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De que é feita a minha casa? Giuliana Capello - 13/01/2009 às 08:39
A humanidade é mesmo dada a monoculturas. Sinto isso cada vez que me perguntam com que material estou construindo minha casa na ecovila. Como se a resposta correta tivesse sempre que se referir a um único elemento: tijolo, bambu, madeira, pedra, barro. Quem foi que disse que uma casa tem de ser feita com apenas um tipo de material? Quem foi que inventou que não dá para fazer de outro jeito? E quem foi que determinou que as janelas têm de ser todas iguais, que tudo precisa ser simetricamente instalado e que ninguém conhece melhor uma obra do que um arquiteto ou engenheiro? Afinal, quem foi que enfiou isso tudo na nossa cabeça?Olha, de uma coisa eu tenho certeza: essa história de tentar construir de um jeito diferente quero dizer, mais ecológico – faz a gente, na verdade, desconstruir muitas certezas e verdades. Tudo é muito artesanal e, por isso, cada novo passo requer soluções criativas, inventivas, desafiadoras.
Vou contar alguns detalhes para você entender do que estou falando. Até o momento, minha casa tem paredes de pedra, de tijolo de solo-cimento, de pau-a-pique e de COB (técnica que usa terra, areia, palha, serragem e água). Nem o telhado escapou: metade leva telha cerâmica, metade é verde – feito com estrutura de madeira, impermeabilização, terra e grama. A fachada que é vista da rua tem três pequenas janelas (bem diferentes entre si) e paredes de garrafa (veja a foto no post anterior!). O painel de vidro que dá vista para as montanhas é todo irregular, cada um de um tamanho. E o melhor de tudo: na atual etapa da obra, o mestre-de-obra é agrônomo!!!! Sério! Não é piada, não!
E por que tanta coisa esquisita? Bem, porque queremos construir com o mínimo impacto possível para o planeta – e para o meu bolso. Para o planeta, porque vale a pena lembrar que a construção civil é responsável hoje pelo consumo de 40% dos recursos naturais usados pelo homem e por 40% de toda a energia consumida na Terra. Diminuir a pegada da construção é dever de todos nós. Quanto ao meu bolso (e do meu companheiro), é preciso dizer uma coisa: se queremos construir de um jeito mais sustentável, nossa casa não pode parecer privilégio de gente abastada. É preciso custar tanto quanto ou, de preferência, menos do que uma casa convencional ou não haverá estímulo para a disseminação de práticas desse tipo.
Com esses princípios em mente, o resto foi acontecendo naturalmente. O mosaico de materiais é resultado da vontade de aproveitar ao máximo os materiais disponíveis localmente, para diminuir o peso ambiental e econômico do transporte de materiais fabricados bem longe da nossa obra. O mesmo vale para a parede de garrafas, compradas num depósito da cidade, para os vidros usados (adquiridos numa loja especializada), para as janelas e portas de demolição etc. etc. etc.
Isso tudo provoca uma inversão na maneira de projetar a casa. Não saímos de casa em busca de uma janela de madeira assim ou assado, mas de uma que caiba no vão que temos disponível no quarto, por exemplo. O tamanho máximo dos vidros é definido pela capacidade da caçamba do carro, para evitar o custo do frete.
Bom, e o agrônomo no meio disso tudo? Um capítulo à parte, esse é o nosso grande trunfo. O Ângelo Negri passou uma boa temporada no Tibá, Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bioarquitetura, cujo mestre é ninguém menos que Johan van Lengen, autor do Manual do Arquiteto Descalço. E sabe muuuito sobre construção ecológica que, no fim, deve ser isso mesmo: multidisciplinar, artesanal, medida com a palma da mão e feita com o carinho dos amigos.
Foto: Lateral da casa, em pau-a-pique (ainda sendo rebocado) e tijolo de solo-cimento. Repare no pedacinho do telhado verde, com planta crescendo espontaneamente. Monocultura não tá com nada!
ver este postcomente
14 de January de 2009 null - diz:
Olivia Frade Zambone – diz:Olha, eu acho q vc já disse tudo. Só quero comentar o seguinte: a sua casa está ficando linda! Parabéns!
11 de February de 2009 null - diz:
alexandre mendes – diz:Parabéns,sensaciocal.Qual a previsão p/o custo da casa?Quanto tempo?
31 de July de 2009 Anonymous - diz:
andrea pinheiro – diz:Poxa, meus parabns!!! vc é d . So gostaria de saber como foi feita a fundação…Ah, será q vc pode m mandar um e-mail contando detalhes da sua ksa, é q eu to querendo construir uma nas mesmas condições, sabe como é né o dinheiro é curto.
19 de May de 2010 Anonymous - diz:
Sonia Cassia – diz:Parabens!! tmbm sonho com uma casa ecologica, economica e confortavel, que tenha paredes de pedra, tijolos quebrados, madeira, pau a pique com barro e sem barro e de garrafas de vidros, mas nunca tinha encontrado algo parecido, ate ver a sua, onde posso encontrar ajuda (como fazer e planta) abracos.
10 de October de 2010 Anonymous - diz:
Teresinha Araujo – diz:Ola amigo. fiquei encantada com sua casa. Sera que vc podia me ajudar? pretendo fazer a minha tambem e gostaria de saber o passo a passo da parte de baixo da casa. Vi que sao toras de madeira. Qual a profundidade? tem base de cimento? Por favor sera que vc podia me enviar por e-mail? Mais uma vez, Parabens e muito obrigada
17 de October de 2010 Anonymous - diz:
nauria miknov do nascimento – diz:Olha que criatividade é a sua!!Vou acabar roubando sua idéia, pois estou procurando um modelo de casa ecológica p/ construir no sÃtio que comprei.à isso ai amigo, termina sua casa e coloca mais fotos.obrigada.
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Giuliana Capello é jornalista ambiental e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, CASA CLAUDIA e BONS FLUIDOS. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.
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