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Bioconstrução para multiplicar Giuliana Capello - 14/09/2010 às 08:00
Sempre acreditei que técnicas e soluções de construção ecológica podem e devem ser aplicadas em bairros e comunidades carentes de infraestrutura urbana, sem abastecimento de água, sem redes coletoras de esgoto e resíduos domésticos, quase sem vegetação. Nesses locais, ideias simples, de baixo custo e executadas pela própria população podem fazer toda a diferença. Isso sem falar que a combinação do aumento das desigualdades sociais com o crescimento exponencial das cidades tem sido um dos gigantes desafios socioambientais deste século.Por isso e muito mais, gostaria de compartilhar com você uma iniciativa do Instituto Tibá Tecnologia Intuitiva e Bioarquitetura (Bom Jardim-RJ), financiada pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets, EUA. A ideia é um exemplo clássico de BBB (esqueça o programa de tv de qualidade discutível!): bom, bonito e barato.
Na comunidade da Babilônia, morro que fica acima do Leme, no Rio de Janeiro, a Escolinha da Tia Percília sofria com a escassez de água, que frequentemente prejudicava seus 150 alunos, professores e funcionários. Construída em local precário, sem planejamento urbano, a escola precisava dar um jeito nessa situação.
Foi quando entrou em ação o pessoal do Tibá, com a coordenação de Peter van Lengen, filho do autor do livro-bíblia da bioconstrução (Manual do Arquiteto Descalço), Johan van Lengen. Eles selecionaram um grupo de construtores e marceneiros moradores do morro da Babilônia para uma temporada no Tibá, na serra fluminense. Lá, os novos alunos receberam aulas teóricas e práticas sobre diversas técnicas de bioconstrução.
Na volta para casa, o grupo se reuniu para construir, na escola da Babilônia, um sistema que incluiu telhado verde, captador de água da chuva, filtro biológico (com pedra, areia, carvão e biomassa) e uma cisterna de 3 mil litros. Tudo com tecnologia social de baixíssimo custo.
E por que treinaram o próprio pessoal da comunidade para erguer isso tudo? Ora, porque depois eles mesmos terão condições de multiplicar a ideia entre os vizinhos, que também sofrem dos mesmos males: falta dágua, moradias precárias (que podem ser reformadas, aos poucos, com as técnicas que eles aprenderam), ineficácia do poder público para questões sanitárias etc. etc. etc.
Sabe aquela história de encher a laje do vizinho no fim de semana? Pois é, agora imagine essa solidariedade expressa em trabalho coletivo (que já é uma tradição) na forma de telhados verdes, sistemas ecológicos de tratamento de esgoto, hortas comunitárias, cisternas, centros comunitários de adobe e pau-a-pique… As possibilidades são infinitas e o momento de fazer isso é agora.
Um telhado verde isolado traz vantagens para a construção porque melhora o conforto térmico e acústico, deixa a casa ou prédio mais bonito, combate as enchentes (porque reduz a velocidade de escoamento da água pluvial). Mas, numa escala maior um bairro, por exemplo – ele também ganha o caráter de luta contra o aquecimento global (porque a vegetação sequestra CO2 da atmosfera), sem esquecer que ele melhora a qualidade do ar, atrai pássaros, combate as ilhas de calor, aumenta as áreas verdes e muito mais.
Projetos como esse merecem apoio e muita divulgação. Imagine se isso pega em projetos de habitação popular! Não seria fantástico? Se as tecnologias sociais existem e se há milhões de famílias precisando de moradias melhores, nada melhor do que juntar essas pontas e oferecer à população a possibilidade de ganhar mais autonomia, saúde e dignidade. Vamos nessa?
p.s.: O Tibá é um dos finalistas do Prêmio Planeta Casa 2010, promovido pela revista CASA CLAUDIA e movimento Planeta Sustentável. Com o projeto no morro da Babilônia, o instituto concorre ao troféu na categoria Ação Social. Saiba mais na edição deste mês (já nas bancas) ou no site www.casa.com.br/planeta-casa.
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17/09/2010 às 11:04 Anonymous - diz:
Michel – diz:Pois a Babilonia pode ser salva ainda! hehe
28/09/2010 às 14:00 Anonymous - diz:
Conrado Campolongo – diz:Uma moda que deveria pegar. Eu acredito nisso!!!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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