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Espiritualidade e vida comunitária Giuliana Capello - 19/04/2011 às 16:17
Durante os quase quatro anos escrevendo semanalmente neste blog, um assunto que nunca foi tratado (pelo menos, não que minha memória consiga identificar) leva o nome de espiritualidade. Tem gente que se arrepia só de ouvir a palavra… Pois bem, talvez por isso eu tenha evitado tocar no assunto, consciente ou inconscientemente. Mas, com o tempo e a experiência na ecovila Clareando – comunidade da qual faço parte e que busca um viver mais simples e ligado à terra – sinto que hoje o tema não deve ou não precisa ser evitado.Vamos a ele. No movimento mundial de ecovilas, chamamos de cola aquilo que dá liga às pessoas, aquele elemento, visão de mundo ou meta que atrai as pessoas para uma determinada comunidade e, da mesma maneira, consegue mantê-las unidas e em convivência harmoniosa e pacífica (na maior parte do tempo, pelo menos, é claro). E é bastante comum apesar de não ser a regra – que algumas ecovilas se formem a partir de um líder espiritual ou mesmo de uma religião ou prática transcendental. Existem comunidades ecológicas baseadas em princípios e práticas ligadas ao budismo, ao hinduísmo, ao xamanismo, ao judaísmo (um kibutz que se pretenda mais integrado à natureza, por exemplo), só para citar algumas possibilidades.
Nessas comunidades, a figura de um líder espiritual está sempre presente e é essa pessoa que ajuda a manter as relações interpessoais harmoniosas, ou que entra em campo quando ocorre algum conflito. A religião, nesses casos, dá o norte às ações de cada um e, de um jeito ou de outro, dita as regras de convivência dentro da comunidade. Naturalmente, então, as pessoas estão lá porque aceitam as regras e conseguem viver bem com elas e não apesar delas.
Mas há exemplos de comunidades que mantêm outra cola como base. É o caso de ecovilas pautadas pela permacultura ou pela produção de alimentos ou, ainda, pela busca por tecnologias verdes que reduzem o impacto socioambiental de seus moradores e do assentamento como um todo. A ecovila da qual faço parte, a Clareando, tem como cola os princípios da Agenda 21, documento criado para dar diretrizes mais sustentáveis às ações, escolhas e projetos da comunidade. O que nos une não é uma religião ou prática espiritual específica, mas o desejo de construir uma vida comunitária menos pesada para o planeta e mais plena de sentido a cada um de seus integrantes.
Julgamentos e opiniões à parte, não se trata aqui de dizer qual seria o melhor modelo de ecovila até porque o melhor é aquele que funciona bem localmente; não há regras ou um padrão universal capaz de ser eficiente em todas as comunidades. Assim, o importante é notar que, de alguma forma, a espiritualidade permeia a vida comunitária, sendo ela a cola ou não. Prova disso é a ecovila Clareando. Lá, temos católicos, espíritas, budistas, judeus, protestantes e até mesmo ateus, além de pessoas que não se identificam com uma religião especificamente, mas são adeptas de práticas espiritualistas, digamos, mais new age, que misturam religiões, mestres ascencionados, anjos, gnomos, rituais indígenas, enfim, uma miscelânea que se faz testemunha de nossos tempos pós-modernos.
Quando recorremos a uma linha do tempo, frequentemente nos damos conta do quanto a espiritualidade caminha lado a lado com a história humana: deuses ancestrais superpoderosos que traziam chuva, trovões e boas colheitas, oráculos que ditavam a hora de casar, ter um filho ou mudar de cidade, entidades que visitavam o mundo dos vivos para dar recados importantes. A ideia de mistério e de uma força maior regendo nossas vidas é tão antiga quanto a presença do homem na Terra. E a vontade dos ecovileiros de unir ferramentas eficientes para a autonomia alimentar, energética e de infraestrutura, não raras vezes, leva-os a buscar um elo com seus antepassados talvez mais espiritualizados ou ativos em seu olhar que transcendia os limites do que podemos enxergar, cheirar ou tocar.
Seja como for, a espiritualidade se liga também à visão de mundo e aos valores que cada ecovila constrói ou seleciona para si. Saber tirar proveito disso, sem preconceitos, mostra-se hoje de uma riqueza incrível. Tomando como pressuposto que uma prática religiosa é também um aspecto da cultura de um povo ou grupo, aceitar (muito mais que apenas tolerar) e aprender a respeitar as opções do outro vale ouro. Lembro-me de quando os amigos judeus da ecovila convidaram todos para um jantar em que seria celebrada a Páscoa judaica. Eles montaram uma grande mesa com todos os elementos que compõem o ritual e foram explicando cada detalhe e significado da festa religiosa. Foi muito bom.Também já tivemos encontros em datas ligadas a santos católicos, aniversário de morte de mestres de Bhakti Yoga, celebrações do calendário maia, meditações com leituras hinduístas, espíritas, taoístas e budistas, sem falar no amigo (vou preservar o nome para não parecer fofoca) que se diz guimaraesnista, em referência ao grande escritor transcendental Guimarães Rosa, seu mestre inspirador…
Quando aceitamos a espiritualidade como algo saudável ou comum (no sentido de estar presente na vida de muitos de nós), as relações interpessoais e sabiamente ecumênicas ganham força, equilíbrio e diversidade. Aliás, esta última palavra, diversidade, é fundamental quando se trata de vida em comunidade – que pode ser uma ecovila, um condomínio, um bairro ou uma cidade-estado. E o que posso dizer, a partir de minhas vivências, é que só temos a ganhar quando mente e coração estão abertos para o novo, seja ele o que for. Práticas espirituais falam sobre a vida, a morte, o lugar em que vivemos, nossas escolhas, preferências, atitudes, ou seja, temas universais. Ainda que estejam sem nome dentro de nós ou do nosso vizinho, merecem expressão, ouvidos e acolhimento – especialmente em tempos de revisão de valores e ações para um mundo que possa se perpetuar por mais e mais tempo. Não acha?
Foto: encontro de integrantes da Ecovila Clareando, que abriu espaço para a montagem de um altar ecumênico, para representar as crenças e inspirações de cada um.
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19/04/2011 às 23:16 Anonymous - diz:
suryah.wachholtz – diz:a espiritualidade estah unida á toda natureza.habitamos a espiritualidade,quando despertamos para ela.a natureza eh nossa fonte, nossa matriz, nosso lar.a floresta tudo contém.tudo nos dá.tudo coexiste na natureza.e tudo. tudo isto é muito sério.tudo isto é um universo espiritual.quando cometemos um erro ecológico , estamos cometendo um erro espiritual.existem seres, existe muita coisa mesmo. muita coisa mesmo, que para o espiritualista, para os aborígenes, para os despertos…é uma realidade…mas para a maioria é filme de fábulas pra criança.as crianças sabem.sabem muito deste universo.e nós… não estamos assistindo-os.o lar dos seres . a eco-existencia de tudo que existe.tanta coisa pra falar…tanta gente existe por aih, que têm tanta coisa pra falar…mas espiritualistas ainda são vistos , como mitificadores, ou fantasiosos…bem…não adianta ficar falando…na profundeza de meu coração, encontrei-me com tudo que existe na natureza e em meu interior. tudo . tudo tudo eh sagrado. o céu , as nuvens , as estrelas, a terra , o vento e o mar…tudo eh tão claro e óbvio…meu deus.rogo a ti , meu deus. que um dia todos aceitem esta verdade.e te olhem mais.mãe de tudo que somos.tu tens a cura pra teus próprios problemas.isto eh lógico…só temos que deixá-la fluir, com teus poderes…purificá-la, amá-la, adorá-la…mãe terra.na luz. na profunda luz de uma oração sincera…de uma meditação, na sadhana de cada um…no ritual dos bruxos(por favor, sem preconceito); no ritual dos pajés, na voz dos mestres e santos.olhai para dentro e para fora. e verás que somos um.a coexistencia e a salvação depende de uma comunicação.com todos os seres. uma comunicação sincera e verdadeira.disponibilidade para aceitar e compartilhar e participar de uma verdade universal e milenar. tudo. tudo. tudo. existe na natureza. ela eh perfeita.tudo pode ser fonte de energia.os frutos , a comida, o vento , o trovão , estão aih para nos ajudar…deus, meu deus…eh tão óbvio.a chuva que cai, o sol…tudo eh para nosso benefício.resta-nos sermos um e coexistir no grande espírito. e nos linkarmos. nos acharmos . nos acordarmos.não numa de dizer quem tah certo ou errado. mas porque somos todos irmãos e irmãs. no mesmo planeta.sob o mesmo céu. sobre a mesma terra. terra véia de guerras.nós senhores das terras, das mídias e das guerras…poxa…no mínimo por auto preservação.e se os místicos estiverem certos?não vale a pena…ou o orgulho de gerações teístas e científicas , não deixam deus existir em paz com toda sua criação??/deixa pra lah…sei que eh um bom caminho.sentir a criação . a criatura . a criança e tudo mais.divina divina luz de amor. que une todos os seres.salve os povos do astral, da terra e dos mares…salve os povos do ar , das terras distantes e dos ventos. salve os trovão. o sol e a lua… as estrelas também…e que nosso papai do céu abençoe todos que lhe querem bem…e abençoe todos os outros também…fazer o quê??ele estah aih pra isto…
19/04/2011 às 23:29 Anonymous - diz:
suryah.wachholtz – diz:…poxa…em tempo, não me interpretem mal.adoro este site.a matéria eh pertinente e útil demais…mas poxa.espiritualidade eh tudo. tudo tudo.ai…acreditem.rsrsrsrs;não eh um método ou hábito de algumas comunidades.nós podemos não estar nela.mas ela nunca saiu de nós…rsrsrsrsrrs;saúde e paz pra todos.
20/04/2011 às 09:54 Anonymous - diz:
Michel – diz:Quem é este doido que crê em Guimarães!?
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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