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2012: ano para entender o planeta Giuliana Capello - 20/12/2011 às 18:32
Chega a ser engraçada – ou mesmo irônica – a exposição do termo sustentabilidade em toda a mídia. Em 2011, muita gente (muita gente mesmo!) falou sobre sustentabilidade. O problema é que falar não resolve nada, especialmente se as palavras forem vazias de práticas ou de, no mínimo, um entendimento legítimo e profundo do conceito que envolve o tão pop termo.
Todo mundo quer ser verde e isso sequer é novidade. Toda grande empresa tem hoje seu departamento de políticas socioambientais ou um gerente de sustentabilidade. E o que fazem essas equipes? Conheço gente muito competente infiltrada em corporações, querendo realmente mudar o curso das coisas.
O problema é que o jogo continua o mesmo: produzir cada vez mais para vender e ganhar cada vez mais. Então, em poucas palavras (como já ouvi num ótimo documentário a que assisti nos últimos tempos), “é como querer poluir menos para poluir por mais tempo”.
A lógica da exploração da natureza além de seus limites permanece. E os poluidores tentam driblar seus impactos com compensações – a nova onda das “empresas do bem”. É triste ver que a proposta quase nunca é de evitar danos, reduzir impactos, criar ciclos virtuosos de produção e maneiras de ganhar dinheiro sem ter que ficar estimulando o consumo dia após dia.
Digamos que compensar seja melhor do que manter a inércia e fazer de conta que petróleo, água e solo agricultável são bens absolutamente infinitos e eternos. Mas, ainda assim, no atual estágio/estado do planeta, é pouco, muito pouco. Compensar é usar esparadrapo quando o doente está à beira de uma UTI. Não faz sentido.
Sabe o que torna as coisas ainda mais complicadas? A surpreendente capacidade que a natureza tem de se recuperar após grandes impactos. É a chamada resiliência, palavrinha que também começa a sair do campo exclusivo da biologia e ecologia, para frequentar outros clubes.
A natureza sofre, apanha, mas parece fazer mágica para se restabelecer. É lindo, não fosse triste. Florestas queimadas se recuperam quando o homem permite. Pastagens inteiras viram mata com a trégua humana; peixes retornam aos rios, mamíferos repovoam lugares, rios intermitentes ganham mais volume. Basta a trégua humana. E isso, infelizmente, não é pouco.
Com essa mania de compensar aqui um dano provocado acolá, a sociedade interfere no meio ambiente como crianças brincando de escravos-de-Jó: “tira, põe, deixa ficar”. Até quando?
A grande questão está no tempo, na necessidade de tempo para se restabelecer. Compensar um estrago ambiental significa jogar contra o tempo. Dou um exemplo: aqui em Piracaia, recentemente a prefeitura cortou sete árvores de mais de 50 anos da praça central. Para compensar, plantou uma centena para cada exemplar retirado. Na ponta do lápis, são 700 árvores para compensar a morte de menos de uma dezena, certo? No entanto, há a questão do tempo. Essas 700 árvores terão de atravessar mais da metade do século XXI até atingirem do tamanho de suas antecessoras.
E mais: onde foram plantadas essas árvores? Quem irá cuidar para que elas atinjam a maturidade? Por que não plantar no mesmo local? São questionamentos acerca da ideia de trabalhar com a natureza tal qual gerenciamos o caixa de uma empresa… Só que não funciona tão bem assim… É só pensar nos derramamentos de petróleo no mar para saber que nem sempre é fácil “compensar”.
Em 2012, espero sinceramente que mais e mais pessoas possam sentir com o coração que é preciso mudar hábitos, rever antigas crenças e comportamentos automatizados. O mundo está cada vez mais complexo, com redes de desafios e problemas que requerem pensamento holístico e uma enorme capacidade de invenção e criatividade.
Por isso, se você é do tipo que faz promessas na virada do ano, que tal incluir algo como “prometo que serei uma pessoa mais consciente de que o planeta é reflexo de meus atos”?
Um ótimo fim de ano para você, e nos vemos em 2012, com ainda mais energia e disposição para mudar até o que parece não ter alternativa… (só parece, viu!)
Foto: do amigo Luiz Nagao, que flagrou o filhote no tronco de um jambolão, bem na entrada da casa comunitária da ecovila. Eu estava lá também e fiquei pensando: o que será que essa corujinha está fazendo aqui? O que será que ela quer nos dizer?? Ah, como ainda somos desprovidos de habilidade para entender a Terra…
ver este postcomente
11/02/2012 às 00:48 Maria Helena Campos - diz:
Já tenho lutado muito por esta causa. Inclusive desde 1996 que venho desenvolvendo um projeto frutificar com o objetivo de aumentar as frutas no ambiente.
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Giuliana Capello é jornalista ambiental especializada em construções sustentáveis, guarda-parque e permacultora. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, Casa Claudia e Bons Fluidos. Formada em design de comunidades sustentáveis, mora na Ecovila Clareando, a 100 km de São Paulo. Sua casa, construída com técnicas de bioconstrução, reflete princípios que adota em seu cotidiano: conexão com a natureza, simplicidade voluntária e consumo responsável. Aqui, conta histórias de quem deixou a cidade grande para viver no campo ao lado de amigos - e tornar a vida mais plena, criativa e sustentável.
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