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Ecodesign para cuidar do planeta Giuliana Capello - 31/03/2010 às 12:13
Você já pensou na quantidade de produtos que a humanidade criou até hoje? É um mundaréu de objetos, equipamentos, invenções e quinquilharias. Tudo bem, uma boa parte é coisa realmente importante, como a nossa indispensável geladeira e também a máquina de lavar roupas (que, aliás, segundo uma pesquisa recente, foi apontada por mulheres como sendo um marco mais importante para a conquista feminina do que a pílula anticoncepcional… Mas isso é outra história). Grande parte, porém, é coisa absolutamente inútil e dispensável, e que, no entanto, envolveu extração de matéria-prima, consumo de energia, água, geração de lixo etc. etc. etc.Se você fosse um designer, teria coragem de criar produtos sem se preocupar com os impactos socioambientais? Pois é, infelizmente, ainda tem gente que não acordou para a necessidade de ser responsável por aquilo que cria. E, por outro lado, mesmo que você não seja um profissional da área, suas escolhas como consumidor apóiam a produção de tudo que você leva para casa. Sacou?
É verdade: já tem muito profissional consciente prestando atenção nisso. Nas indústrias, alguns designers projetam com o objetivo de tornar o produto mais ecoeficiente, de maneira a consumir menos água, energia e materiais. É o caso do pessoal que cria torneiras e chuveiros mais econômicos, móveis com madeira de reaproveitamento e embalagens recicladas e recicláveis. Mas ainda é tão pouco…
Sem querer apelar para a ecochatice, alguns produtos não deveriam sequer existir, porque são inaceitáveis do ponto de vista socioambiental. Foram fabricados com mão-de-obra precária, viajaram o mundo em contêineres, consumindo combustível e emitindo CO2 para a atmosfera. E para quê? Para serem vendidos por camelôs em feiras clandestinas, com preços irrisórios, e virarem mais uma entre centenas de porcarias que muita gente ainda compra para jogar fora em poucos dias.
O bacana do ecodesign é criar pensando na durabilidade, na qualidade, na origem das matérias-primas, no respeito aos trabalhadores, na forma de descarte, entre outros critérios. Penso que essa área de design e desenho industrial talvez seja a mais importante para este século, porque é justamente uma parte dessa galera que está quebrando a cabeça para inovar com produtos menos poluentes, mais eficientes, e por aí vai.
Um bom exemplo, quem diria, vem de um dos designers mais pops do momento: o anglo-egípcio Karim Rashid, queridinho nos quatro cantos do mundo. Entre os mais de 3.000 projetos dele está a novíssima Bobble, uma garrafinha de água que vem com um filtro embutido e é feita com pet reciclado. Assim, você pode enchê-la com água da torneira e beber sem medo de contaminação. Eis um produto esperto, interessante e que pode, de maneira muito simples, revolucionar o mercado de água engarrafada, reduzindo a geração de embalagens descartáveis sem falar na economia para o bolso do consumidor. E você? Tem alguma ideia genial que pode ajudar a cuidar do planeta?
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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