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Por que adoro hortas permaculturais Giuliana Capello - 17/08/2010 às 09:29

Um aspecto que nunca foge da permacultura é a diversidade. Para quem não conhece o termo, permacultura vem de agricultura e cultura permanente, um jeito de planejar o design de um espaço ou propriedade (que pode estar na cidade, no campo, em qualquer lugar) de modo a tentar reproduzir ciclos da natureza e, com isso, melhorar a qualidade dos sistemas construídos pelos humanos e também reduzir a necessidade de energia e trabalho. Entendeu? Muito provavelmente, não. Mas tudo bem. Vou dar um exemplo para ajudá-lo(a): já reparou nas hortas da agricultura convencional? Como elas são? Têm fileiras e mais fileiras de alface, depois outras de cenouras e assim por diante, certo? Todas separadinhas, em linhas retas, tudo padronizado pela mão do homem. Pois bem. Agora vou lhe contar como costumam ser as cultivadas hortas pelo pessoal que segue a permacultura, conceito com teoria e prática que nasceu na Austrália nos anos 1970 e vem ganhando força em todo o mundo.

A primeira impressão, para os mais novatos no assunto, pode não ser das melhores. Isso porque a horta tem um jeitão de bagunçada, com muitas espécies interagindo no mesmo espaço. Ao contrário das convencionais, ela tem um desenho mais orgânico, que pode ser em formato de espirais ou grãos de feijão, meia-lua, pequenos círculos concêntricos, enfim, conforme a criatividade e adequação ao espaço. Outra característica importante é o não declarado à monocultura, que se expressa no mix de hortaliças, ervas medicinais, frutas, tubérculos, legumes e até flores. Imagine o colorido de uma horta com alface, lavanda, margaridas, beterraba, abóbora, abacaxi, capim-cidreira e camomila! Tudo no mesmo canteiro. É lindo (pelo menos, para mim)…

Mas isso tudo tem um porquê. E a palavra-chave é biodiversidade. Quando se tem muitas espécies juntas, a biodiversidade ganha força e com ela vem o equilíbrio próprio da natureza. Como assim? Você já viu floresta precisar de rega, poda, plantio ou adubação? Já ouviu falar de jardineiro de floresta? Eu também não.  A permacultura se baseia muito nessa ideia dos ciclos naturais, abastecidos de tal forma que sejam mínimas as necessidades de interferência humana, tal como ocorre nas áreas silvestres.

Pode até ser que alguém diga: “Nossa, o mato tomou conta da horta”. Ótimo. É isso mesmo. Quando deixamos o mato crescer, permitimos que plantas nativas cresçam espontaneamente. Isso é importante para que possamos “ler” o que aquele solo quer nos comunicar. Certas plantas espontâneas indicam solo ácido, por exemplo. E, quando deixamos que elas se desenvolvam, estamos possibilitando que a terra nos conte um pouco do que precisa para melhorar nosso cultivo e nos oferecer alimentos cada vez mais saudáveis. Comer folhas de plantas mais rústicas e nativas também é interessante. E quem tem uma horta mais diversificada pode se dar ao luxo de incluir espécies desse tipo, que costumam ser extremamente nutritivas, além de saborosas.

Na horta permacultural, a diversidade “atrapalha” as pragas. Doenças comuns em folhas de alface, por exemplo, são mais difíceis de serem disseminadas, uma vez que as plantas companheiras, de outras espécies, funcionam como barreiras. Além disso, as flores atraem os insetos, que deixam de se alimentar da lavoura. As alturas e densidades diferentes das plantas colaboram para a criação de microclimas, que possibilitam locais com quantidades distintas de insolação e água, o que torna o lugar ainda mais rico em biodiversidade. Tudo isso sem falar na facilidade de quem vai colher: não é preciso percorrer toda a horta para colher ingredientes para o almoço. A salada toda está num ponto só…

Dá até para fazer da horta um projeto de paisagismo para o seu quintal. Com flores e frutíferas, fica maravilhoso criar um caminho de jardim comestível. Cercas-vivas podem ser construídas com pés de chuchu, berinjela, maracujá, tomate. No lugar de pequenos arbustos, que tal citronela para combater mosquitos, capim-cidreira para o chá da tarde e couve-manteiga para completar as refeições? Horta com biodiversidade é horta mais saudável. Experimente!

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Comentários

17/08/2010 às 11:16 Anonymous - diz:

Alexandre Rodrigues Silva – diz:Ridícula a matéria da capa do blog sobre Capimtalismo.Esse povo acha que monocultura salva quem??

17/08/2010 às 12:18 Anonymous - diz:

Michel Cantagalo – diz:Sou fã dos SAFs! Isso ae… viva a diversidade!

17/08/2010 às 21:38 Anonymous - diz:

Elisa Maria – diz:gostei vou plantar assim.

18/08/2010 às 08:51 Anonymous - diz:

univaldo vedana – diz:Gostei da matéria. Gostei porque já faço isto em minha chácara. Os canteiros da minha horta já são uma salada mista e o mato nativo cresce junto. Só elemino o mato que realmente está atrapalhando alguma hortaliça. Quem olha a horta e não conheçe o sistema acha que sou relachado. Preciso explicar como funciona para eles entenderem. Por diversas vezes observei insetos e lagartas comendo as plantas nativas e deixando minhas hortaliças inteiras.

23/09/2010 às 22:03 Anonymous - diz:

luciete santos – diz:oi adorei a ideia da coisa comum sem querer estou fazendo assim fui limpar tudo fiquei horrorizadaachei que tudo ficou feio limpinho sem as sujerinha da propria natureza

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.

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