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Slow life: vida mais calma, lenta e confortável Giuliana Capello - 16/09/2008 às 11:21


Roma, 1986. A rede McDonald’s anuncia a abertura de uma loja perto de Piazza di Spagna. Em protesto, Carlo Petrini lidera um grupo de manifestantes que usam tigelas de penne como armas. Estava dado o primeiro passo para a fundação, pouco tempo depois, do Movimento Internacional Slow Food, contra as redes de fast food e a produção insustentável de alimentos. Comida rápida que custa caro à saúde, ao meio ambiente e à economia local.

Da Itália para o mundo foi um pulo. Não demorou muito para que os adeptos da comida lenta começassem a despontar nos quatro cantos do planeta, em 42 países. Mais ainda: a fama do manifesto deu nova dimensão ao movimento, com mais gente buscando desacelerar não só a alimentação, mas também os deslocamentos (mais caminhadas e menos carros), a produção de bens (consumir menos para preservar mais), as roupas, as casas e até a educação (mais atenção às vivências artísticas e saberes artesanais e menos foco nas conquistas acadêmicas).

Slow Life, em resumo, é isso. Desacelerar para se reconectar a si mesmo, às pessoas e ao lugar em que se vive. Talvez não exista nada mais contracultural hoje em dia do que desacelerar o passo. Sim, porque vivemos na era da velocidade, em que consumir a última geração de eletrônicos, a mais recente moda e a mais nova dieta para emagrecer é uma luta diária sem fim – e sem sentido.

Tudo parece mudar em segundos. O tempo escapa dos nossos dedos e deixa a respiração curta, ofegante. Isso lá é vida boa? Isso lá é “avanço”? Quanto, de fato, essas invenções do tipo mais-do-mesmo melhoraram nossas vidas? Temos mais tempo livre hoje? E o que fazemos com ele? Vamos às compras? Freqüentamos cursos de reciclagem para não perder o emprego?

Será que realmente a felicidade mora na velocidade? Que tal desacelerar? Experimente! Não digo que é fácil. Tento um pouco a cada dia e, confesso, muitas vezes sou engolida pelos compromissos, pelo trânsito infernal, pelo celular, pelo almoço rápido, pela vontade de dar um up grade no computador. Afinal, somos bombardeados 24 horas por dia por mensagens que pedem: compre, consuma, jogue fora, troque, atualize-se.

Talvez a melhor estratégia, no entanto, não seja combater o que está à nossa volta, como um militante deste ou daquele movimento. Lembro-me do que dizia meu professor de kung fu sobre caminhar feito água de rio, desviando-se suavemente das pedras para seguir seu próprio curso. Sem violência, entende?

Se você, assim como eu, está buscando desacelerar o passo para viver mais e melhor, aproveite a experiência de quem já está nesse caminho há mais tempo. Procure ler, pesquisar na internet (veja os links que deixei no fim do texto), conversar com os amigos. Lembra do que escrevi no post Simplicidade Voluntária sobre os Círculos de Simplicidade? Tai um jeito bacana de dividir com outras pessoas os mesmos anseios, dificuldades e conquistas. Há muito para se estudar e, quem sabe, incorporar em nossas vidas. Mas, lembre-se: devagar, sem pressa, sem ansiedade. Um passo de cada vez. Devagar e sempre.

Para saber mais:

Slow Movement: www.slowmovement.com
Slow Food Brasil: http://www.slowfoodbrasil.com/
Slow Food International: http://www.slowfood.com/
Simplicidade Voluntária: http://www.simplicidade.net

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Comentários

16 de April de 2009 Anonymous - diz:

ALmir SIlva – diz:Procuro esse estilo de vida desesperadamente. Acho que o fast life está deixando as pessoas loucas, depressivas, solitárias.COmo resolver isso?Procuro pessoas com esse estilo de vida para fazer amizades.COmo conhecê-las?Aceito emails e contatos de pessoas para novas amizades.Almir SIlva

19 de April de 2010 Anonymous - diz:

Antonio Gonçalves da Silva – diz:Ok! muito bom. Gostaria de receber mais informações sobre Slow Life. Como iniciar um programa?

30 de August de 2010 Anonymous - diz:

junior celio dos santos – diz: Gostei muito desta matéria, levo uma vida muito corrida, quero pagar logo meus compromissos, gostaria de levar uma vida mais light, gostaria de receber materiais ou seja este tipo de matérias à respeito do slow life. Obrigado. Junior

11 de December de 2010 Anonymous - diz:

BEATRIZ TORRIANI – diz:TÔ CANSADA!TENHO 46 ANOS, ATÉ AQUI CONSTRUI UMA CARREIRA PROFISSIONAL DA QUAL ME ORGULHO(ÁREA HUMANA), UMA FAMÍLIA LINDA, MORAMOS EM UMA CASA AMPLA, COM PÁTIO, CACHORROS, HORTA E POMAR EM UMA CIDADE DO INTERIOR DO RGS… MAS NÃO CONSIGO CURTIR COMO GOSTARIA POIS TENHO ESTADO EXAUSTA AO FIM DO DIA DEPOIS DO TRAABALHO (ATÉ AS 19 HS). PRECISO MUDAR MINHA VIDA, ME EXERCITAR, VOLTAR A ESCREVER, JOGAR TÊNIS, ESTUDAR FILOSOFIA COM AMIGOS E RELAXAR. QUERO MUDANÇAS E SIMPLICIDADE. QUERO AMIGOS(A) QUE ESTEJAM CANSADOS TAMBÉM DA PASTEURIZAÇÃO, DA PLASTIFICAÇÃO E DO MATERIALISMO. ADORO GENTE DE VERDADE, MÚSICA DE BOA QUALIDADE E SENSIBILIDADE. ALGO MEIO RETRÔ, COISAS SINGELAS E PANELA DE FERRO. CONVERSA BOA, ABRAÇOS EM FILHOS,PAIS, MARIDOS, AMIGOS, IRMÃOS, E TODA ORDEM DE COISAS SIMPLES E FATÁSTICAS CONTIDAS EM PEQUENOS ATOS DE AMOR. QUERO PAPO COM GENTE BOA! BEATRIZ

11 de May de 2011 Anonymous - diz:

Rejane Felipe – diz:Excelente!Acredito mesmo na necessidade de desacelerar para termos uma vida com mais qualidade.Para mim o slow life é bem recente, mas concordo que uma vidinha com mais simplicidade gera maior bem-estar e que a felicidade não está nas conquistas do “ter”, que tanto angustiam.É chegada a hora de renovarmos nossos valores e buscarmos valores mais consistentes e concretos.Vamos em busca da simplicidade!

16 de May de 2011 Anonymous - diz:

Aloizio Barros de Souza – diz:Sempre procurei fazer tudo com calma e perfeição. Nada de “é prá ontem”. Não existe isso comigo. Trabalho como Desenhista Projetista de uma grande ferrovia aqui no Brasil e em meu serviço, busco a qualidade associada a um trabalho lento e que no final, terá a qualidade exigida. Para que correr feito um louco e depois fazer várias revisões? Não justifica! Basta desacelerar, pé nbo freio. Você tem tempo para ver erros, projetar e até mesmo reencontrar soluções não vistas. Penso que temos que andar mais devagar. Como na música do Almir Sater: “…Ando devagarPorque já tive pressa.E levo esse sorrisoPorque já chorei demais.Hoje me sinto mais forte,Mais feliz, quem sabe.Só levo a certezaDe que muito pouco sei,Ou nada sei.Conhecer as manhasE as manhãs.O sabor das massasE das maçãs.É preciso amorPra poder pulsar.É preciso paz pra poder sorrir.É preciso a chuva para florir.Penso que cumprir a vidaSeja simplesmente,Compreender a marchaE ir tocando em frente.Como um velho boiadeiroLevando a boiada,Eu vou tocando os diasPela longa estrada, eu vouEstrada eu sou…”

6 de November de 2011 alexandre pereira de godoi - diz:

Vi uma palestra da Maria Rita Kehl no café filosófico a respeito de depressão e aceleracao do tempo (Vale a pena a procura). após a palestra 1 rapaz da platéia pergunta sobre felicidade e pergunta para a psicanalista se a saída para uma boa vida seria trabalhar (fazer uma coisa que ama, assim nao sofreria com certos problemas). A resposta dela foi perfeita…. Ela disse (Eu amo o que faço, mas nao amo trabalhar tanto tempo com que amo) esta é o grande problema atual… nao temos tempo para nada … esta máxima ”Tempo é dinheiro” simplesmente criou seres para o consummo …. vida corrida ,a gitada sempre atrasado … agora a sreplacoes sao mais online do que na vida real… esta tudo muito estranho… muito estranho….eu ssinto que chego no final domeu dia e nao tenho nada a dizer sobre ele… trabalhie 8 9 horas sento e caasa e vazio….

20 de January de 2012 Laura Regina Cano - diz:

Quero receber notícias semelhantes a essa.
como faço para publicar coisas no facebook?
grata

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Gaiatos e GaianosGiuliana Capello

Giuliana Capello é jornalista ambiental e permacultora pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica. É colaboradora das revistas Arquitetura & Construção, CASA CLAUDIA e BONS FLUIDOS. Formada em design de comunidades sustentáveis (Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth), faz parte da Ecovila Clareando, onde está construindo sua futura morada. Neste blog, conta histórias e experiências que mostram que é possível ter uma vida mais simples - e nem por isso menos gostosa e divertida.

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