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Cohousing: morar com amigos Giuliana Capello - 12/10/2010 às 18:56
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Já escrevi aqui no blog sobre cohousing, um jeito diferente de morar, que contribui para a redução da pegada ecológica. Nessas casas coletivas, comuns em alguns cantos da Europa e nos EUA, várias famílias habitam a mesma casa e estabelecem áreas privativas (em geral, quartos e banheiros) e espaços comunitários: cozinha, salas de estar e jantar, biblioteca, lavanderia, horta etc.
A prioridade é sempre a convivência entre as famílias, que os adeptos dessa prática consideram interessante porque reduz custos econômicos e ambientais e ainda torna o cotidiano mais leve (porque sempre tem alguém com quem dividir as atividades da casa) e rico em experiências, graças à troca de saberes e conhecimentos dos integrantes. Sabe aquele papo de um cozinhar, outro ensinar um idioma, outro ainda cuidar das crianças? Isso tudo são trocas solidárias, feitas de sorrisos, sem necessidade de pagamento em dinheiro.
Não chega a ser como uma república de estudantes, porque são famílias e não indivíduos que dividem de tudo um pouco. Outra diferença que me perdoem os universitários, mas já fiz parte dessa bagunça um dia está nas regras da casa. Todos têm direitos e deveres, a começar pelo zelo à privacidade nos espaços unifamiliares e pelo compromisso de manter tudo funcionando direitinho nas áreas usadas por todos.
Por que estou tocando nesse assunto de novo? Bom, digamos que na minha saga de terminar a casa na ecovila, sair de São Paulo e transformar radicalmente minha vida em algo que me dê mais sentido e fé nas opções da humanidade (e nas minhas também), eis que encontrei uma casa em Piracaia (cidade paulista com sotaque mineiro, onde fica a ecovila Clareando), exatamente na rua em que mora um casal de amigos muitos queridos, o Ângelo e a Débora. Não por acaso, eles também estão trilhando o mesmo caminho que eu e meu companheiro. Querem uma vida mais tranquila, longe da pulsação de consumo que sentimos nas grandes cidades. Querem também ar melhor para respirar, pensar em filhos mais saudáveis brincando no quintal e na horta, um trabalho mais prazeroso que não venha acompanhado de longas horas no trânsito todos os dias.
Pois bem. Ontem vimos uma casa para alugar a uns 50 metros da casa deles e gostamos bastante. Na verdade, é melhor do que uma casa: são DUAS casas no mesmo terreno, até que bem grandinho, com um grande gramado (que tem tudo para ganhar horta, composteira, espiral de ervas, bananeiras etc.). Sacou? Duas casas… Duas famílias… Será?
A ideia de cohousing foi inevitável. Uma ousadia tão boa! Eles também gostaram, ficaram animados. Estavam conosco quando visitamos a casa. Juntos, até sonhamos um pouquinho: uma lavanderia para os dois casais, que não precisam duplicar equipamentos, uma só conexão de internet, um só telefone fixo. Até aí, temos contas divididas e menos compras de equipamentos. Mas há a parte que envolve cooperação e fraternidade: um ajudar o outro, apoiar o outro nessa mudança de vida.
Por mais que eu fale sobre isso aqui no blog, deixar São Paulo e ir para o interior e ainda por cima numa ecovila, numa comunidade alternativa não é bolinho… Tem implicações profissionais, familiares, mudanças profundas de verdade. Fazer isso em casal requer ajuda mútua e muita compreensão para lidar com os momentos difíceis de adaptação. Por isso mesmo, dividir com mais um casal essa etapa até nos fixarmos na ecovila, quando as casas estiverem prontas pode ser uma forma de fazer uma transição mais tranquila e rica em vivências únicas. Adorei…
Eu e a Débora já nos divertimos muito pensando na ajuda que uma poderá dar a outra. Suporte mesmo – emocional, principalmente. Com amigos tudo fica mais gostoso, não é? Então, por que não tentar? Sempre gostei da ideia de cohousing, já pesquisei bastante o assunto, conheço pessoas que moram assim e são muito felizes. É claro que chega uma hora em que o que mais se quer é sossego e muita, muita privacidade. Ok, sem problemas. Mas talvez agora seja uma hora boa de expandir um pouco a família, mantendo fronteiras sutis para não desagradar a ninguém, e partir para uma experiência que inclua amigos sempre por perto, escalas de trabalho na cozinha, boas conversas na varanda ao entardecer, cuidados com a horta, uma sopinha ao pé da lareira… ai, ai. Bom demais!
Nessa sociedade que parece cultuar mais e mais a individualidade, as boas surpresas – se permitirmos podem estar exatamente na outra margem do rio, naquele lugar em que de mãos dadas somos mais fortes. Vou nadar até lá e mando notícias quando puder!
Ah, para saber mais sobre cohousing, dê uma olhada no post Dividir a Lavanderia com o vizinho?!
Foto: Brincadeira entre amigos, para iluminar noites de lua preguiçosa. Se essa história der certo mesmo, vai merecer até fogos de artifício… (Se bem que acho que eles não são muito ecológicos…)
ver este postcomente
13/10/2010 às 12:27 Anonymous - diz:
Michel. – diz:Haha!Que legal!Espero que de tudo certo!:D
14/10/2010 às 14:36 Anonymous - diz:
angelo negri – diz:Maravilhoso que hoje é possível realizar isso… É quase como tocar as nuvens! Vcs já são nossa família a muuuito tempo, e essa idéia tem que ir adiante.Maaas, se vc pegar a mania do limpa-limpa da Dé, eu e o Cumpadi vamos morar juntos na casa dos fundos!!E tenho (o) Dito!!!!Inté!
17/10/2010 às 19:54 Anonymous - diz:
Sérgio Storch – diz:Não sabia que essa ideia estava pegando. Maravilha: é o que existe nos kibbutzim israelenses, mas lá a produção era basicamente rural. Talvez a ideia seja mesmo mais apropriada para uma sociedade baseada na economia de serviços, em que as pessoas têm que ter mobilidade para estar em clientes em horários imprevisÃveis etc. Parabéns!!!Acho que vcs gostarão de aderir à campanha do Greenpeace com a Rede Nossa São Paulo. http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/no-mais-crescente-nem-frtil/blog/26675
19/10/2010 às 15:44 Anonymous - diz:
Diana – diz:Saudade flor. Beijo te amo!
19/10/2010 às 19:42 Anonymous - diz:
Alessandra Caprara – diz:Giu! Muito lindooo!!!! Aquela nossa idéia do hotel está tomando cada vez mais forma! FAlta um ou outro detalhe, meio fundamentais hehehe, mas estamos confiantes que logo tudo se resolverá!Essa idéia é bárbara!!! É só encontrar uma família que combine com a sua né?! heheheColoquei seu blog como favorito no meu blog! porque não tenho que escrever sobre permacultura ou ecologia! Você já faz isso muito bem!!!Abraços!
26/10/2010 às 14:33 Anonymous - diz:
Léia – diz:Eu tb quero morar nessa casa!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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