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Festa junina na ecovila Giuliana Capello - 22/06/2010 às 10:33


Domingo passado tivemos o primeiro casamento na ecovila. De festa junina, é verdade. Mas a intenção foi realmente casar os noivos, para a mãe da noiva não reclamar com a mudança da filha para a Piracaia, enfim, essas coisas…  Combinamos o arraiá por email, bem informalmente. Pedimos que cada um levasse um prato de comida ou bebida caipira (milho cozido, bolo de fubá, pipoca, pinhão, vinho quente, quentão, cuscuz etc.) e usasse um vestido de chita ou camisa xadrez. Só isso. O resto seria arranjar a fogueira, as bandeirinhas, o buquê da noiva, organizar a cozinha e por aí vai. Muita coisa, não? Mas sabe que, dividindo as tarefas entre as pessoas, ficou simples e gostoso para todo mundo?

Isso é uma das coisas que mais me encantam numa vida em comunidade. Quando dividimos o trabalho, conseguimos fazer muito, com menos esforço e sacrifício. A festa ficou linda, em pouco tempo. Tínhamos bandeirinhas coloridas espalhadas pelo pátio em frente à Casa Clara (nossa casa comunitária), uma fogueira, música de quadrilha, uma mesa farta de guloseimas para honrar os santos do mês e a cultura popular. A noiva se empolgou e levou uns vestidos de festa caipira para emprestar para as mulheres, que incrementaram o visual com tranças no cabelo e pintinhas pretas nas bochechas rosadas.

Até quem não estava ‘fantasiado’ improvisou um acessório para entrar mais no clima. Eu não vestia uma roupa daquelas desde os tempos da escola, em que passava horas na barraca de pescaria para conseguir uma maçã do amor ou outra prenda “de primeira necessidade”. Foi ótimo ver o quanto podemos deixar a adultice de lado e voltar a ser criança um pouco, rir sem censuras, pagar uns micos sem vergonha do outro, criar no improviso uma direção para a quadrilha-não-ensaiada, brincar com palha de aço no cordão para fazer luzes coloridas no escuro.

Os noivos estavam lindos. Ela, de buquê de orquídeas amarelas colhidas pela manhã na ecovila. Ele, de jeans com retalhos coloridos, camisa xadrez e gravata – acredite! – da Daslu Homem, que um amigo emprestou. Nada a ver a marca, mas foi, no mínimo, irônico usá-la na ecovila e para uma ocasião dessas…

Tivemos ainda uns visitantes especiais, gente que tem ido à ecovila para conhecer um pouco melhor a proposta e ver se é o caso de comprar um lote por lá e entrar para a comunidade. E foram escolher justamente um fim de semana de festa! (Se bem que lá sempre tem alguma coisa acontecendo nos fins de semana…)

Com todo esse agito e espírito festeiro, em plena época de Copa do Mundo, fiquei pensando na força que temos quando queremos realizar algo, seja uma torcida organizadíssima ou uma festa caipira. Lembrei-me dos vários flash mobs que vi na avenida Paulista, por exemplo. Do nada, surge um grupo de gente vestida de palhaço na rua e caminhando esquisitamente, um atrás do outro. Alguém organizou isso, certo? Alguém investiu tempo e energia nisso, não é? Da mesma forma que, de um dia para outro, metade dos carros da cidade tem bandeirinhas do Brasil tremulando ao vento entre um semáforo e outro.

Não é curioso como conseguimos coisas incríveis num piscar de olhos e outras, no entanto, ficam encalhadas, paradas, catatônicas, à espera de alguém que tome, enfim, uma providência?! Que será que acontece com nossa capacidade de realização quando o assunto é cuidar de uma praça, pintar o muro de uma escola, construir uma horta no terreno baldio etc.?

Fico inconformada quando vejo como somos bons em fazer festa, gastar horas no twitter ou no Orkut, organizar multidões-relâmpago para fazer careta na rua, mas quando a proposta é concentrar energia para transformar algo na cidade, ai ai ai quanta preguiça…  É meio cultural isso, talvez, parece que ser ‘bom moço’ ou ‘boa moça’ é coisa de gente chata, ecochata, que fica dando lição de moral e mudanças de costumes… Será que é isso? Não sei… Também não sei mesmo.

Bom, seja como for, quero ver se logo mais a gente consegue organizar uns mutirões de trabalho na ecovila para cuidar do pomar, aumentar a horta, terminar umas janelas na casinha de pau-a-pique e adobe, que será uma lojinha de produtos da comunidade. Vamos ver como vai ser o pique do pessoal. Mas acho que vou tentar aumentar público e mãos para trabalhar encaixando uma festinha no fim do expediente de trabalho… só por garantia…

 Foto: quadrilha improvisada na ecovila…

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Comentários

22/06/2010 às 18:16 Anonymous - diz:

Anxelo, o noivo – diz:Ai que friozinho na barriga! Que vontade de correr… Mas respirei fundo e casei mesmo. Apesar de ainda ser muito novinho pra casar, 35 anos, ainda tenho muito pra curtir de solteiriçe mas a Débora é uma criatura super especial e ganhou meu coração, valeu a pena. Casarei novamente! Vamos preparar a despedida de solteiro! Com o casamento descobri o que é a felicidade… Mas daí ja era tarde!

23/06/2010 às 11:35 Anonymous - diz:

Léia – diz:Ê, festa boa!Ainda bem que o Angelo parou de enrolar a Débora! rsGostei do clima!bjs,Léia.

21/08/2010 às 10:20 Anonymous - diz:

Michel – diz:ehhehePena que eu num tava lá!

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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