Há que se perguntar com que autoridade o governo retém informação pública, gerada com dinheiro público, via satélites internacionais (do sistema DETER - Detecção do Desmatamento em Tempo Real).
Segundo Miriam, fontes do governo dizem que a revelação dos dados virou um "estresse mental". A onda de brigar com o termômetro, em lugar de atacar as causas da febre, já teve início com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, que pôs em dúvida dados anteriores divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em que seu estado aparece como campeão do desmatamento.
Agora, segundo Abranches, o governo planeja até cooptar a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para que desenvolva outra metodologia para gerar os dados que, na "melhor" das hipóteses, estariam mais ao gosto do marketing político. Do contrário, por que criar uma alternativa ao trabalho do INPE, órgão de Estado que desenvolveu o primeiro e único sistema de monitoramento de florestas por satélite no mundo, e que goza de sólido prestígio internacional?
É inacreditável que esteja se criando aqui uma versão made in Brazil do movimento de controvérsia tecno-científica que imperou nos Estados Unidos desde a formação do consenso sobre as contribuição humana para o aquecimento global. Lá, o lobby para gerar dúvidas sobre verdades inconvenientes é da indústria de carvão e petróleo. E aqui?
Para Abranches "há uma onda obscurantista rondando as agências de excelência do estado brasileiro e que precisa ser dissipada pela resistência das próprias agências e da sociedade organizada, antes que se dissemine para fora do próprio estado". Era só o que faltava...