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Esperança e cooperação na ecovila Giuliana Capello - 12/01/2010 às 13:28
Como muitos de vocês sabem, estou construindo uma casa na Ecovila Clareando, em Piracaia, SP. O lugar é lindo, mas anda ameaçado por conta do excesso de chuvas, que já ultrapassaram o limite máximo das represas locais. A cidade corre risco de alagamentos se as chuvas continuarem nos próximos dias – tal como já aconteceu com a vizinha Atibaia.Em meio às notícias e expectativas ruins, ontem enviei um e-mail ao grupo de moradores e donos de lotes da ecovila, para contar um pouquinho do que ando sentindo por lá. E, aqui, gostaria de dividir com vocês mais um tiquinho das aflições e esperanças de sair de São Paulo para morar numa comunidade rural, em tempos de incertezas climáticas. Abaixo, então, copio o texto escrito para os amigos da ecovila. É hora de tomar fôlego e coragem… Espero que a carta aos ecovileiros possa levar um pouco dessa força tão necessária a cada um de nós.
Queridos amigos,
Depois de um longo período ausente aqui na rede, volto com um sorriso no rosto para compartilhar com vocês algumas impressões sobre a Clareando. Ah, sim, e também para dizer que estou com saudade de um montão de gente que não aparece por lá há tempos! Não vou citar nomes porque a lista é grande…Eu e Edilson estivemos na ecovila quase que ininterruptamente desde o dia 31 de dezembro. Voltamos agora há pouco para São Paulo e amanhã pegaremos a estrada para a Clareando novamente. Ainda bem, porque depois de um período grande na Clareando, voltar para a cidade grande é difícil…
Lá, estamos dividindo nosso tempo para dar conta do muito trabalho que temos a fazer. O dia começa cedo, com um café da manhã entre amigos. Depois, é hora de trabalhar, às vezes na minha casa, às vezes na nova casa do Silvam, às vezes na cozinha, preparando a próxima refeição comunitária, às vezes praticando yoga, noutras vezes meditando, e noutras ainda simplesmente contemplando a beleza e a PRESENÇA da natureza.
Sabe, tenho pensado muito sobre as mudanças climáticas, que costumo chamar de confusões climáticas. Lá na Clareando, tivemos um e outro dia de chuva forte, que prejudicou a estrada, mas nada de muito preocupante. Sem falar que quando se está entre amigos, o medo dá lugar a uma sensação reconfortante de que podemos contar um com o outro, para o que der e vier.
Mas é preciso estar lá, vivenciar, sentir a natureza não como vilã da história, mas como mãe, provedora da vida, ainda que atordoada pelas mudanças climáticas provocadas por nós. Se o tempo anda estranho é porque nosso modo de vida está inadequado à ABUNDÂNCIA do planeta… Irônico, não?
Confesso que durante um bom tempo tive medo da chuva de Piracaia. Falo das tempestades que detonaram a estrada e tornaram o acesso precário demais, duvidoso até.
Mas ontem vivenciei uma dessas belezas que nos despertam uma GRATIDÃO profunda por estar vivo, ali, presente naquele instante. Da varanda da minha casa, à tarde, fiquei assistindo à chegada de mais uma chuva de verão, tentando SENTI-LA como uma bênção e não como um problema. O ar ficou mais fresco, o vento soprou forte, senti uns poucos pingos sobre a pele. Queria mesmo era tomar chuva. Mas ela ficou ali, na minha frente, fazendo graça à esquerda, dançando à direita do horizonte. Minutos e minutos. Até que o céu abriu novamente, o sol tomou conta e, então, veio o inesperado: um arco-íris lindo, que parecia responder ao meu desejo de ver BELEZA e não sofrimento.
Minutos depois, apareceram a Elioenai e a Suzana, com um convite delicioso: um lanche na Casa Clara, com bolo de fubá e pingo de ouro caseiros. Ai, ai. Mais um tempinho e veio o casal Sônia e Luiz com outro convite saboroso: comer torta de palmito na casa deles à noite. Provei de tudo um pouquinho, agradecida.
O dia de ontem foi realmente especial. Pela manhã, trabalhamos eu, Edilson, Silvam, Elioenai e Celso na casa nova do Silvam. Revestimos algumas paredes de tijolo com cimento, para esconder as imperfeições. Estávamos felizes, contentes de poder trabalhar para concluir a obra. Aliás, muita gente anda ajudando a casa a se levantar. O Hiroshi trabalhou por lá, o Cipó (amigo novo de Piracaia), além do Júlio, Sérgio e Samuel, que devem chegar amanhã para começar a instalação elétrica da casa. Diz o Edilson que o Silvam vai poder fazer a mudança no dia 25. Com o empenho dessa gente toda, dá até para confiar no prazo.
De pouco em pouco, no ritmo que nos é possível, a casa vai ganhando corpo. E isso me dá esperança, alegria, contentamento. É por isso que acho que o Centro Comunitário (opa, isso deveria estar num outro e-mail ), está na hora de ser gestado. A Margarida me ensinou que no calendário dos maias, de 13 luas de 28 dias, sou Semente (um dos 20 selos ou "signos", por assim dizer) e, assim, devo seguir a vida dando forma ao florescimento, ajudando os sonhos a serem germinados. Então, humildemente, semeio aqui e entre vocês um pouco de fé na nossa comunidade que, por mais desafios que possa ter, estou certa, tem mais corações querendo pulsar junto e no tom da música que o planeta precisa ouvir.
um beijo grande,
saudoso,
em cada um de vocês.Giuliana
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14/01/2010 às 11:30 Anonymous - diz:
Camila Silverio – diz:Giuliana, amei ler sua carta, pude ate sentir a alegria que dá ver um arco-iris no céu após uma chuva forte!Muito legal!ValeuCamila
19/01/2010 às 16:36 Anonymous - diz:
Mauricio – diz:Giuliana.Não lhe conheço mas, ao ler o seu post deu para eu sentir que vc. está feliz, e no lugar certo, coisas que a natureza faz com o nosso exterior e interior.Espero chegar breve nestas condições também pois a vidinha que levamos aqui em São Paulo nos esgota profundamente.Encontrei este seu espaço orientado por um dos meus filhos que se encontra em Piracicaba, trabalhando para que possam fazer crescer a ONG ecológica que lá se apresenta. É um apaixonado como vc. (www.ecosofando.com.br)Continue irradiando essa alegria à todos que a visitarem no seu blog.Abraços,Mauricio
21/01/2010 às 11:06 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Mauricio e Camila, agradeço pelas palavras gentis que me impulsionam a seguir meu caminho. Camila, que você possa se encantar com muitos arco-íris. Mauricio, desejo boa sorte ao seu filho e que a ONG em Piracicaba floresça mais e mais. O mundo precisa dos apaixonados…
23/01/2010 às 14:37 Anonymous - diz:
loli colpa – diz:Ola Giuliana estive em Minas e passei por uma situação bem parecida com a que descreveu , tomei um Mega banho de chuva lavei a alma mesmo ,pulei poça d”agua corri na estradinha de terra,enfim curti a chuva boa,mas agora em SPaulo com a quantidade de tragédias que o excesso de chuva tem causado fica meio impossivel ver o lado bom,tenho um trabalho com ecodesign http://www.lolicolpa.com.br e adoraria saber mais sobre a ecovila,um grande abraço Loli Colpa
13/05/2010 às 07:19 Anonymous - diz:
Aurimar – diz:Olá Giuliana, bom dia…não sei exatamente como vim parar aqui..mas enfim. Conheci o Hiroshi lá pelos idos de 1981 em encontros de Comunidades e vejo de forma abençoada as ecovilas surgindo, espaços emergindo, tanto subjetiva e aquetipicamente, desenhando outra cultura, outros modos de “com-viver” quanto objetiva e praticamente…Ação, é hora de ação…Bem, nesse rumo e considerando a “insustentabilidade” dos grandes e médios centros urbanos…adquirimos 566 hectares de terra na Chapada dos veadeiros, especificamente no município de cavalcante, no planalto brasileiro (apelidado) de plannalto central…não vejo com ansiedade a questão da tão “decantada mudança climática”, até porque há erros e manipulações nisso que acaboou virando uma espécie de jargão climático, mas é a intuição que nos mostra o “caminho” a seguir…os “eventos” estão ocorrendo em alta velocidade e a escolha dos lugares pra erigir os assentamentos são importantes, tanto quanto a disposição de levá-los a bom termo. Aqui, as coisas estão andando nesse ritmo e energia emanados de dentro do cerrado…de fato, todas as ações no sentido comunitário, são abençoadas…abraços de LuzAurimar
11/09/2011 às 21:11 Anonymous - diz:
BERNADETE – diz:GIULIANASou ouvinte da RBN e num sábado estava ouvindo programa da Glaciara? Maia é isso? E estava o Gabriel dando uma entrevista falando sobre a Ecovila. Fiquei curiosa, pois gosto muito deste tipo de relacionamento com amigos que voce contou. Estava vendo no sait as fotos das casas… muito interessante; gostaria de conhecer pessoalmente qualquer dia.Depois ví sua foto que me chamou atenção por causa do cachorro (desculpe), pois amo animais e daí ví sua carta e achei muito bonita, resolvendo então escrever pra vc. Que Deus te proteja e que consiga tudo o que deseja. Um dia quero mesmo conhecer tudo isso pessoalmente. Moro em São Paulo capital, mas AMO a natureza e as boas amizades. Tudo de bom e muito prazer.
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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