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A face feia dos cosméticos Giuliana Capello - 17/01/2012 às 17:41
Nas últimas décadas, a quantidade de produtos químicos a que a humanidade está exposta cresceu vertiginosamente. E como nem tudo são flores ou sinal de progresso, boa parte dessas substâncias não foi testada o bastante para que se conheça seus efeitos sobre a saúde humana e a do planeta.Não acredita? Pois pode começar a ficar de olho nisso. O assunto é complicado – porque envolve grandes empresas e todo um círculo vicioso de hábitos, comportamentos e padrões de higiene e beleza.
Quem gosta de assistir a comerciais de tv antigos pode fazer uma pesquisa rápida na internet e se deparar com propaganda americana dos anos 1950 que incentivava o uso de DDT (pesticida) para combater piolho. Na peça publicitária, mães apareciam lavando os cabelos de seus filhos com DDT. Anos depois, o produto que gerava sorrisos pueris na telinha foi proibido por ser poluente e prejudicial à saúde.
E o que dizer do formaldeído, do parabeno e seus derivados? Já ouviu esses nomes? Algumas pesquisas científicas ainda pouco conhecidas constatam uma ligação entre esses produtos (e outros de nomes ainda mais esquisitos, presentes no xampu-nosso-de-cada-dia) e o aumento de incidência de câncer e outras doenças, em pessoas que fizeram uso ou exposição prolongados dessas substâncias.
Quando o assunto é alimentação, pode-se dizer que existem leis que protegem (em parte) o consumidor ao exigir maior transparência da indústria em relação aos ingredientes dos produtos (ainda que o T de transgênico esteja longe de ser uma questão resolvida). Em paralelo, nutricionistas e pesquisadores investem em estudos sobre as consequências da gordura trans, do glutamato monossódico e de outros tantos “alimentos” que ingerimos, mesmo quando nos consideramos mais cuidadosos com nossa alimentação. A pergunta é: por que isso ainda não chegou aos cosméticos? Por que é preciso ser engenheiro químico para entender minimamente a composição do xampu ou do sabonete que usamos?
Para ir mais fundo: por que a indústria cria novos cosméticos a cada dia? Tem gente que usa pré-xampu, pós-condicionador, pré-base e outras esquisitices porque cai no buraco sem fundo que diz que sem uma megaprodução não há beleza…
Já parou para pensar na quantidade de cosméticos que você usa todo mês? Pensei nisso dia desses, quando me dei conta de que ano passado fui ao salão de beleza apenas duas vezes, e somente para cortar o cabelo. Isso não significa que eu seja relaxada com o meu corpo e minha aparência. Mas é um sinal do quanto prefiro recorrer a receitas mais naturais para manter uma boa relação com o espelho…
Nunca gostei de me lambuzar de cremes e fórmulas mágicas que prometem nos deixar com tudo em cima. Até porque minha noção de beleza e bem-estar é um pouco diferente do que a moda e a mídia insistem em enfiar em nossas cabeças. Não me importa se o inverno pede um cabelo mais escuro ou um batom mais marcante, ou se a cor do esmalte dessa estação é azul turquesa. Vou contar uma coisa a você: eu nunca tingi o cabelo, nunca fiz chapinha, nem luzes, nem nada que implique melecas químicas que podem causar irritações, alergias, acúmulo de substâncias nocivas à minha saúde.
Beleza, para mim, tem a ver com natureza, com sentir-se bem do que jeito que você é – e não da maneira como a sociedade diz, a cada três meses, que você deve “ser”. Quero minha independência! Quero sentir que preciso de menos, de cada vez menos cosméticos!
Sabe aquela bolsinha que leva o nome de nécessaire e que quase todo mundo tem? Pois então, de tudo aquilo que carregamos nela, o que será que nos é realmente necessário?? Pensando que estamos no século XXI, o século decisivo para a humanidade (que terá de reverter os estragos ambientais se quiser continuar povoando a Terra por mais tempo), o que é realmente imprescindível? Esmalte de unha? Creme antissinais?
Minha meta agora é reduzir o volume desses produtos e buscar substitutos na natureza (que possam ser combinados em fórmulas caseiras), como o creme dental da infância da minha avó, feito com folhas picadas de juá, e o abacate amassadinho para hidratar o rosto. Por que não? Estou certa de que essas receitas, se usadas com bom senso (nada de testar fórmulas absurdas!), são mais saudáveis do que qualquer creme parisiense vendido por uma fábula nas ruas descoladas de NY.
Pense no bem-estar da Terra, na sua saúde e nos impactos socioambientais que essas indústrias geram. Já está mais do que na hora de sermos mais razoáveis e atentos às reais necessidades do nosso tempo e de nossa única morada. Menos batom na boca e mais saúde e longevidade para todos! Vamos nessa?
Foto: The Style PA / Creative Commons
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17/01/2012 às 18:59 Janete Canteri - diz:
Como sempre concordo com seus comentários. Pensamos muito parecido. A minha “necessaire” tem bem poucas coisas, acho que só as necessárias (para combinar com o nome).
Abraços,Janete Canteri
18/01/2012 às 11:56 renata esteves - diz:
Parabéns pela excelente reflexão Giuliana. As pessoas ainda não se dão conta da quantidade de substâncias químicas a que se expõem com o uso de cosméticos, e o impacto que isso tem na nossa saúde. A maioria esmagadora dos produtos consumida em larga escala hoje em dia não foi testada para a segurança de uso humano, ou pior, testada em animais, o que não garante nada. É preciso usar menos produtos, fazer um consumo consciente, procurar ler os rótulos para entender o que eles contém, e adotar cosméticos naturais e orgânicos na nossa rotina de beleza. O meu blog é exclusivamente dedicado a esse assunto, é uma grande preocupação minha.
Renata Esteves
http://www.belezaorganica.com
19/01/2012 às 10:31 Aline - diz:
Parabens pela matéria!
Hoje em dia temos muitas opções de cosméticos de qualidade superior e orgânicos. Pórém pouco conhecido das mulheres. A solução está pertinho. No Brasio temos marcas fantasticas de cosméticos orgânicos, temos maquiagem..está tudo tão pertinho. Acredito que ainda falta um pouco de informações e divulgação dessas alternativas.Um abraço
Aline C Vieira.
http://www.flordemagnolia.com.br
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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