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A composteira da minha avó Giuliana Capello - 01/09/2009 às 21:11
Você já tentou fazer a cabeça de alguém para que adotasse algum hábito ecológico? Já foi ativista em alguma causa e se sentiu um peixe fora dágua diante das caras de tô-nem-aí do público? Ou já deixou de fazer discurso em prol das praias limpas porque achou que não valeria a pena? Bem-vindo(a) ao clube dos ecochatos e biodesagradáveis. Certo? Bom, não precisa ser assim. É possível transmitir ideias e sugestões a muita gente sem que suas palavras soem arrogantes, radicais ou inconvenientes.
Engraçado dizer isso, mas não me sinto uma ecochata. Quando estou num grupo, raramente fico tentando convencer uma pessoa a mudar de hábito, ou apontando o dedo como quem diz você não pode agir assim. Se eu conheço a pessoa, até costumo intervir, mas de um jeito suave. Busco sempre mostrar que adotar um hábito mais ecológico pode trazer benefícios para ela: para a saúde, para o bolso, para a boa convivência entre vizinhos. Nada de muito sacrifício ou perda de conforto. Um passo de cada vez.
Na permacultura há um princípio que diz: trabalhe onde vale a pena. Uso essa máxima sempre. Porque não adianta nada querer plantar um discurso lindo em terreno estéril. Cada interlocutor merece e requer uma comunicação específica. Não se convence uma criança, um empresário, um idoso e uma dona de casa usando o mesmo discurso-padrão. Talvez esse seja o grande problema dos programas de educação ambiental: a falta de tato para falar com diferentes públicos.
O que realmente faz a diferença, na verdade, é ir além do simples discurso. Sabe a velha história de que um exemplo fala mais do que qualquer grande palestra? Pois é. É por aí. Nas minhas andanças, tive muito mais êxito mostrando atitudes na prática, até despretensiosamente, do que proferindo palavras bem arranjadas.
Tempos atrás, estava com a minha avó no jardim da minha casa. E resolvi falar sobre compostagem orgânica. Contei que separava os restos de comida para jogar na composteira e que, após alguns meses, o que era lixo virava adubo para as plantas. Eu já estava esperando um comentário de incompreensão, quando ela me surpreendeu: Sabe que eu gostei dessa ideia?! Parece simples, fácil de fazer e econômico, porque você não precisa mais comprar adubo de loja nem deixar lixo na porta de casa. Expliquei, então, como preparar uma composteira.
Dias depois, reencontrei a vó Sinhá, desta vez na casa dela. Ela, toda orgulhosa, foi logo me mostrar a novidade que estava no quintal: uma composteira, é claro. No café da tarde, ela ainda reforçou a história. Vou separar as cascas das frutas para a composteira, disse, com um sorriso desses de criança quando descobre um jeito novo de brincar. Três meses mais tarde, fez questão que eu visse o resultado: um composto bonito, com cheiro de terra úmida e cara de chão de mata preservada. Lindo de ver.
Resolvi contar essa história porque já ouvi muita gente dizer que os mais velhos são mais resistentes a novidades e mudanças. Mas quando se trata de evitar desperdícios, o pessoal da terceira idade costuma dar exemplo aos mais jovens. Gostam de tudo que gera economia. E sabem racionar como ninguém. Água, conta de luz, alimentos. Tudo com técnicas simples, de baixo custo e eficientes. Enganam-se os que pensam que as novas tecnologias superam os saberes antigos de nossos antepassados. Sabedoria não tem prazo de validade. (Eu até posso ter ensinado algo novo a ela, mas tenho certeza de que ela sempre terá muito mais para me ensinar.) Tem gente que chama essa qualidade dos idosos de pão-durice, mesquinharia. Discordo. Em tempos de desafios ambientais, consumir com consciência é um mérito e tanto. E saber ouvir os mais velhos, também…
ver este postcomente
03/09/2009 às 15:29 Anonymous - diz:
Fernanda – diz:E como é que se faz uma composteira?
03/09/2009 às 17:03 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Fernanda, dê uma olhada no post “Mais adubo e menos lixo”, publicado aqui tempos atrás: http://planetasustentavel.abril.uol.com.br/blog/gaiatos/54498_post.shtml. Lá tem o passo a passo pra você fazer uma composteira doméstica. Saudações!
07/09/2009 às 19:31 Anonymous - diz:
Anderson Vale – diz:Sobre a comunidade (clareando)é uma busca que sempre fez parte da minha vida, tenho 47 anos sou casado com 2 filhos, antes de conhecer minha atual mulher, tive algumas experiencias na tentativa de implantar um modelo alternativo de vida, mas por imaturidade, não decolaram, hoje ainda busco esse modelo, gostaria de melhores informações, sobre o local e seus comprometimentos e de que forma podemos participar efetivamente. Deixei esse comntário aqui, porque não consegui entrar em contato com ninguem da comunidade, vc pode me ajudar?Bjão.
10/09/2009 às 11:59 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá, Anderson, tudo bem? A Ecovila Clareando fica em Piracaia, interior de São Paulo, entre Atibaia e Joanópolis. É um lugar lindo. A comunidade está instalada em 27 hectares, com 5 nascentes que garantem água de excelente qualidade a todos nós. Os lotes privados ficam em área de antigo pasto, uma escolha para não agredir o solo local. Bom, como teria muitas coisas para contar, vou enviar um email pra vc, para que iniciemos um bate-papo sobre a comunidade, que tal? Será um prazer compartilhar. Um abraço, e até breve.
14/09/2009 às 09:47 Anonymous - diz:
Anderson – diz:ok, aguardo seu e-mail.abraço.
18/09/2009 às 22:37 Anonymous - diz:
Marília – diz:Fiz uma composteira HOJE para meu apartamento, seguindo as orientações aqui do blog!!! Yupiiii!!! Furei todinha, coloquei o pratinho embaixo para o chumurro (ou chumorra?). Agora só estou preocupada com uma coisa… aqui em casa todo dia tem uma quantidade razoável de lixo orgânico. Temo precisar de mais uns 10 baldes. É preciso colocar muita terra misturada com os resíduos? É possível colocar grãos cozidos na terra? agradecida pela dica maravilhosa! abraço
21/09/2009 às 15:58 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá, Marília, que maravilha saber da sua iniciativa. Em casa, uso duas composteiras. Quando uma fica cheia, começo a jogar os resíduos orgânicos na outra. Assim, quando a segunda também fica cheia, o composto da primeira já está pronto para ser usado nas plantas. E o ciclo recomeça. Pense nessa lógica e tente adaptá-la ao volume de resíduos da sua casa. Com o tempo, você saberá direitinho quantos baldes serão necessários. E não precisa jogar muita terra, não. Só o bastante para cobrir os resíduos e evitar mau cheiro – pode ser pó de café ou folhas secas também. Alimentos cozidos podem ir para a composteira, mas evite jogá-los em grande quantidade. Ah, mais um palpite: você disse que produz bastante lixo orgânico…Se for muita coisa mesmo, será que você não conseguiria reduzir essa quantidade aproveitando mais dos alimentos? Dá para fazer bolos, sucos e outras delícias com cascas, folhas e talos. Na internet, é fácil encontrar receitas nutritivas e saborosas. Se me permite uma sugestão, talvez fosse interessante fazer uma análise do seu lixo, para saber se seria possível reduzi-lo (esta sim é a nossa lição mais importante. Reduzir o lixo). Parabéns pela atitude e boa sorte! Um abraço, Giuliana
30/09/2009 às 16:39 Anonymous - diz:
Marília – diz:Olá, Giuliana, obrigada pela resposta. Já se passaram duas semanas desde que fiz o primeiro balde (30l), e o segundo já está pela metade. O cheiro é até agradável, os mosquitinhos não são insistentes e ela está ficando bem quentinha. Decidi escondê-la debaixo de umas árvores no canteiro do meu apartamento, no playground, e agora alguns vizinhos, crianças e porteiros estão bem interessados no que vai acontecer. Vou começar a listar o que jogamos no lixo, mas o problema das cascas são os agrotóxicos, já que nem tudo aqui é orgânico. Um grande abraço!
24/06/2011 às 05:47 Anonymous - diz:
Ab fab my gooldy man.
25/06/2011 às 04:44 Anonymous - diz:
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25/06/2011 às 13:01 Anonymous - diz:
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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