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A chegada de uma nova vida Giuliana Capello - 01/03/2011 às 17:29
A história que vou contar a você hoje fala de amizade, comunidade e gratidão, palavras que cultivo no coração e em ações, um pouquinho mais a cada dia, especialmente desde que ingressei na ecovila e passei a sentir que havia ali uma oportunidade real de criar laços de fraternidade e viver entre amigos-irmãos.É esse sonho que sempre me ajuda, quando necessário, a relembrar os motivos que me trouxeram à comunidade da ecovila Clareando. Foi com esse espírito que a Camila e o Bruno, pais da pequena Beatriz (na foto, minutos depois do nascimento), entraram na minha vida. Os dois moram num sítio em Joanópolis (SP), bem afastado da cidade, e sempre visitam a ecovila, que fica na cidade vizinha de Piracaia (SP). O Bruno é bioconstrutor (dos bons!) e já trabalhou em algumas casas da comunidade, inclusive na minha. A Camila é apaixonada por mato e gosta de toda forma de contato mais íntimo com a natureza. Juntos, eles caminham transpirando gratidão pela vida simples e abundante do campo.
Para receber a Beatriz, os dois planejavam um parto domiciliar e assim, convidados por mim e meu marido, hospedaram-se na minha casa, que fica a cinco minutos da maternidade de Piracaia medida de precaução aconselhada pela médica e também amiga Sylvia.
Foram dias gostosos e tranquilos, com refeições entre amigos, estreitamento de vínculos e descobertas alegres de afinidades. Preparamos a casinha dos fundos para eles, com tudo o que eles precisariam para se sentir à vontade. Até a cachorrinha deles, Estrelinha, conseguiu se acostumar à morada temporária e chegar a um acordo territorial com a minha Sofia.
De coração, a presença deles fez tudo ficar mais bonito. Senti-me honrada com o fato deles terem escolhido minha casa como primeiro abrigo da Beatriz neste mundo. Eles viviam dizendo que não tinham como agradecer e tal, mas mal sabem eles o quanto isso foi e está sendo importante para mim e, certamente, para todos à nossa volta. Esse é o sentido da amizade, crescer junto, compartilhar, sentir apoio e saber amparar.
Bom, o fato é que nem sempre os planos se concretizam. Não temos controle sobre quase nada nessa vida e é preciso aprender quando é hora de se deixar levar pela correnteza do rio, sem perder energia à toa, nadando contra a corrente. Três semanas antes do prazo previsto para o parto, durante a virada da lua e uma tempestade intensa que atingiu a cidade de madrugada, a bolsa da Camila rompeu. Horas depois ela já estava no hospital, com a médica, que achou mais apropriado fazer o parto lá mesmo, por conta de ser um pouquinho prematuro.
O pai participou ativamente de todos os momentos, dando suporte à Camila, que também contou com o apoio da mãe, Néia. Já a Camila manteve-se concentrada e forte, como uma guerreira linda, nas palavras da parteira Sylvia. Foi emocionante. A Beatriz veio ao mundo no dia 24 de fevereiro, da maneira mais natural possível, tal como nos chegam o sol, a chuva e a brisa.
Três dias depois, a nova família retornou à minha casa e nos concedeu o prazer de partilhar conosco alguns dos primeiros gestos e novidades na vida da Beatriz: o primeiro banho de sol, as primeiras mamadas e trocas de fraldinhas, os primeiros sorrisos…
Eu e a amiga Débora, também da ecovila, nos oferecemos para doar as fraldas ecológicas, aquelas que são laváveis e podem ser reutilizadas muitas e muitas vezes. Mas, depois que vimos que ficaria um tanto caro, resolvemos fazer uma campanha entre a comunidade para arrecadar fundos para a compra das 20 fraldinhas (número considerado suficiente para os dois anos em que o bebê precisa desse apoio). Em dois dias, juntamos a grana e fizemos a encomenda. Fiquei muito contente de ver o empenho da comunidade em ajudar. Ontem mesmo chegaram as fraldinhas. Lindinhas. (O pai ficou feliz por saber que a filha não vai produzir lixo nessa etapa de sua vida.)
Sem planejar, várias vezes me vi preparando e buscando coisas que pudessem expressar minha gratidão e felicidade: um bolo de cenoura, uma sopinha de abóbora com gengibre, um pouco de chá do ventre (folhas de framboesa e folhas de urtiga, ótimas para a recuperação pós-parto e fortalecimento da mãe). Até uma versão simplificada de mapa astral eu improvisei para eles…
Aos poucos, os amigos da ecovila vieram visitá-los, sempre respeitando o espaço do casal e da pequena. Minha casa entrou em clima de celebração, com almoços comunitários, lágrimas de amor espalhadas por todo canto, olhos brilhantes, corações batendo mais forte. Uma delícia!
Hoje, por exemplo, tivemos um almoço delicioso. O Hiroshi preparou bardana com shimeji e moyashi, o Bruno cuidou do arroz integral e da abóbora (colhida dias antes no quintal do sítio dele), eu preparei grão-de-bico e os legumes que a Débora e o Ângelo trouxeram, junto com a salada de alface e a berinjela temperada. Em plena terça-feira, de repente, estavam na minha casa – além de mim e do Edilson - os amigos Camila, Bruno, Néia, Débora, Ângelo e Hiroshi.
Antes de nos servirmos, sugeri que ouvíssemos juntos a linda canção Beatriz, do Milton e do Chico, que encontrei no disco antigo de vinil. O Hiroshi fez, então, uma breve oração de agradecimento e bênção desse novo ser que chega ao planeta em momento tão importante e, assim, de olhos fechados, permanecemos em silêncio e emoção até o fim da música. Quando abrimos os olhos, as palavras eram desnecessárias, os sorrisos falavam mais. Com a alma nutrida, era hora de nutrir o corpo também.
O que mais posso dizer? Sei lá, difícil traduzir em palavras o que me chega tão intensamente ao coração. Deixo aqui, por fim, apenas mais um abraço fraterno de agradecimento aos amigos Camila e Bruno, que banharam minha casa de afeto. Quando as coisas simples me tocam, sinto-me mais viva. E é assim que me sinto agora, amigos. Obrigada.
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01/03/2011 às 23:32 Anonymous - diz:
Ludmila – diz:Giuliana,eu de novo rsrs, estou ficando desidratada, cada vez que leio um texto seu eu choro e olha que já fui mais “durona” do tipo que não deixava os outros virem chorar, agora to aqui “me mostrando” para quem ainda não conheço…Estou conectando meu coração com o de todos vocês e neste momento vibrando muito, muito amor, de verdade, em especial para a pequenininha.gde beijoObs: queria estar aí na hora do almoço, já que tem vitrola, vou levar meu vinil do Led Zeppelin quando eu for…
02/03/2011 às 12:27 Anonymous - diz:
Léia – diz:Hoo..Gasshô… Namastê… Amém…
02/03/2011 às 17:25 Anonymous - diz:
Debora – diz:Giu, vc transmitiu justamente o que senti com a chegada da pequena Beatriz, perfeita, linda e abençoada.Foi maravilhoso compartilhar esses momentos de amizade e de familia, pois hoje me sinto a titia mais coruja..alias nós né amiga !!!
02/03/2011 às 19:28 Anonymous - diz:
TaÃse – diz:Giuliana, a ternura transborda por todos os cantos de seu texto! Mesmo de de longe, fica difÃcil não se emocionar,imagino como deve ter sido pra vcs… Bem-vinda, Beatriz!
02/03/2011 às 19:38 Anonymous - diz:
TaÃse – diz:TaÃse – diz:Giuliana, a ternura transborda por todos os cantos de seu texto! Mesmo de de longe, fica difÃcil não se emocionar,imagino como deve ter sido pra vcs… Bem-vinda, Beatriz!
03/03/2011 às 10:27 Anonymous - diz:
Karol Cosenza – diz:Lindo o texto!!! Simples, mas transpassa muita emoção!!!
03/03/2011 às 10:48 Anonymous - diz:
Guilherme Salgado Rocha – diz:deixestar, beatriz…tudo bem, este 2011 você descansa, mas em 2012, pertinho do seu primeiro aniversário, já será rainha da bateria da escola de samba unidos de piracaia, joanópolis e arredores…e segue um trechinho da música boas vindas, do caetano… serve direitinho procê.Venha conhecer a vidaEu digo que ela é gostosaTem o sol e tem a luaTem o medo e tem a rosaEu digo que ela é gostosaTem a noite e tem o diaA poesia e tem a prosaEu digo que ela é gostosa
03/03/2011 às 11:06 Anonymous - diz:
Camila e Bruno (mãe e pai da Beatriz) – diz:OI Jú, é impossível descrever em palavras a gratidão que sentimos por vocês e pelo acolhimento vindo de todas as pessoas que estão compartilhando conosco dessa imensa alegria! Agradecemos por tudo!Gostaria de escrever mais, mas a Beatriz está querendo mamar… rs… bjos! Mto amor e paz!
03/03/2011 às 13:08 Anonymous - diz:
Neia – diz:Giuliana, fiquei emocionadíssima com o que escreveu! São momentos mágicos em que sentimos a presença da força maior e é tão forte que nem sabemos dizer em palavras, mas que nos liga pelo coração. Muito obrigada a você, ao Edilson e a todos que partilham desta nova etapa em nossas vidas.
04/03/2011 às 09:26 Anonymous - diz:
Michel. – diz:Uhuuul!É isso ae!Família Roots!Estamos juntos!
04/03/2011 às 14:27 Anonymous - diz:
Priscila – diz:Que surpresa maravilhosa encontrar este texto e ter notícias desta família tão Linda com quem estive em Joanópolis em 2010 qdo Beatriz era ainda uma sementinha!Bendito Amor!Que esta família continue Linda! e parabéns por esta comunhão Giuliana
04/03/2011 às 20:00 Anonymous - diz:
Jane Baruki Ferreira – diz:Giuliana,Um recem nascido preenche de luz todo o ambiente que o rodeia.Renova as nossas foças de vida e entusiasmo.Linda reportagem,você dá exemplo de amor e acolhimento.Como o mundo seria melhor se muitas pessoas fossem como você.Abraços,Muita paz e Luz,Jane
15/04/2012 às 12:03 Lúcia Helena - diz:
Que família linda! Desejo toda Graça e Luz!
Estou procurando um bio construtor de Joanópolis que fez uma palestra
no festival da Primavera, em setembro/2010 na UNILUZ-Nazaré Paulista-SP.Por favor, se possível, entre em contato: 011-8608-6615.Obrigada!Paz, perfeita Paz!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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