Parecia-me que fazer com que as áreas públicas florestais passassem a ter valor econômico, a partir de autorizações para a exploração da iniciativa privada, resolveria dois grandes problemas de modo localizado: o desmatamento (que só acontece porque floresta em pé não dá dinheiro) e a ilegalidade traduzida na grilagem (que só acontece porque em terra pública não tem ninguém tomando conta).
Se imaginarmos que as terras do governo correspondem a cerca de 70% de toda a Amazônia, dá para ter uma idéia do poder de inovação que a LGFP anunciava.
Andei conversando com alguns pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e descobri que há uma grande preocupação sobre como esse sistema vai promover também inclusão social. Se a exploração das florestas for exclusividade de grandes empresas, o que acontece com o caboclo comum que também vive desses recursos?
Mais do que isso, como é que a gente faz para que esse modelo sirva também para que o caboclo viva um salto de qualidade de vida, gerando emprego e renda?
Alguns dos especialistas que consultei temem a marginalização. Acham que mesmo organizados em cooperativas (algo que a LGFP permite e incentiva) os moradores locais teriam poucas chances de concorrer com empresas que têm maior capacidade técnica, se é que eles terão interesse em fazê-lo.
O sistema de concessões florestais parece ótimo do ponto de vista da conservação. Resta saber se será capaz também de gerar desenvolvimento social na Amazônia.
É isso que vim investigar. Hoje estou em Manaus. Amanhã sigo para Porto Trombetas, no Pára, onde vou acompanhar as audiências públicas da segunda Floresta Nacional a entrar no sistema de concessões. Semana que vem eu conto um pouco mais do que descobrir.