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Esgoto bacana e ecológico Giuliana Capello - 05/10/2010 às 14:50

Se você é do tipo que faz cara feia quando ouve a palavra esgoto, está na hora de rever seus conceitos. É incrível como pouca gente faz a conexão entre saneamento básico e meio ambiente, mas esse é um tema que deveria – e precisa – ser encarado com mais seriedade e, especialmente, com um olhar mais ecológico. No Brasil, esgoto que segue para redes coletoras e de tratamento é coisa rara, mesmo nas grandes cidades. Daí, a importância de pensarmos em soluções sustentáveis para um problema realmente básico.

Com algumas técnicas simples de permacultura e bioconstrução, é possível transformar “aquela coisa nojenta” em… paisagismo! Há dezenas de opções, acredite. É possível, por exemplo, tratar de forma diferente as águas cinzas (de chuveiros, pias, cozinha e lavanderia) e as águas negras (bacias sanitárias). Assim, o volume de efluentes que realmente com maior potencial poluidor diminui, reduzindo também o dimensionamento do sistema de esgoto e, claro, os custos envolvidos na obra.

As águas cinzas, em geral, contêm resíduos de produtos de limpeza e gordura. Esses efluentes podem ser encaminhados para uma caixa de gordura e, depois, levados por tubulação com furinhos (que vai permitir a infiltração lenta da água no solo, sem contaminá-lo) até um círculo de plantas que precisam de bastante água e têm folhas largas (como bananeiras e taiobas, por exemplo). Essas plantas captam a água do solo e levam para as folhas, onde viram vapor e voltam para a atmosfera. Dependendo do volume de águas cinzas, um círculo com três ou quatro bananeiras dá conta dos efluentes de uma ou duas casas. Imagine isso em favelas ou moradias mais precárias… Além de resolver o problema do esgoto, o sistema também fornece alimento para as famílias – sem falar que ainda deixam o ambiente mais agradável, com vegetação.

Já as águas negras pedem um tratamento um pouco mais complexo, mas não menos handmade. Há os sistemas de zonas de raízes, que são tanques impermeabilizados com lonas plásticas, que recebem camadas de brita, pedras menores, areia e terra adubada. A água entra por baixo, por tubos com furinhos, e vai subindo lentamente pelas camadas até chegar à terra, onde podem ser plantadas diversas espécies de plantas. As mais indicadas são as plantas de águas alagadas, como lírio, taboa, junco, papiro, íris. O resultado é um jardim que funciona como uma estação de tratamento de esgoto. Simples assim.

Com esses sistemas, é possível tratar o esgoto no próprio terreno, ou construir pequenas e médias estações para tratar o esgoto de um conjunto de casas. Na permacultura, a preferência é sempre por plantas comestíveis, que trazem ao menos duas boas funções para o sistema: tratar os efluentes e fornecer alimentos. Mas é claro que outras vantagens são incorporadas e oferecidas no pacote: mais vegetação, menos doenças causadas pelo contato com água poluída, melhor qualidade do ar e do ambiente urbano.

São técnicas ideias para áreas de habitação precária, um dos grandes desafios do nosso século, com o crescimento das cidades, as migrações, a superpopulação etc. Não custam caro e podem ser improvisados (no bom sentido da palavra) com materiais disponíveis localmente. São bem fáceis de serem construídos e têm manutenção igualmente simples.
Há ainda quem trate os efluentes por zonas de raízes e reserve o excedente de água tratada para irrigação e outros usos não potáveis. Em assentamentos humanos sem infraestrutura urbana, são ótimas soluções. Para os curiosos, a internet está cheia de bons exemplos, a um click. Quer tentar?

Foto: estação de tratamento de esgoto da ecovila Findhorn, Escócia. Viu como dá para ser bacana?!

 

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Comentários

06/10/2010 às 12:30 Anonymous - diz:

Michel Cantagalo – diz:Demais Giu..Estou justamente nesta pegada!beijos

06/10/2010 às 21:55 Anonymous - diz:

Rodrigo Fernandes – diz:Alô, eu já vi esse tipo de construção em outros sites, mas nunca entendi o que acontece com o material de limpeza (sabão, detergente, água sanitária). As plantas absorvem isso?E os vermes das fezes, vão parar nas plantinhas também?

11/10/2010 às 08:50 Anonymous - diz:

elaine cristine – diz:bom dia, amei esta ideia e gostaria de saber como posso implementar nas comunidades, pois estou sem ideia a quem recorrer, pois acredito que fica um pouco difícil de apenas uma pessoa a dar esta iniciativa. será que se mostrar esta ideia de permacultura e bioconstrução para a prefeitura eles iriam ajudar?

28/10/2010 às 22:56 Anonymous - diz:

piero – diz:Obrigado pela ideia, vou fazer em meu citio em gravatai que não tem esgoto.

22/02/2011 às 16:50 Anonymous - diz:

Cleo Souza – diz:Quero receber tudo sobre Planeta sustentável, sou Gestora Ambiental e adoro tudo sobre Planeta sustentável.Grata

12/03/2011 às 20:47 Anonymous - diz:

Marcello – diz:Estou contruindo uma casa,que será habitada por 5 pessoas, na floresta amazonica,a aproximadamente 600 mts de um rio e com lençol freatico raso.Gostaria de maiores informações de como fazer um esgoto ecologico.Obrigado.

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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