Gaiatos e Gaianos

Publique
o selo
no seu blog

A COP15 e a síndrome do panetone Giuliana Capello - 08/12/2009 às 16:56

Ok, você pode até me detestar pelo que vou escrever nas próximas linhas, mas como o blog permite opiniões pessoais, desabafos e afins, resolvi compartilhar um pouco das minhas impressões sobre a COP15 e sua megalomania.

Que a reunião internacional é importante, disso não duvido nem faço piada. O problema é que o evento tem tudo para virar um grande panetone: só faz sucesso na época do natal. Depois, ninguém nem lembra que ele existe (embora alguns adoradores até saibam onde encontrar o quitute fora da “estação”).

Quando a ECO-92 parou o Rio de Janeiro, muito ambientalistas foram tomados por uma dose extra de otimismo, como se falar sobre temas ambientais fosse o bastante para mudar alguma coisa. Quase duas décadas depois, porém, decisões importantes tomadas lá atrás ainda não saíram do papel. É verdade, sim, que a Conferência foi a primeira a ocupar páginas e mais páginas dos jornais, que foi o primeiro evento a mostrar ao Brasil a importância – e a urgência – dos desafios ambientais. Mas a euforia durou o tempo do encontro. E nada mais. Logo depois, as crises no Congresso, os resultados do campeonato brasileiro e as fofocas do mundo das celebridades voltaram às primeiras páginas.

Não é questão de ser pessimista. Ao contrário. Quero mais é que o assunto ‘pegue’ na mídia e penetre no cotidiano de cada um de nós. Mas de verdade. Com profundidade e insistência. Não como espetáculo com data para terminar.

Em tempos de excesso de informação, incertezas científicas e dribles de marketing no maior estilo greenwashing, chefes de estados e empresários que dão as caras na COP15 levam na testa o rótulo de “gente boa”, disposta a fazer o que tiver de ser feito. Mas será que isso é o bastante? Para que a capital dinamarquesa não vire um inferno cheio de boas intenções será preciso mais do que belos discursos e documentos assinados por famosos globais que andam pra lá e pra cá com escolta de seguranças, paparazzi e subordinados loucos por um pouco mais de poder.

Aliás, falando nisso, já parou para pensar nos custos ambientais da COP15? Quantas pessoas atravessaram oceanos para chegar a Copenhague, consumindo petróleo e emitindo CO2 para a atmosfera? E o consumo de energia local, então? A cidade tem poucas horas de luz do dia nessa época do ano. Boa parte das reuniões da Conferência acontece sob iluminação artificial – e dá-lhe ar-condicionado para disfarçar o ‘friozinho’ local de um dígito.

Tudo bem, eu sei que o evento já estava marcado há muito tempo, mas convenhamos: não tinha uma data melhorzinha?! Às vésperas do natal, das férias de fim de ano, das eleições presidenciais e de mais uma Copa do Mundo, você acha que as discussões da COP15 vão sobreviver ao Reveillon em terras tupiniquins? Nem por decreto ou medida provisória!

E já que é assim, então, o que fazer? Como me disse um amigo, certa feita, os governos e as organizações não-governamentais (ONGs) têm limites de atuação. Por isso, seja um ING: indivíduo não-governamental. Não se deixe abalar pelo que não for estabelecido na COP15 e faça a parte que cabe a você. Hoje, amanhã e até o fim dos nossos dias – ou do planeta, o que vier primeiro. (Desculpe, mas ser irônico, às vezes, é um mal necessário…)

Ah, sim, e tente não esquecer o assunto, mesmo quando estiver sendo bombardeado(a) com notícias sobre futebol, fogos em Copacabana, carnaval e outros temas, digamos, mais importantes para o futuro da humanidade. (Ah, quanta ironia…)

ver este postcomente
Comentários

08/12/2009 às 17:12 Anonymous - diz:

Thiago Benucci – diz:Olá, dá uma olhada aqui algumas noticias relacionadas as crises ambientais e a COP15. http://www.anovaordemmundial.com/Aonde vamos parar quando o assunto é só $…

08/12/2009 às 19:30 Anonymous - diz:

André – diz:Infelizmente vc possa estar certa até eu que nao curto futebol, até mesmo o fogos de artificios posso me esquecer disso!Mas sempre existe a esperança SOU BRASILEIRO E NÃO DESISTO NUNCA!Hhahha

08/12/2009 às 19:59 Anonymous - diz:

Roberta – diz:Concordo totalmente, pensei ter sido a única a pensar assim…Espero que essa conferência não caia no esquecimento, por favor.. !

09/12/2009 às 11:52 Anonymous - diz:

Ariel Corral – diz:Que tal um CNG, Casal Não Governamental

10/12/2009 às 12:12 Anonymous - diz:

Paulo Sá – diz:Muito interessante a sua colocação. De fato, as coisas não mudam porque papéis são assinados, exceto algumas. Quando se assina um tratado de paz ou coisas parecidas, parece que tem efeito por mais tempo. No entanto, quando se trata de mudança de paradigma, assinatura em papel é o que menos interessa, exceto se virar lei e for regulado na lógica de uma política pública que de fato redirecione as coisas promovendo a construção de uma nova cultura. Velhos lobos assinando papel se comprometendo com um novo momento que não parece atender aos seus antigos interesses, isso eu duvido.

10/12/2009 às 23:00 Anonymous - diz:

Thiago – diz:Esse tratado visa mais os fatores economicos do que ambientais. Ele visa controlar os paises, criando um ‘governo mundial’. Se quisermos realmente mudar algo, tem que ser de pessoa para pessoa, começar na sua casa, no seu trabalho, na sua rede de amigos. Um bando de governante que só liga pra reputação do seu pais e o seu dinheiro nao qer saber de amazonia, poluição, etc.

Deixe aqui seu comentário: Preencha os campos abaixo para comentar, solicitar ou acrescentar informações. Participe!

Enviar

Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

Posts anteriores

• Eu, você e o fim do mundo

• Esterco, palha e felicidade

• No compasso da natureza

• A simplicidade e a crise de imaginário

• Criança precisa de natureza

• Dias de mudança e gentilezas!

• Mudança para a ecovila!

• Meio ambiente: por que custo e não investimento?

• A lição básica do lixo

• Discurso sustentável tem limite

• A cidade, o campo e a estrela Sinhá

• A mágica das trocas de saberes

• Carnaval em comunidade

• Ideias para esverdear a construção

• Teste drive do banheiro seco

• O planeta numa bandeja (de isopor)?

• Reflexões sobre o slow life e a internet

• A face feia dos cosméticos

• Vasos para melhorar o trânsito

• Primeira virada em casa!

• 2012: ano para entender o planeta

• Pratique a observação!

• Greenbuilding para pássaros

• Belo Monte, Rachel Carson e minhas velas artesanais

• O caipira e a mobilidade urbana

• O que dar a alguém que já tem “tudo”?

• Pela volta do fogo doméstico

• O empurrãozinho que faltava…

• Um lugar em você chamado Ahimsa

• RPPN El Nagual: cooperação, amizade e inspiração

• Dez anos de um sonho

• Você quer ser bom ou justo?

• É primavera em mim

• E viva o decrescimento

• Um guarda-chuva para dois verões

• E quando não há rede de esgoto?

• Quem casa quer casa (ecológica!)

• Se não é divertido, não é sustentável

• Lunática com muito orgulho

• Secador solar e generosidade

• Doze metros de muita história

• Velhice x terceira idade

• Infância desplastificada

• Um dia sem telas

• Um luxo chamado Tempo

• Horta de fundo de quintal

• Liberdade anda junto com sustentabilidade

• Produtos que não deveriam existir

• Lixo é uma questão topológica

• Celebração de blogueira

• Você e o fim da sacolinha em SP

• A lição do Ubuntu ancestral

• Ecovila: no pasto ou na mata nativa?

• Cada um com seu entulho

• O descaso com o lixo orgânico

• Espiritualidade e vida comunitária

• Produzir ou consumir cultura?

• Fukushima e você

• Trocas solidárias que enriquecem

• Lavar roupas sem sabão!

• Acordos comunitários para a ecovila

• O valor de uma árvore

• A chegada de uma nova vida

• Por que o simples é tão complicado?

• Impressões do interior

• Só tecnologia não salva o planeta

• Bioconstrução na serra fluminense

• Um bairro em transição

• Petrofóbicos e locávoros, uni-vos!

• Permacultura para transformar

• Água de chuva, muita chuva…

• Partida e chegada

• A nova história dos três porquinhos

• 365 dias mais ecológicos

• Maternidade e natureza

• Livrai-nos dos pecados do greenwashing!

• Pesadelo de consumo

• Dias de mudança (e desapego)

• Sustentável e mais barato, sim!

• Quem faz a sua comida?

• Ecovila: mutirão na represa!

• Cohousing: morar com amigos

• Esgoto bacana e ecológico

• Superadobe ou terra ensacada

• Primavera com onça e lobo-guará!

• Bioconstrução para multiplicar

• Feriado unplugged

• O que é viver bem?

• Jardim de histórias

• Por que adoro hortas permaculturais

• O joio e o trigo

• Máquinas descartáveis?!?

• Parques x hidrelétricas

• Atire bolas de semente!

• Sobre as boas tradições

• Precisamos de uma escola!

• Sobre a formação de uma ecovila

• Festa junina na ecovila

• Quando o tamanho é documento

• Terra fértil e sangue menstrual

• O tempo de uma casa

• O centro comunitário da ecovila

• Tempo para a arte

• Medicina ecológica?

• O céu de todos e de cada um

• Aqui e agora

• Sabedoria das ervas

• Qual é a sua sustentabilidade?

• Privacidade numa comunidade

• Ecodesign para cuidar do planeta

• Home centers e produtos ecológicos

• O valor do silêncio

• Ecovila com horta… e sem delivery

• A conta de gasolina na ecovila

• Patos, galinhas e outros bichos

• Despedida na ecovila

• Conectada, finalmente!

• Menos tv, mais horta

• O recado das crianças

• Os pedreiros somos nós!

• Esperança e cooperação na ecovila

• O tempo é o novo regente

• Sobre a proximidade do fim

• A COP15 e a síndrome do panetone

• Histórias de uma parteira na Amazônia

• Multiplicar é muito bom

• Governança na ecovila

• Morar em vila…em São Paulo

• Gestão do lixo na ecovila

• Ecovila e sustentabilidade econômica

• Um carro, um jipe ou um cavalo?!

• Parede de toquinhos

• Casa com água da chuva

• Para iluminar a casa e curtir a noite

• Festa da primavera

• Uma casa para abrigar nossos sonhos

• Uma moldura para o horizonte

• A composteira da minha avó

• Quando o ecológico não é bem ecológico

• Tijolos de adobe

• Não sei se é verdade, mas repasso?!?

• Por que adoro feiras de trocas

• Ecovila sem internet?

• Entre amigos

• Minha casa num programa de tv…

• Ah, esse excesso de e-mails…

• Trabalho de formiguinha

• Socorro, não aguento mais SP!

• Para tecer uma vida na ecovila

• Entre na onda das roupas usadas

• Mão na massa, sem discursos

• Mata atlântica: mais que uma efeméride

• Como construir uma ecovila?

• O que fazer com a madeira que sobrou?

• Histórias de reúso, economia e bons amigos

• Frio na barriga…

• Mutirão de solo-cimento

• Encontro de ecovilas!

• Sua casa pode ser uma ecovila

• Meu telhado verde, verdinho, verdinho

• Celebrar ajuda a enfrentar problemas

• Yoga e sustentabilidade

• O segredo da abóbora mágica…

• Dona-de-casa, eu?!?

• Quanto vale o nosso trabalho?

• Forno de pizza de barro

• Meus vizinhos, minha família

• Mosaico de vidros usados

• A insustentável mão-de-obra

• Sorvete de inhame!

• De que é feita a minha casa?

• Parede de garrafa?!

• Composteira de novo!

• O Natal pode ser ecológico?

• A alegria de viver em comunidade

• Infância ecológica

• Devagar é mais gostoso

• Mitos e vícios modernos

• Crise financeira ou chance para o planeta?

• O que eu vou fazer numa ecovila?

• Fãs de pau-a-pique

• Construir com as próprias mãos

• Parto natural e ecológico

• Confissão: eu não passo roupas

• As ecovilas e as mudanças climáticas

• Slow life: vida mais calma, lenta e confortável

• Paredes vivas de Cob

• Dividir para ter mais

• Tomada de decisão por consenso

• Simplicidade voluntária

• Bicho de ecovila

• Brechó arquitetônico

• Histórias de João-de-barro

• Tapioca: regional, gostosa e sustentável

• Para ter uma composteira caseira

• Mutirão de telhado verde

• Malhação para o planeta

• Minha casa na ecovila

• Catadores de esperança

• Água no copinho plástico? Tô fora!

• Música para sentir a natureza

• Bioconstrução e desastres naturais

• Democracia, consenso ou autocracia??

• Entulho não é lixo!

• Viva o pequeno agricultor!

• Educação para o campo

• Meu bairro, minha cidade

• Por trás do velho clichê

• Para construir uma comunidade

• O prazer das compras solidárias

• O tempo do sol e da lua

• Poluição e Arte dentro do túnel

• Riqueza para além do dinheiro

• Catadora, com muito orgulho

• Nós e a natureza, conectados

• High tech ou low tech?

• Impressões de uma ecochata (?) na Campus Party

• Horta vertical para pequenos espaços

• Receitas naturais para curar a ressaca do carnaval

• Aprendendo a costurar com a avó

• Festa infantil não precisa ser descartável!

• Telhado ou jardim?

• Consumo verde: tarefa difícil mas necessária

• Permacultura: do linear ao cíclico

• Um mergulho na Permacultura

• Cinco dias com o arquiteto descalço

• Banheiro seco? Como assim?!

• Sustentável é também saber ouvir

• Permacultura: transformando problemaem solução

• Uma delícia de mutirão

• O dia em que adotei a Sofia

• Falta de civilidade é fogo (na mata)!

• Design natural é tudo de bom!

• Dividir a lavanderia com o vizinho?!?

• Abaixo as fraldas descartáveis!

• Sim, absorvente ecológico!

• Histórias de uma outra gastronomia

• Uma outra gastronomia – parte 2

• Sem carro e sem delivery

• Por uma dieta que respeite o planeta

• Minhocas via Sedex

• Mais adubo e menos lixo

• Lugar de madeira é…

• Construtoras precisam se adaptar

• Seu Zé e as arvrinhas

• Reunião de condomínio? Não, de ecovila!

• Disk-pizza e permacultura na geladeira

• Domingão na feira de trocas

• Feira de trocas – parte 2

• Feira de trocas – parte 3

• Guarda-roupa coletivo espanta o frio

• Até quando seremos gaiatos?

PATROCÍNIO: