Gaiatos e Gaianos

Publique
o selo
no seu blog

Gestão do lixo na ecovila Giuliana Capello - 03/11/2009 às 18:55


Assunto básico, não? E, para quem mora numa ecovila, ainda mais, certo? Mas nem por isso o tema deixa de ser complicado, especialmente quando se trata de zona rural, desprovida do serviço municipal de coleta de lixo. E esse é o caso da Ecovila Clareando. A prefeitura não recolhe o lixo gerado pela comunidade. É preciso levar os resíduos até a cidade.

Antes, porém, o mais correto é separar os orgânicos dos recicláveis e não recicláveis. Ingenuamente, pensei que seria algo simples de fazer numa comunidade com intenção de ser um laboratório dos princípios e práticas da Agenda 21. Mas não, até porque só o fato de morar numa ecovila não faz de ninguém um ambientalista, ecologista, consumidor consciente ou outro termo do gênero. É preciso mudar hábitos e isso exige vontade, prática constante e persistência.

Para os orgânicos, ando fazendo campanha para a adoção de composteiras e minhocários domésticos. São soluções simples, de fácil manutenção e que garantem composto de boa qualidade para a horta, os pomares e as plantas das calçadas da ecovila. Como na permacultura, o que era problema vira solução: mais adubo e menos lixo.

Já os recicláveis precisam ser separados adequadamente e devem estar limpos para evitar bichos e a contaminação dos materiais. Daí, não tem jeito: cada um precisa estar consciente do problema que é gerar lixo sem ter gestão adequada. E é no dia a dia, a cada instante, que o desafio nos é apresentado. Não dá para negligenciar. Já simplificar é sempre bom. Então, num primeiro momento, não vamos nem pensar em exigir que a separação ocorra por tipo de material. Basta separar os orgânicos dos recicláveis.

Por enquanto, temos um amigo voluntário, o Zé Carlos, que se prontificou a levar os recicláveis para uma cooperativa em Barueri, onde ele mora atualmente. O lixo produzido pelas famílias tem sido encaminhado para lá a cada 15 dias. Ainda não temos a adesão de todos os moradores, é verdade. Mas espero reverter isso, com um diálogo suave e franco, em pouco tempo…

Dia desses, um casal de amigos que já mora na ecovila descobriu um local em Piracaia que recebe materiais recicláveis. Vamos pesquisar direitinho como é o trabalho dessa empresa (ou cooperativa, não sei bem) e checar o destino que dão aos resíduos, para ver se podemos diminuir o percurso dos recicláveis da ecovila – e, assim, resolver a questão localmente.

Com toda essa história, fico pensando no quanto estamos acostumados a empurrar nossas responsabilidades para terceiros. Na cidade, se o lixo fica na nossa porta o problema é da prefeitura. Depois que ele é levado embora, tudo parece resolvido – quando, na verdade, na maioria dos municípios brasileiros o lixo é apenas acumulado em lixões a céu aberto, sem qualquer licença ambiental, contaminando o solo e os lençóis freáticos.

Quando a infraestrutura não existe, no entanto, somos obrigados a tomar a frente da situação. Numa visão mais otimista, seria uma espécie de convite a uma atitude menos passiva, apática. No fundo, acho até bom que a prefeitura não recolha o lixo da ecovila. É um jeito de nos fazer refletir sobre o assunto. Do contrário, seria como dar descarga no banheiro: os resíduos somem como num passe de mágica e tudo parece limpo, lindo e resolvido. Sabemos que não é bem assim…

Foto: com a ajuda das amigas Aluá e Elioenai, a parede de garrafas recicladas na minha casa ficou linda sobre o telhado verde! Mais uma prova de que separar materiais recicláveis vale muuuuito…

ver este postcomente

Comentários

11/11/2009 às 00:29 Anonymous - diz:

ana – diz:p/ meu condomínio

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

Posts anteriores

• Ser limpinho num planeta sujinho?

• Eu, você e o fim do mundo

• Esterco, palha e felicidade

• No compasso da natureza

• A simplicidade e a crise de imaginário

• Criança precisa de natureza

• Dias de mudança e gentilezas!

• Mudança para a ecovila!

• Meio ambiente: por que custo e não investimento?

• A lição básica do lixo

• Discurso sustentável tem limite

• A cidade, o campo e a estrela Sinhá

• A mágica das trocas de saberes

• Carnaval em comunidade

• Ideias para esverdear a construção

• Teste drive do banheiro seco

• O planeta numa bandeja (de isopor)?

• Reflexões sobre o slow life e a internet

• A face feia dos cosméticos

• Vasos para melhorar o trânsito

• Primeira virada em casa!

• 2012: ano para entender o planeta

• Pratique a observação!

• Greenbuilding para pássaros

• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais

• O caipira e a mobilidade urbana

• O que dar a alguém que já tem “tudo”?

• Pela volta do fogo doméstico

• O empurrãozinho que faltava…

• Um lugar em você chamado Ahimsa

• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração

• Dez anos de um sonho

• Você quer ser bom ou justo?

• É primavera em mim

• E viva o decrescimento

• Um guarda-chuva para dois verões

• E quando não há rede de esgoto?

• Quem casa quer casa (ecológica!)

• Se não é divertido, não é sustentável

• Lunática com muito orgulho

• Secador solar e generosidade

• Doze metros de muita história

• Velhice x terceira idade

• Infância desplastificada

• Um dia sem telas

• Um luxo chamado Tempo

• Horta de fundo de quintal

• Liberdade anda junto com sustentabilidade

• Produtos que não deveriam existir

• Lixo é uma questão topológica

• Celebração de blogueira

• Você e o fim da sacolinha em SP

• A lição do Ubuntu ancestral

• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?

• Cada um com seu entulho

• O descaso com o lixo orgânico

• Espiritualidade e vida comunitária

• Produzir ou consumir cultura?

• Fukushima e você

• Trocas solidárias que enriquecem

• Lavar roupas sem sabão!

• Acordos comunitários para a ecovila

• O valor de uma árvore

• A chegada de uma nova vida

• Por que o simples é tão complicado?

• Impressões do interior

• Só tecnologia não salva o planeta

• Bioconstrução na serra fluminense

• Um bairro em transição

• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!

• Permacultura para transformar

• Água de chuva, muita chuva…

• Partida e chegada

• A nova história dos três porquinhos

• 365 dias mais ecológicos

• Maternidade e natureza

• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!

• Pesadelo de consumo

• Dias de mudança (e desapego)

• Sustentável e mais barato, sim!

• Quem faz a sua comida?

• Ecovila: mutirão na represa!

• Cohousing: morar com amigos

• Esgoto bacana e ecológico

• Superadobe ou terra ensacada

• Primavera com onça e lobo-guará!

• Bioconstrução para multiplicar

• Feriado unplugged

• O que é viver bem?

• Jardim de histórias

• Por que adoro hortas permaculturais

• O joio e o trigo

• Máquinas descartáveis?!?

• Parques x hidrelétricas

• Atire bolas de semente!

• Sobre as boas tradições

• Precisamos de uma escola!

• Sobre a formação de uma ecovila

• Festa junina na ecovila

• Quando o tamanho é documento

• Terra fértil e sangue menstrual

• O tempo de uma casa

• O centro comunitário da ecovila

• Tempo para a arte

• Medicina ecológica?

• O céu de todos e de cada um

• Aqui e agora

• Sabedoria das ervas

• Qual é a sua sustentabilidade?

• Privacidade numa comunidade

• Ecodesign para cuidar do planeta

• Home centers e produtos ecológicos

• O valor do silêncio

• Ecovila com horta… e sem delivery

• A conta de gasolina na ecovila

• Patos, galinhas e outros bichos

• Despedida na ecovila

• Conectada, finalmente!

• Menos tv, mais horta

• O recado das crianças

• Os pedreiros somos nós!

• Esperança e cooperação na ecovila

• O tempo é o novo regente

• Sobre a proximidade do fim

• A COP15 e a síndrome do panetone

• Histórias de uma parteira na Amazônia

• Multiplicar é muito bom

• Governança na ecovila

• Morar em vila…em São Paulo

• Gestão do lixo na ecovila

• Ecovila e sustentabilidade econômica

• Um carro, um jipe ou um cavalo?!

• Parede de toquinhos

• Casa com água da chuva

• Para iluminar a casa e curtir a noite

• Festa da primavera

• Uma casa para abrigar nossos sonhos

• Uma moldura para o horizonte

• A composteira da minha avó

• Quando o ecológico não é bem ecológico

• Tijolos de adobe

• Não sei se é verdade, mas repasso?!?

• Por que adoro feiras de trocas

• Ecovila sem internet?

• Entre amigos

• Minha casa num programa de tv…

• Ah, esse excesso de e-mails…

• Trabalho de formiguinha

• Socorro, não aguento mais SP!

• Para tecer uma vida na ecovila

• Entre na onda das roupas usadas

• Mão na massa, sem discursos

• Mata atlântica: mais que uma efeméride

• Como construir uma ecovila?

• O que fazer com a madeira que sobrou?

• Histórias de reúso, economia e bons amigos

• Frio na barriga…

• Mutirão de solo-cimento

• Encontro de ecovilas!

• Sua casa pode ser uma ecovila

• Meu telhado verde, verdinho, verdinho

• Celebrar ajuda a enfrentar problemas

• Yoga e sustentabilidade

• O segredo da abóbora mágica…

• Dona-de-casa, eu?!?

• Quanto vale o nosso trabalho?

• Forno de pizza de barro

• Meus vizinhos, minha família

• Mosaico de vidros usados

• A insustentável mão-de-obra

• Sorvete de inhame!

• De que é feita a minha casa?

• Parede de garrafa?!

• Composteira de novo!

• O Natal pode ser ecológico?

• A alegria de viver em comunidade

• Infância ecológica

• Devagar é mais gostoso

• Mitos e vícios modernos

• Crise financeira ou chance para o planeta?

• O que eu vou fazer numa ecovila?

• Fãs de pau-a-pique

• Construir com as próprias mãos

• Parto natural e ecológico

• Confissão: eu não passo roupas

• As ecovilas e as mudanças climáticas

• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável

• Paredes vivas de Cob

• Dividir para ter mais

• Tomada de decisão por consenso

• Simplicidade voluntária

• Bicho de ecovila

• Brechó arquitetônico

• Histórias de João-de-barro

• Tapioca: regional, gostosa e sustentável

• Para ter uma composteira caseira

• Mutirão de telhado verde

• Malhação para o planeta

• Minha casa na ecovila

• Catadores de esperança

• Água no copinho plástico? Tô fora!

• Música para sentir a natureza

• Bioconstrução e desastres naturais

• Democracia, consenso ou autocracia??

• Entulho não é lixo!

• Viva o pequeno agricultor!

• Educação para o campo

• Meu bairro, minha cidade

• Por trás do velho clichê

• Para construir uma comunidade

• O prazer das compras solidárias

• O tempo do sol e da lua

• Poluição e Arte dentro do túnel

• Riqueza para além do dinheiro

• Catadora, com muito orgulho

• Nós e a natureza, conectados

• High tech ou low tech?

• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party

• Horta vertical para pequenos espaços

• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval

• Aprendendo a costurar com a avó

• Festa infantil não precisa ser descartável!

• Telhado ou jardim?

• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária

• Permacultura: do linear ao cíclico

• Um mergulho na Permacultura

• Cinco dias com o arquiteto descalço

• Banheiro seco? Como assim?!

• Sustentável é também saber ouvir

• Permacultura: transformando problemaem solução

• Uma delícia de mutirão

• O dia em que adotei a Sofia

• Falta de civilidade é fogo (na mata)!

• Design natural é tudo de bom!

• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?

• Abaixo as fraldas descartáveis!

• Sim, absorvente ecológico!

• Histórias de uma outra gastronomia

• Uma outra gastronomia – parte 2

• Sem carro e sem delivery

• Por uma dieta que respeite o planeta

• Minhocas via Sedex

• Mais adubo e menos lixo

• Lugar de madeira é…

• Construtoras precisam se adaptar

• Seu Zé e as arvrinhas

• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!

• Disk-pizza e permacultura na geladeira

• Domingão na feira de trocas

• Feira de trocas – parte 2

• Feira de trocas – parte 3

• Guarda-roupa coletivo espanta o frio

• Até quando seremos gaiatos?

PATROCÍNIO: