueza para além do dinheiro
• Nós e a natureza, conectados
• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party
• Horta vertical para pequenos espaços
• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval
• Aprendendo a costurar com a avó
• Festa infantil não precisa ser descartável!
• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária
• Permacultura: do linear ao cíclico
• Cinco dias com o arquiteto descalço
• Sustentável é também saber ouvir
• Permacultura: transformando problemaem solução
• Falta de civilidade é fogo (na mata)!
• Design natural é tudo de bom!
• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?
• Abaixo as fraldas descartáveis!
• Histórias de uma outra gastronomia
• Uma outra gastronomia – parte 2
• Por uma dieta que respeite o planeta
• Construtoras precisam se adaptar
• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!
• Disk-pizza e permacultura na geladeira