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O centro comunitário da ecovila Giuliana Capello - 25/05/2010 às 12:44
Toda comunidade que se preza tem um centro comunitário, local de encontro, de celebração, de atividades culturais, de refeições coletivas. Aqui no Brasil, existem vários exemplos de comunidades que construíram seus próprios centros, com as próprias mãos. É uma forma interessante de criar sonhos coletivos, transpô-los para a realidade.
E as técnicas de construção ecológica (com terra, especialmente) são excelentes ferramentas nessa hora, pois funcionam bem em mutirões, sem que o trabalho fique muito pesado para o grupo. E, no fim, quem trabalha injeta energia boa, intenções de prosperidade diferente de qualquer mão-de-obra contratada, por melhor que ela possa vir a ser.
Recentemente, na ecovila Clareando, iniciamos o processo de discussão sobre o centro comunitário que queremos construir. Não é tarefa simples entrar em acordo quando o grupo é grande, com cerca de 40 famílias, das quais metade, de fato, é mais participativa. Imagine só o que é bolar um projeto arquitetônico que satisfaça os desejos de um casal. Agora aumente a lente e estenda o projeto para um grupo em formação, bastante heterogêneo (o que tem vantagens e desvantagens, é claro) e com pouco tempo presencial para apresentar ideias, sugestões etc. Sentiu o tamanho da encrenca?
Bom, para tentar facilitar o processo, surgiu uma primeira proposta de construção, que pretendia ser barata, fácil de construir em mutirões, ambientalmente correta e rápida. Era um projeto de superadobe (sacos de ráfia preenchidos com terra e, depois, rebocados com terra), em formato circular. O telhado levaria telhas de fibra vegetal (Onduline). Seria um grande salão de encontro, com uma cozinha grande e um refeitório, além de banheiros.
O projeto foi apresentado em croqui ao grupo, mas uma parte dele não gostou. Natural, certo? Alguns reclamaram que não era bonito; outros, que precisava ser elaborado por um arquiteto ou engenheiro. O processo parou.
Depois, veio então outro grupo com a proposta de procurar profissionais que pudessem propor à comunidade projetos diferentes, que incluíssem o zoneamento de toda a área comunitária disponível muito maior do que a construção do tal salão de encontro. Nesses projetos, constariam as futuras expansões que a comunidade tinha intenção de fazer ao longo dos anos: sala de meditação, brinquedoteca, salas para práticas de cura, piscina natural, playground e outras tantas demandas que foram surgindo.
Dois arquitetos foram convidados a fazer um pré-projeto e apresentam desenhos e preço para seus projetos. Novamente, o grupo foi consultado e houve, de novo, um racha. Parte queria pagar pelo projeto, parte achava caro demais e insistia na ideia de fazermos nós mesmos o desenho e, depois, apenas contratar um arquiteto para criar o projeto técnico que seria levado à prefeitura para aprovação, conforme a lei exige.
Isso gerou um mal estar no grupo. Alguns membros do grupo ficaram profundamente chateados com a história de voltar à aventura da autoconstrução. Fui contra o pessoal do contra (ou eu era da turma do contra, depende do ponto de vista…).Depois de mais um período de avaliações, de tratamento das feridas, o grupo lançou outra proposta: a de formar uma equipe que tentaria botar no papel as intenções da comunidade e, algumas semanas depois, apresentaria a proposta ao grupo, que poderia palpitar, mexer aqui e ali, para tentar chegarmos a um consenso. Nesse meio tempo, um arquiteto da cidade de Piracaia se dispôs a fazer o projeto gratuitamente, o que pareceu animar a todos e ser uma forma de integrar desejos e expectativas.
Estamos agora nessa fase. O desenho do arquiteto foi apresentado ao grupo, que parece estar mais disposto a seguir adiante. Teremos outros encontros para afinar tudo e, se tudo correr bem, darmos início à obra.
Essa história, para mim, tem mais a ver com valores e princípios do que com técnicas. Para mim, construir o centro em mutirões é uma forma de fortalecer o grupo, de desenvolver autonomia, de não terceirizar algo tão importante a todos, de experimentar fazer antes de entregar a técnicos… Isso tudo e mais um pouco.Estou aprendendo nesse processo a ouvir as pessoas, a saber que meus desejos não serão sempre iguais aos do grupo e que terei de ter sabedoria para lidar com isso sem me frustrar ou perder o entusiasmo. Não é fácil… Mas cá estou, disposta a fazer o possível no lugar do ideal. Porque ter um centro comunitário é mais importante do que ter o centro dos meus sonhos. E é isso o que importa de verdade. Seja como for, que possamos construí-lo! E logo! Estou de volta ao caminho da vida em comunidade. Não desisti de tentar. E é essa força que move minha energia em direção ao que ainda quero construir para mim, para minha família e para as pessoas que escolheram morar na ecovila. Viva o hoje! Viva o amanhã!
p.s.: tem uma música do Ben Harper que, para mim, é uma espécie de hino para se cantar em mutirões. Diz assim: I can change the world with my own two hands. Make a better place with my own two hands. Make a kinder place…
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25/05/2010 às 13:48 Anonymous - diz:
Cabelo – diz:E aí Giuliana? Tudo bom?Quero te agradecer mais uma vez pela força lá no texto da revista, muitas pessoas novas entraram em contato, e acabei fazendo novos amigos. Valeu!É um choque quando percebemos que nossas aspirações – embora pareçam tão serenas e simples – estão distantes de algumas pessoas, passei por isso algumas vezes, e o primeiro sentimento é o de desilusão, impotência. No entanto aprendi com o tempo, que a real é que temos que nos manter fortes naquilo que acreditamos e através do exemplo ir aos poucos contaminando os outros, com alegria e serenidade, né? Tempos difíceis, mas nunca nos disseram que seria fácil. Muita força e sabedoria para continuarem na caminhada.;)
11/07/2011 às 17:51 Anonymous - diz:
Alessandra – diz:Essa musica è tudo de bom Giuliana….o video dele com o Jack Johnson entao, melhor ainda….boa sorte por ai…bjinhos
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18/08/2011 às 17:01 Anonymous - diz:
marcelo – diz:54314735435431454715415878541541157411111871114
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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