Eco Balaio
07/07/2008 ÀS 16:22
Pulga atrás da orelha

Os dados consolidados do desmatamento na Amazônia em maio já estão prontos. Mas como um estranho precedente, a divulgação das informações está sendo contida pela Casa Civil até que haja uma reunião preparatória com o Planalto. Quem alerta para os riscos desse tipo de expediente são os jornalistas Miriam Leitão em seu blog no jornal O Globo ("Números de maio serão levados a Lula", de 4/7) e Sérgio Abranches, em coluna de hoje no site O Eco.

Há que se perguntar com que autoridade o governo retém informação pública, gerada com dinheiro público, via satélites internacionais (do sistema DETER - Detecção do Desmatamento em Tempo Real).

Segundo Miriam, fontes do governo dizem que a revelação dos dados virou um "estresse mental".  A onda de brigar com o termômetro, em lugar de atacar as causas da febre, já teve início com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, que pôs em dúvida dados anteriores divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em que seu estado aparece como campeão do desmatamento.

Agora, segundo Abranches, o governo planeja até cooptar a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para que desenvolva outra metodologia para gerar os dados que, na "melhor" das hipóteses, estariam mais ao gosto do marketing político.  Do contrário, por que criar uma alternativa ao trabalho do INPE, órgão de Estado que desenvolveu o primeiro e único sistema de monitoramento de florestas por satélite no mundo, e que goza de sólido prestígio internacional?

É inacreditável que esteja se criando aqui uma versão made in Brazil do movimento de controvérsia tecno-científica que imperou nos Estados Unidos desde a formação do consenso sobre as contribuição humana para o aquecimento global. Lá, o lobby para gerar dúvidas sobre verdades inconvenientes é da indústria de carvão e petróleo. E aqui?

Para Abranches "há uma onda obscurantista rondando as agências de excelência do estado brasileiro e que precisa ser dissipada pela resistência das próprias agências e da sociedade organizada, antes que se dissemine para fora do próprio estado".  Era só o que faltava...




Eco
Balaio


Por Carolina
Derivi

Carolina Derivi tem 25 anos e é repórter da revista Pagina 22. Durante seus "verdes anos", foi ativista pelo cerrado na Chapada dos Veadeiros (GO). Foi repórter do site Amazonia.org.br e é autora do livro-reportagem "De quem é esse rio?" sobre a polêmica acerca do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO). Acha que o barato do jornalismo ambiental são as boas histórias, e do desenvolvimento sustentável, as boas idéias. Aqui, discorre sobre os rumos do meio ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.
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