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Greenbuilding para pássaros Giuliana Capello - 06/12/2011 às 15:48

Quem nunca viu ou soube de alguém que encontrou um passarinho morto na janela? Por que isso acontece? É que os pássaros não conseguem enxergar direito a barreira física, especialmente quando o vidro é transparente ou reflete a vegetação que está do lado de fora da casa ou do prédio. Assim, o beija-flor, por exemplo, vê o reflexo de uma árvore estampada na superfície plana, vai até lá achando que é de verdade e acaba colidindo contra o vidro. Outro perigo para a avifauna é quando o vidro é muito transparente e a construção tem plantas ou um jardim logo atrás das chapas.

Uma pesquisa feita nos EUA (país com elevado número de aves migratórias) estima que até um bilhão de aves morre todos os anos por causa dos acidentes com vidros. O número, assustador, inspirou algumas cidades – como Chicago e San Francisco, além de Toronto, no Canadá – a criar manuais para a construção de cidades “bird-friendly”.

Muitos edifícios considerados greenbuilding – por conta da alta eficiência energética e baixo consumo de água, principalmente – são justamente os que mais causam problemas com pássaros. Eles têm enormes fachadas envidraçadas que, embora apresentem vantagens térmicas e de conforto ambiental interno, confundem os animais e são um perigo constante. Em Long Island, NY, em oito dias foram encontrados 72 pássaros mortos ao redor de um edifício corporativo inteirinho envidraçado. Os dados são da ONG New York Audubon Society, que elaborou um guia técnico para construções mais seguras para as aves.

Graças a campanhas feitas por entidades de proteção às aves, o Conselho de Construção Sustentável dos EUA (USGBC) lançou um novo crédito para a certificação ambiental LEED, concedida a prédios que se mostram mais atentos à sustentabilidade. A novidade, ainda em fase de teste, consiste em um novo item no rol de pontos a serem conquistados pelas construtoras, que trata de vidros especiais e cuidados com a iluminação interna e externa dos edifícios, a fim de proteger os pássaros e reduzir o número de colisões nas fachadas.

Aqui no Brasil, ao que parece, não existe nenhuma iniciativa do tipo, tampouco pesquisas que mostrem o tamanho do problema. Diagnosticar, então, seria o primeiro passo. Depois, é claro, conscientizar a população e incentivar a criação de políticas públicas.

Em casa, soluções prá lá de simples ajudam muito a evitar mortes de pássaros: adesivos nos vidros (e não precisa ser com figuras de gaviões, como muita gente pensa), floreiras nas janelas, cortinas e frisos que lembram o desembaçador traseiro dos carros são bastante eficientes.

Para quem já avançou na escolha mais criteriosa dos materiais e técnicas construtivas, agora é hora de lembrar que “pousar uma casa” no ambiente exige também cuidados para reduzir os impactos sobre a fauna local. Vamos nessa? Na minha casa na ecovila (foto), já está nos planos “decorar” os vidros da sala com adesivos, ou enfeites presos com ventosas, ou uma cortina, coisas desse tipo… Todo mundo gosta de atrair pássaros para perto de casa, mas é necessário fazer isso com segurança…

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Comentários

07/12/2011 às 13:04 Roberto - diz:

Gostei bastante. Realmente era um fato que não fazia ideia e é muito bom ver como simples ações podem ajudar bastante. ;) Ótima ideia e iniciativa.

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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