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Um bairro em transição Giuliana Capello - 25/01/2011 às 17:54
Já ouviu falar no movimento Transition Towns ou Cidades em Transição? Pois saiba que a primeira área de baixa renda do mundo a participar é brasileiríssima até no nome: Brasilândia, na região norte da capital paulista. Apesar de ser um bairro, a Brasilândia tem jeitão (e problemas) de cidade grande: são 240 mil habitantes e 110 favelas.
Bom, para quem não sabe, a história das cidades em transição surgiu com o inglês Rob Hopkins, que queria unir esforços de várias linhas de ação para transformar cidades em modelos mais sustentáveis e, principalmente, menos dependentes do petróleo a começar pelo trânsito, por razões óbvias, e pela produção local de alimentos, que reduz consideravelmente o consumo de combustível usado para o transporte de comida. Em todo o mundo, mais de 300 iniciativas já fazem parte do Transition Towns, em 14 países.
A Brasilândia integrou o movimento com apoio da Fundação Stickel, que trabalha na região há vários anos. Em menos de um ano, eles conseguiram envolver cerca de 30% da população nas diversas ações coordenadas pela entidade e parceiros. Já são sete hortas comunitárias, uma panificadora comunitária, cursos de dança e yoga, feiras de trocas, mutirões para revitalizar praças, entre outras atividades. Para a superintendente da fundação, Mônica Picavea, o sucesso mostra que essas áreas têm muita força para a mudança. Ela acredita na união das pessoas e no espírito comunitário.
Atravessar essa fase em que nossas conquistas científicas parecem explodir os limites do planeta é mais que urgente. E fazer a transição chegar às populações mais pobres que são as primeiras e mais profundamente atingidas, historicamente, pelas catástrofes naturais precisa fazer parte desse processo.
Lugares com populações que ainda se identificam como comunidade, ou seja, que conhecem seus vizinhos, comerciantes e produtores locais, pessoal das escolas e governantes facilita e muito. Isso porque nesses bairros ou cidades de porte mediano ainda existe a escala humana, que anda lado a lado com a solidariedade e a cooperação. É por isso que ações de sustentabilidade em que o discurso fica atrás da prática (de descobrir que ter uma horta ou um telhado verde em casa é uma questão de saúde pública) costumam dar resultados significativos em comunidades carentes. Agora é torcer para que a Brasilândia se transforme e inspire outros bairros e cidades a seguir o mesmo caminho.
Para saber mais:
ver este postcomente
www.transitiontowns.org
www.fundacaostickel.org.br
www.transitionculture.org
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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