BuscaBusca avançada
Publique
o selo
no seu blog
Ecovila com horta… e sem delivery Giuliana Capello - 09/03/2010 às 23:35
Imagine-se vivendo num lugar lindo, com amigos por perto, cultivando uma horta e uma pequena lavoura de milho, feijão, mandioca etc. A alvorada é sempre ma-ra-vi-lho-sa, as noites têm céu estrelado com música ao vivo, a água vem das nascentes cristalinas, enfim, bom demais para ser verdade, não é? Eu diria que é bom demais para ser apenas isso – quero dizer, temos também os desafios e dificuldades para enfrentar, dia após dia.Um deles é a alimentação. Explico os por quês. (Mas falo apenas por mim porque essa é uma questão de opções pessoais de dieta, princípios, valores etc., e meus planos podem ser diferentes das intenções das demais famílias que já moram ou planejam morar lá.) Primeiramente, tem a questão da adaptação. Quando eu e meu marido estivermos definitivamente na ecovila, pretendemos adaptar ao máximo o cardápio de acordo com o que as estações do ano podem nos oferecer como se a terra pudesse ser nossa nutricionista e chef de cozinha. Se repararmos bem, é mais ou menos assim mesmo. O mamão papaya, por exemplo, é fruta de verão, suculenta, refrescante, leve. Já o abacate, mais encorpado, oleoso, dá mais energia para os dias de inverno. Os supermercados, com sua oferta irreal de produtos, mascaram as safras agrícolas é possível encontrar quase de tudo o ano inteiro, já que os agrotóxicos, pesticidas e outros insumos artificiais esticam o tempo de safra de diversos alimentos.
Comer o que a terra pode nos oferecer, em diferentes períodos do ano, significa, muitas vezes, diminuir a diversidade dos alimentos pelo menos para quem mora em São Paulo (e tem um pouco de dinheiro), que pode passar a semana inteira fazendo as refeições como se estivesse dando a volta ao mundo: almoça no italiano, janta no francês; depois, almoça no indiano e janta no japonês… Diminuir esse tipo de diversidade (sem falar nas sobremesas) pode ser muito bom para a saúde, o bolso e o planeta.
Bom, além do fato de termos que cultivar a terra, o que implica trabalho e dedicação (embora existam várias técnicas da permacultura que facilitam a nossa vida), tem todo o tempo de preparo dos alimentos. Morando na ecovila, há 15 km da cidade, não dá para dar um pulinho no mercado para comprar o almoço ou passar na casa de massas para pegar uma lasanha. Delivery, então, nem pensar. Ah, sim, e sem essa de pedir pizza às dez e meia da noite. É claro que, vez ou outra, dá para almoçar ou jantar na cidade e voltar. Não estou falando de isolamento, mas de praticidade mesmo.Por conta disso tudo, a cozinha certamente será um lugar bastante frequentado na casa. Prepararemos o café da manhã, o almoço e o jantar todos os dias. E teremos que conciliar essa tarefa com todas as outras que já estão no pacote: trabalhar com as minhas reportagens, cuidar do possível futuro filho, plantar, manter a casa em ordem, participar de atividades em grupo, relaxar, praticar yoga, meditar, ler, não fazer nada, ficar em silêncio, caminhar, namorar e ter tempo de se encantar com o céu. Ufa! Cadê o telefone da pizzaria?!?
A carta na manga, eu diria, são os vizinhos. Ou melhor, o fato de sermos uma comunidade e não um condomínio. Hoje mesmo fui almoçar com uma futura vizinha da ecovila, só que aqui em São Paulo (num natureba macrobiótico, por sinal). E a conversa girou em torno dessa história. Surgiram, então, algumas ideias. Podemos, por exemplo, fazer uma escala semanal de almoço e jantar que integre algumas famílias. Assim, num dia eu cozinho, no outro sou convidada de algum vizinho. Um prepara o almoço e o outro, o jantar. Desse modo, não fica tão pesado para ninguém e pode ser mais divertido também.
Outra possibilidade é termos uma equipe de cozinha para preparar refeições no centro comunitário. Podemos também montar uma escala de trabalho e garantir encontros saborosos, com alimentos colhidos localmente, revezando os esforços. Acho que assim tende a ser melhor para todos. Mas é preciso deixar de lado algumas guloseimas industrializadas e aprender a se deliciar com abóbora caipira, mandioca cozida, hortaliças fresquinhas, feijão guandú, suco de amora tirada do pé, doce de banana caseiro, tapioca com manteiga… Não lhe parece bom?
Foto: horta no quintal do amigo Hiroshi, que recepciona os visitantes com flores, milho, abóbora, couve e outras delícias…
ver este postcomente
10/03/2010 às 12:06 Anonymous - diz:
Carolina – diz:Eu quero!Esse é o desejo da minha vida! Morar em uma Eco vila, me alimentar do meu trabalho, preservar a natureza e aproveitar o que ela nos oferece. A natureza é sábia não é? O exemplo do mamão papaya e do abacate resume muita coisa…rs.Como faço pra me juntar à vocês hein?
10/03/2010 às 12:20 Anonymous - diz:
Rivka – diz:Que legal! Gostei MUITO dessa Ecovila e gostaria de saber mais…em que lugar de São Paulo fica? você pode me passar o seu contato? Me mande um email!
10/03/2010 às 21:23 Anonymous - diz:
Zezé – diz:Olá,Adorei o assunto.também estou nesse movimento de volta pra casa.Gostaria de saber mais sobre e compartilhar idéias.Abraço!
11/03/2010 às 13:34 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá, Zezé, Rivka e Carolina, obrigada pela “visita” por aqui. Deixo a vocês o endereço do site da ecovila Clareando (www.clareando.com.br), para que possam saber um pouco mais sobre a proposta da comunidade, localização (fica em Piracaia-SP, Rivka), construções etc. Cadastrando-se por lá, vocês recebem os informativos de eventos e podem, quem sabe, agendar uma visita até lá. Será um prazer recebê-los. Um abraço, Giuliana
15/03/2010 às 23:46 Anonymous - diz:
Kenia Archas – diz:Olá Giuliana, No começo me pareceu desagradável essa idéia de se deliciar com canapés de cenoura e talo de aipo, rs. No entanto, há coisas saborosíssimas que podem ser feitas com tudo o que há de mais natural e a questão da sazonalidade dos alimentos devia ser mais observada por nós, inclusive aqui na cidade.Gostei muito do seu blog , vou visitar sempre. Um abraço.Kenia.
30/03/2010 às 03:54 Anonymous - diz:
Laura – diz:UAu!Adorei!!!Um doce de abobora com leite, um doce de goiaba, uma geleia de amora, suco de maracuja…ai que saudades da minha infancia!!!Com certeza quero um projeto desses…e ja sei onde vou fazer…Assim que eu for ao Brasil, quero visitar voces….Abracos!!
15/05/2010 às 14:23 Anonymous - diz:
eva – diz:Gostaria de saber sobre o projeto, como são operacionalizados os lotes e toda a organização. obrigado evaEstou buscando meu lugar numa ecovila me ajudem sou professora aposentada e amante da natureza.obrigado
23/06/2010 às 20:42 Anonymous - diz:
Wagner – diz:Oi Giuliana ! Boa reportagem, o Gus me passou o link, não sabia que estava morando ai … e quando fará uma visita aos nossos encontros da permacasa urbana ? Bjs e sucesso
Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!
Enviar
Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
• Ser limpinho num planeta sujinho?
• A simplicidade e a crise de imaginário
• Dias de mudança e gentilezas!
• Meio ambiente: por que custo e não investimento?
• Discurso sustentável tem limite
• A cidade, o campo e a estrela Sinhá
• A mágica das trocas de saberes
• Ideias para esverdear a construção
• Teste drive do banheiro seco
• O planeta numa bandeja (de isopor)?
• Reflexões sobre o slow life e a internet
• Vasos para melhorar o trânsito
• 2012: ano para entender o planeta
• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais
• O caipira e a mobilidade urbana
• O que dar a alguém que já tem “tudo”?
• Pela volta do fogo doméstico
• O empurrãozinho que faltava…
• Um lugar em você chamado Ahimsa
• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração
• Um guarda-chuva para dois verões
• E quando não há rede de esgoto?
• Quem casa quer casa (ecológica!)
• Se não é divertido, não é sustentável
• Secador solar e generosidade
• Doze metros de muita história
• Liberdade anda junto com sustentabilidade
• Produtos que não deveriam existir
• Lixo é uma questão topológica
• Você e o fim da sacolinha em SP
• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?
• O descaso com o lixo orgânico
• Espiritualidade e vida comunitária
• Produzir ou consumir cultura?
• Trocas solidárias que enriquecem
• Acordos comunitários para a ecovila
• Por que o simples é tão complicado?
• Só tecnologia não salva o planeta
• Bioconstrução na serra fluminense
• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!
• Permacultura para transformar
• A nova história dos três porquinhos
• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!
• Dias de mudança (e desapego)
• Sustentável e mais barato, sim!
• Ecovila: mutirão na represa!
• Superadobe ou terra ensacada
• Primavera com onça e lobo-guará!
• Bioconstrução para multiplicar
• Por que adoro hortas permaculturais
• Sobre a formação de uma ecovila
• Quando o tamanho é documento
• Terra fértil e sangue menstrual
• O centro comunitário da ecovila
• Qual é a sua sustentabilidade?
• Ecodesign para cuidar do planeta
• Home centers e produtos ecológicos
• Ecovila com horta… e sem delivery
• A conta de gasolina na ecovila
• Patos, galinhas e outros bichos
• Esperança e cooperação na ecovila
• A COP15 e a síndrome do panetone
• Histórias de uma parteira na Amazônia
• Ecovila e sustentabilidade econômica
• Um carro, um jipe ou um cavalo?!
• Para iluminar a casa e curtir a noite
• Uma casa para abrigar nossos sonhos
• Uma moldura para o horizonte
• Quando o ecológico não é bem ecológico
• Não sei se é verdade, mas repasso?!?
• Por que adoro feiras de trocas
• Minha casa num programa de tv…
• Ah, esse excesso de e-mails…
• Socorro, não aguento mais SP!
• Para tecer uma vida na ecovila
• Entre na onda das roupas usadas
• Mata atlântica: mais que uma efeméride
• O que fazer com a madeira que sobrou?
• Histórias de reúso, economia e bons amigos
• Sua casa pode ser uma ecovila
• Meu telhado verde, verdinho, verdinho
• Celebrar ajuda a enfrentar problemas
• O segredo da abóbora mágica…
• Quanto vale o nosso trabalho?
• Meus vizinhos, minha família
• De que é feita a minha casa?
• A alegria de viver em comunidade
• Crise financeira ou chance para o planeta?
• O que eu vou fazer numa ecovila?
• Construir com as próprias mãos
• Confissão: eu não passo roupas
• As ecovilas e as mudanças climáticas
• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável
• Tomada de decisão por consenso
• Tapioca: regional, gostosa e sustentável
• Para ter uma composteira caseira
• Água no copinho plástico? Tô fora!
• Música para sentir a natureza
• Bioconstrução e desastres naturais
• Democracia, consenso ou autocracia??
• Para construir uma comunidade
• O prazer das compras solidárias
• Poluição e Arte dentro do túnel
• Riqueza para além do dinheiro
• Nós e a natureza, conectados
• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party
• Horta vertical para pequenos espaços
• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval
• Aprendendo a costurar com a avó
• Festa infantil não precisa ser descartável!
• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária
• Permacultura: do linear ao cíclico
• Cinco dias com o arquiteto descalço
• Sustentável é também saber ouvir
• Permacultura: transformando problemaem solução
• Falta de civilidade é fogo (na mata)!
• Design natural é tudo de bom!
• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?
• Abaixo as fraldas descartáveis!
• Histórias de uma outra gastronomia
• Uma outra gastronomia – parte 2
• Por uma dieta que respeite o planeta
• Construtoras precisam se adaptar
• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!
• Disk-pizza e permacultura na geladeira