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Celebração de blogueira Giuliana Capello - 31/05/2011 às 19:00
Hoje completo 200 posts aqui com você. É uma marca e tanto… São quase quatro anos escrevendo semanalmente sobre histórias vividas por mim direta ou indiretamente. Quando olho para trás, vejo o quanto já dividi momentos importantes com cada um aí do outro lado da telinha. No início, a proposta de escrever sobre ecovilas, permacultura e minha experiência de bioconstrução com a minha casa na Ecovila Clareando foi um tanto perturbadora. Ficava sempre sem saber o quanto eu deveria me abrir, contar coisas íntimas, dar nomes às pessoas que dividiam comigo cada instante revelado a você.Acho que isso é algo bem pulsante hoje em dia, em que temos tantas redes sociais à nossa disposição. Quem nunca se arrependeu de publicar uma foto na internet ou revelar algo mais íntimo a seus seguidores no Twitter ou Facebook? Nesses dois anos, revelei sentimentos, posições, atitudes, escolhas, experiências, frustrações e muitos, muitos sonhos. E o que posso dizer é que foi ótimo, pode ter certeza!
A cada texto eu tentava imaginar de que maneira aquelas palavras ressoariam nos leitores. Confesso que algumas vezes minha intenção era de provocar uma inquietude, uma vontadezinha de se mexer, fazer alguma coisa, sair da inércia. Em outras situações, meu desejo era simplesmente o de inspirar, lançar sementes novas e férteis, fazer você perceber que adotar atitudes ecológicas na vida nos faz um bem danado. (Você já percebeu isso também?)
Lembro-me de quando contei sobre minha opção pelos absorventes ecológicos, aqueles de tecido que são laváveis e reutilizáveis. Quer coisa mais íntima do que isso? Até fiquei pensando, antes de publicar, se não seria demais, mas depois, avaliando a importância de tocar nesse tema, decidi mais uma vez pelo relato pessoal… O retorno dos leitores e leitoras, para meu alívio, foi bem interessante. Com exceção de um ou outro (respeitados!) que fizeram cara e comentários de nojo, algumas mulheres também se declararam adeptas dos paninhos. O mesmo ocorreu quando contei sobre o banheiro compostável que estou construindo na minha casa, sobre a composteira que mantenho há uns seis ou sete anos, ou sobre momentos vividos com os amigos da ecovila.
Essas experiências sempre me levam a crer no poder dessas novas mídias eletrônicas de disseminar ideias, fazer-nos esquecer da sensação de que estamos sozinhos tentando fazer nossa parte pelo bem da humanidade e do planeta. Acredite, há sempre outras (muitas) pessoas sonhando os mesmos sonhos, refletindo sobre as mesmas questões que nós, modificando hábitos para tornar o dia a dia mais sustentável e agradável, ao mesmo tempo.Como blogueira aqui do Gaiatos e Gaianos, o que posso dizer é que me vi como parte de uma rede de pessoas interessadas e dispostas a fazer transformações, a descobrir novos caminhos, encarar cenários sombrios de frente e com coragem para não desanimar nunca. Acho que esse é o grande lance das redes sociais: oferecer a possibilidade de encontrarmos pares, grupos, comunidades, gente interessante para trilhar caminhos que levam ao mesmo destino.
Alguns leitores até viraram amigos, acredita? Troquei inúmeros emails com muitos de vocês e recebi a visita de alguns na ecovila, sempre com muita alegria. Para mim, trazer esse contato do virtual para o mundo real é algo fantástico, que faz todo sentido. Afinal, o pano de fundo das minhas histórias é exatamente o processo de construção de uma comunidade (a ecovila) que pretende ser um laboratório de práticas sustentáveis. E as ecovilas não são ilhas isoladas de tudo e de todos pelo menos, não deveriam ser.
Foi-se o tempo em que essas comunidades, chamadas de alternativas, viviam de forma paralela ao restante do mundo, numa espécie de alienação voluntária (me perdoem se o termo escolhido foi muito duro). Hoje em dia, com a internet, ficou muito mais difícil esse isolamento. Sem falar que com tantas histórias para contar e dividir, seria um desperdício manter as fronteiras fechadas. Vejo as ecovilas hoje como células inspiradoras de um mundo novo, que precisa acreditar em rotas alternativas e não achar que será tudo sempre assim, do jeito que está, sem saídas. Há uma juventude inteira pedindo por esperança e alianças para um mundo melhor. É preciso apontar caminhos, convidar para seguir junto na jornada que não tem fórmulas nem receitas prontas, mas precisa ser iniciada, o quanto antes.
Falando assim posso até ser interpretada como prepotente, alguém que acha que tem méritos que merecem seguidores. Não é por aí. Tenho sempre os pés firmes no chão para saber que também estou, tanto quanto você, no mesmo caminho, tentando dia após dia encontrar maneiras de tornar minha passagem pela vida mais leve para o planeta, mais significativa para mim e para quem está ao meu lado. Apenas adotei a prática antiga de contar histórias, uma espécie de diário de bordo para servir de inspiração àqueles que acreditam no poder das partilhas, das rodas de conversa. É assim que quero continuar por aqui. Obrigada, de coração, pelas trocas gostosas e pelo incentivo de seguir sempre em frente.
Foto: minha casa no início, há uns três anos, só para lembrar como o tempo passa…
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31/05/2011 às 19:32 Anonymous - diz:
Janete – diz:Giuliana, obrigada por vc existir e escrever posts tão interessantes e verdadeiros.Abraços virtuais!!
31/05/2011 às 21:50 Anonymous - diz:
Hernando – diz:Giuliana, sou seu leitor assíduo. Toda terça-feira, fico aguardando ansioso a sua postagem.Li todos as suas histórias e aprendi muito com elas.Meus parabéns e continue nos presenteando sempre com os seus conhecimentos.
31/05/2011 às 21:50 Anonymous - diz:
Hernando – diz:Giuliana, sou seu leitor assíduo. Toda terça-feira, fico aguardando ansioso a sua postagem.Li todos as suas histórias e aprendi muito com elas.Meus parabéns e continue nos presenteando sempre com os seus conhecimentos.
31/05/2011 às 22:30 Anonymous - diz:
Léia – diz:Huhuuu! Parabéns!
01/06/2011 às 04:00 Anonymous - diz:
Sam – diz:Giuliana, já troquei posts com você e acompanho sempre que posso seus textos. São inspiradores, assim como o Hiroshi e a Clareando. Ainda não é o momento de minha família fazer parte deste movimento, mas acredito que mais adiante isso poderá ocorrer.Abs. Sam
02/06/2011 às 15:37 Anonymous - diz:
Yara – diz:Giuliana, parabéns pela marca alcançada e que vc possa continuar nos esclarecendo através da sua experiência e opniões relatadas aqui! Gosto muito do seu blog e o leio toda semana se possível! Ps. é só uma sugestão, mas seria muito bacana se vc fizesse um post com fotos da sua casa e com legandas explicativas sobre a técnica ali usada, as dificuldes e as facilidades, como um post ilustrativo, acharia muito válido! Abrs!
18/06/2011 às 08:17 Anonymous - diz:
construção com desperdícios – diz:está aqui um trabalho que fala sobre este tema. http://www.issuu.com/moorfologia
19/06/2011 às 14:25 Anonymous - diz:
Tatiana – diz:Entao vc é a moradora desta casa??? hehehee.. que mundo pqno!!!!! Estive na ecovila clareando, no piquinique, em julho do ano passado. Amei!!! e essa casa, que hoje já ta praticamente terminada, foi minha paixao!! seu marido, o moço da foto, foi quem mostrou a casa pro pessoal!!! hehehe… como esse mundo é demais! tiramos varias fotos, inclusive do seu vitral de garrafas, coisa mais linda da casa!!! e hoje, eu fuçando como sempre por assuntos que me interessam, deparo-me, enfim, com a dona da casa! eheh que alegria! e como ela esta?? vcs ja estao morando nela??? ps: muito prazer!!!! e parabens por todas as suas iniciativas!!!! quando der, adorarei corresponder-me com vc, inclusive sobre os absorventes ecologicos!!! beijos
20/06/2011 às 11:54 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Olá todo mundo, tudo bem? Obrigada pelos comentários, pelo carinho e pelas sugestões. Tatiana, estou morando na cidade de Piracaia, mas ainda não na ecovila, porque a casa ainda não está totalmente pronta… Ano que vem, com certeza, estarei lá! Mundo pequeno mesmo… Beijos, Giuliana
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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