A história das terras degradadas é famosa, mesmo. Pelo menos para quem acompanha as discussões sobre a Amazônia. Seriam 160 mil km2 de terras abandonadas ou semi-abandonadas que deveria receber investimentos para agropecuária, de modo a poupar as áreas de floresta. É o mote, inclusive, da campanha Amazônia Para Sempre, iniciativa dos atores Victor Fasano e Christiane Torloni.
Essa é uma. Mas são várias as realidades amazônicas que se converteram em diagnósticos, marcaram uma evolução de pensamento, e hoje beiram o esvaziamento de um clichê, enquanto aguardam idéias que as transformem também em uma evolução de práticas.
È bem como disse Smeraldi: nessas de “não seria preciso”, “não seria preciso”, ficamos só na retórica e a Amazônia segue tombando.
Outra idéia muuuito repetida entre os estudiosos é a de que a Amazônia teria potencial para se transformar em um grande pólo de biotecnologia, mediante investimentos em pesquisa e indústrias de ponta. É a velha história de que a “floresta em pé” precisa ter valor econômico. E a saída seria a exploração racional da biodiversidade. Carlos Nobre, climatologista do INPE e membro do IPCC, sempre repete em suas palestras que os investimentos nessa área poderiam transformar o Brasil no primeiro país tropical desenvolvido, com um modelo de desenvolvimento adaptado às suas características e potencialidades naturais.
Pois parece que a idéia deu um salto. A geógrafa e historiadora Bertha Becker, juntamente com Nobre e outros especialistas das ciências ambientais, publicaram no site da Academia Brasileira de Ciências a proposta “Amazônia: Desafio Brasileiro do Século XXI – A Necessidade de uma Revolução Científica e Tecnológica”. Trata-se de uma sugestão para avançar na prática, que requer investimentos da ordem de R$ 3 bilhões por ano.
Segundo os pesquisadores, em 10 anos o País poderia presenciar uma verdadeira revolução de ciência e tecnologia, além de uma revolução no desenvolvimento sustentável na Amazônia. A idéia é turbinar os centros de pesquisa já existente, além de criar novas universidades e institutos, aumentando maciçamente as linhas de pesquisa e a presença de doutores na região.
Os detalhes todos não cabem aqui nesse post. Por isso recomendo a leitura do artigo na íntegra (são 16 páginas, nada de mais) ou a excelente cobertura desse domingo na Folha de São Paulo (só para assinantes). Ah, o frescor das novas idéias... Impressionante como podem renovar também as esperanças.