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Aprendendo a costurar com a avó Giuliana Capello - 29/01/2008 às 10:53
Minha avó é uma costureira de mão cheia. Na minha infância, além de fazer roupas para a família inteira, ela também dava aulas. Lembro-me da casa dela sempre cheia de mulheres com cortes de tecido, tesouras e alfinetes. Suas aprendizes passavam a tarde na sala de costura, lugar que, para mim, era uma espécie de quarto mágico, de onde saíam vestidos, camisas, saias, fofocas, conselhos, sorrisos, desabafos.Cresci no meio dessa bagunça de gente, moldes, barulho de máquinas, fitas e botões. Mas o tempo passou, minha avó se aposentou e hoje quase não costura mais. No entanto, depois que meu avô morreu, em novembro, achei que seria bom se ela se ocupasse com algo de que ainda gosta. Por isso, no começo do ano, perguntei se ela não toparia me ensinar a costurar. Sem pensar muito, ela aceitou, mas disse que eu teria de ter paciência porque não se aprende a costurar em um dia ou dois. Como eu já vinha pensando nisso há tempos, ouvi suas palavras como um pedido de compromisso e, assim, começamos nossos encontros.
Confesso que tenho uma certa mania de ir com muita sede ao pote e já fiquei imaginando as mágicas que eu faria com os pedaços de tecidos. Mas logo depois da primeira aula, entendi o que ela quis dizer com ter paciência… São tantos os detalhes e truques que só o tempo mesmo para desvendá-los.
Mas por que estou contando isso a você? Por um motivo muito simples: sustentabilidade, para mim, tem a ver com relações humanas, habilidades e autonomia. E isso tudo eu aprendo nas aulas com a minha avó. Lá naquele quarto mágico estão duas gerações diferentes, trocando informações, afeto e saberes. Eu aprendo muito mais do que corte-e-costura. Aprendo a diminuir o passo para ouvir minha avó e entender as entrelinhas daqueles gestos lentos e tão generosos.
No meio da bagunça do dia-a-dia, ter um tempo para ficar com a vó Sinhá é uma bênção. É uma oportunidade de resgatar um saber da família que não pode ficar para trás. É também um momento que me faz refletir sobre o que eu consumo, que tipo de roupa eu compro para me vestir, de onde vem o tecido, quem o cortou e costurou, e por aí vai.
Saber costurar significa ter mais autonomia na vida, depender menos do mercado, ter prazer nas coisas simples da vida, valorizar nossa cultura e os mestres que sempre estiveram perto de nós.
Meu avô paterno, quando faleceu, levou com ele uma arte quase extinta: a tanuaria. Filho de italianos, ele era mestre em fazer tonéis de madeira para armazenar vinhos e outras bebidas, desses que podem até ficar submersos no mar durante as viagens de navio. Infelizmente, ninguém mais na família sabia construir aquelas curvas perfeitas na madeira e, por isso, a oficina dele fechou as portas, sem herdeiros.
Insustentável é não dar valor a essas riquezas, perder oportunidades de estreitar laços e descobrir mais sobre sua família e sobre você mesmo. Se você tem algum mestre na família, alguém que saiba cozinhar, construir móveis, bordar, pintar, tocar um instrumento, fazer cerâmica, pescar, contar histórias, escrever, desenhar e tantas outras coisas boas e gostosas, não perca tempo! A sustentabilidade das futuras gerações também implica honrar os saberes e a cultura de nossos ancestrais.
Foto: eu (de vermelho) e minha irmã, Mariana, no tempo em que até nossos biquinis e maiôs eram obra da avó…
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21 de March de 2009 Anonymous - diz:
stella marcia carneiro arthuso – diz:stella marcia carneiro arthuso – diz:Oi Giuliana
Me emocionei com seu texto e o cuidado que demonstra ter com a sua avó, além – é claro – do belo trabalho que desenvolve.
Adoro e admiro muito a escrita, o poder que ela tem de transformar coisas simples, como a costura, em mágica!! Você conseguiu me deixar ainda mais motivada a aprender a costurar!!
Ahh! Tenho uma filha chamada Juliana que quase seria Giuliana como você, porque também somos descendentes de italianos…um abraço carinhoso
Stella
27 de March de 2009 Anonymous - diz:
Giuliana – diz:Oi, Stella, obrigada pelas palavras tão gentis. Espero realmente que você possa investir energia para aprender a costurar. É uma arte deliciosa e muito prazerosa também. Ainda estou a quilômetros de me virar sozinha, mas estou curtindo cada passo dessa caminhada. Boa sorte, um abraço carinhoso pra você e outro para a minha quase-xará…
9 de April de 2009 Anonymous - diz:
Luciana – diz:Adorei seu texto, assim como voce acredito que o que falta para as pessoas nos dias de hoje é um resgate das experincias dos nossos familiares. Sinto muita falta da minha vó, ela era uma mulher incrivel cheia de histórias e muitas lembranças, que eu desde muito pequena, adorava escutar… Que Saudade! Como voce sou encantada com a ideia de produzir minhas proprias roupas, mas pedirei sua ajuda para arender a costurar só não encontro livros que tratam do assunto ou escolas (aqui em Floripa/SC)que eu possa aprender,vc poderia me mandar alguma informação a esse respeito?
Um grande abraço
Luciana Rocha
3 de January de 2010 Anonymous - diz:
maritsa andrade – diz:gostei de seu entusiasmo, pois tenho uma netinha linda que se chama Maria Vitoria e tambem comecei a costurar.Fiz o enxoval,gastando os nove meses para dar conta do quarto com bonecas, cortinas,etc.Agora ela esta com 1ano e 8 meses e eu estou tentando fazer vestidos e primeiro foi pro natal branco com bolas vermelhas, ficou lindo…agora etou fazendo shortes… estou adorando esse desafio. Beijos…ate mais…
29 de July de 2010 Anonymous - diz:
cristiane – diz:quero aprender costurar em casa atravez de sides
24 de January de 2011 Anonymous - diz:
Regina – diz:Adorei a tua sinceridade.Gostaria de ter tido uma vó assim.Mais não tive essa graça!Vc foi abençoada. Bjs!!!
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Giuliana Capello é jornalista ambiental e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, CASA CLAUDIA e BONS FLUIDOS. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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